semanas. Pouco tempo antes, publicara um romance que obtivera êxito. Estando,portanto,-em evidência, fui entrevistado logo que desembarquei. No dia seguinte, o meutelefone tocou. Atendi.- Quem fala aqui é Elliott Templeton.- Elliott? Pensei que estivesse em Paris.- Não; vim visitar minha irmã. Queremos que venha almoçar connosco.- Com muito prazer. Indicou a hora e o endereço. As minhas relações com Elliottdatavam de quinze anos. Na ocasião em que me telefonou, devia estar perto dos sessentaanos. Era homem alto e elegante, de traços agradáveis e espessos cabelos escuros eondulados, com a nota grisalha apenas suficiente para acentuar a distinção da suaaparência. Comprava os acessórios de toilette em Charvet, mas os fatos, chapéus esapatos eram de Londres. Tinha em Paris um alojamento na Margem Esquerda - naelegante Rue St. Guillaume. As pessoas que não o apreciavam diziam que era negociante,acusação que o indignava. Elliott tinha gosto e entendia de arte, não se importando deconfessar que, em anos idos, quando pela primeira vez se instalara em Paris, dera a ricoscoleccionadores o favor da sua opinião; e quando, devido às suas relações sociais, ouviafalar de algum aristocrata arruinado, inglês, ou francês, que estava disposto a vender umbom quadro, ficava satisfeito de o poder pôr em contacto com os directores de museusamericanos que, sabia ele por acaso, estavam à procura de uma obra-prima de tal ou talmestre. Havia em França e em Inglaterra muitas famílias antigas, a quem ascircunstâncias obrigavam a dispor de uma peça assinada, de Buhl, ou de umaescrivaninha feita pelo próprio Chippendale, se o negócio pudesse efectuar-se sem alarde,e que gostavam de conhecer um homem de grande cultura e finas maneiras, capaz detratar discretamente do assunto. Supunha-se, naturalmente, que Elliott lucravacom essas transacções, mas a boa educação não deixava que se tecessem comentários atal respeito. Pessoas pouco generosas afirmavam que no seu alojamento tudo estava àvenda e que, depois de ter oferecido a milionários americanos um óptimo almoço, comvinhos velhos, uma ou duas dás suas valiosas telas desapareciam, ou uma cómoda demadeira entalhada seria substituída por uma outra, laqueada. Quando lhe perguntavampor que razão dera sumiço a determinada peça, ele, muito logicamente, explicava que nãoa achara bem à sua altura e resolvera, portanto, substituí-Ia por outra de superiorqualidade. Acrescentava que era enfadonho estar sempre a ver as mesmas coisas.- Nous autres américains, nós, americanos, gostamos de variar dizia. - É, ao mesmotempo, a nossa fraqueza e a nossa força.Algumas das senhoras americanas residentes em Paris, que se gabavam de saber tudo arespeito de Elliott, diziam que a sua família era muito pobre e que, se conseguia manter-se no nível em que vivia, era por ter sido muito hábil. Não sei a quanto montava a suafortuna, mas o duque de quem era inquilino certamente o fazia pagar muito peloalojamento que, além do mais, era mobilado com peças de valor. Havia, nas paredes,desenhos dos grandes mestres franceses, Watteau, Fragonard, Claude Lorraine e outros;
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