A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO DO PROFESSOR PARA TRABALHAR A LEITURA DE MANEIRA PLURAL E REFLEXIVA... 41
promover interações harmoniosas nessa situ-ação escolar de leitura.Certamente ele se utilizará do “poder”que lhe é conferido para tentar promover umarelação de ensino-aprendizagem relativamentesatisfatória (para a direção da escola, nãopara os alunos!). O “poder” deveria ser vistoe utilizado de maneira positiva e até mesmonecessária para manter a existência sadia doprocesso de ensino-aprendizagem e de umrelacionamento equilibrado entre alunos eprofessores, mas não deveria tornar inviávelo diálogo democrático dentro da sala de aula,inquietando, inibindo o aluno e perpetuando asdesigualdades dentro e fora da sala de aula. Aredistribuição do poder não apenas dentro dasala de aula entre professor e alunos, mas nasociedade como um todo, é defendida pelasabordagens da pedagogia crítica (Cook-Sather,2002, p. 6), nas quais os alunos são agentesativos na construção do conhecimento e sãolevados a reetir criticamente sobre a realidadeque os cerca.O poder deve, sim, ser utilizado como tenta-tiva (que pode não ser bem sucedida) de darvoz aos alunos: “to count students among thosewho have the knowledge and the position toshape what counts as education, to recongurepower dynamics and discourse practices withinexisting realms of conversation about educa-tion...” (Cook-Sather, 2002; Coulter & Wiens,2002). Mas isso não signica dar um espaço
pro forma
e falsamente democrático na instituiçãosomente para dizer que o aluno pode expor suasidéias; à medida que o aluno tem seu espaçolegitimado para falar, cabe ao educador ouvi-loe, quando necessário, redirecionar suas açõespara atender às suas reivindicações. Ao ouvir ooutro, o professor tem que estar aberto a reverseus valores ou, até mesmo, negociá-los.Os professores podem se tornar muito maisreexivos se desenvolverem sua capacidade deouvir atentamente seus alunos, destinando-lhes um pouco do poder que lhes é conferido.Para tanto, é necessário que ocorram algumasmudanças na estrutura educacional aindavigente em muitas instituições: “a escola inova-dora é a escola que tem a força de se pensar apartir de si própria”, designada como “escolareexiva” (Alarcão, 2001, p. 19). O professor ea direção da escola “reexiva” e “aprendente”precisarão realmente aprender a ouvir o aluno,a dar-lhe uma autoridade nunca antes confe-rida; o aluno, por sua vez, precisará aprender areivindicar seus anseios que por tantas décadasforam silenciados. Autorizar as perspectivasdos alunos pode vir a “trazer grandes melhoriasà prática educacional, em uma perspectivacolaborativa de construção do conhecimento”(Giroux, 1997a, p. 158).
ALGUMAS DIFICULDADESRELACIONADAS AO TRABALHODOCENTE NO BRASIL
Apesar da problemática que envolve ostrabalhos com leitura ainda nos dias de hoje,houve, no Brasil, um inegável avanço napostura teórica adotada nos PCNs (ParâmetrosCurriculares Nacionais) no que se refere aoenfoque leitor/produtor de textos. Mas, Rojo(2002) destaca que ainda há(...) um enorme fosso entrea postura teórica adotada e aspráticas de leitura e produção detextos em sala de aula. Os PCNsnão são legíveis e compreensíveispor si sós pelos professores ou,mesmo, pelos formadores deprofessores. Há necessidade deadoção de ações implementadoras(formação de professores, elabo-ração de materiais). Mas estasações, se continuarem caudatáriasde saberes de referência mais sedi-mentados nas práticas e na culturaescolar, deixarão, mais uma vez,de contribuir para uma política deletramento extremamente neces-sária no Brasil hoje (...).A grande diculdade de compreensão emleitura ainda pode estar presente na formaçãode alguns professores no Brasil e trabalharcom a leitura de maneira reexiva e dialógicaexige grande persistência do professor porque,
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