is selling less of more
” (algo como “por que o futuro dos negócios é vender quantidadesmenores de um número maior de coisas”). Trata-se portanto de uma obra que se propõeessencialmente a lançar luz sobre novas estratégias para o sucesso nos negócios. Não háqualquer pretensão de crítica ideológica ao sistema. Para se ter uma ideia, a fim de tornarsuas análises mais claras aos leigos e para ajudar a disseminá-las, o autor chegou a criar umlogotipo a partir de um gráfico que mostra, no eixo vertical,
hits
, produtos típicos da culturade massa, que vão encolhendo em uma curva descendente à medida que, no eixohorizontal, que representa produtos voltados para nichos, públicos específicos esegmentados, a curva se estabiliza e se prolonga indefinidamente. É a tal cauda longa.Mas se quisermos enquadrar Anderson em alguma posição ideológica determinada, elepoderia ser genericamente associado ao neoliberalismo de economistas neoclássicos comoFriedrich Hayek e Milton Friedman e ao pragmatismo norte-americano de base perceiana.Como diz Peirce em “
How to make our ideas clear
”, um ensaio que é marco do pragmatismoestadunidense:“
For an individual, however, there can be no question that a few clear ideas are worth more than many confused ones
” (para um indivíduo, porém, não há dúvida de que umas poucas idéias claras valem mais do que muitas idéias confusas).Sem ser necessariamente original, Chris Anderson critica a ênfase que a economia dá àquestão da escassez, que aliás está presente em sua definição clássica – satisfazernecessidades ilimitadas com recursos limitados –, e adverte também sobre uma dascaracterísticas da economia mais destacadas pelos economistas neoclássicos, o
trade-off
, ouseja, a ideia de que, em nossas decisões financeiras, escolher uma coisa significa renunciar aoutra (por exemplo, se um trabalhador assalariado escolhe comprar um carro, istoprovavelmente implica renunciar a uma viagem de férias, uma vez que seu salário é fixo enão permitiria fazer as duas escolhas ao mesmo tempo). Em outras palavras, ele diz que aciência econômica tradicional, ou neoclássica, se preocupa demais em estudar mais o quefalta, os chamados insumos finitos (como o salário do trabalhador no exemplo acima), doque insumos abundantes ou infinitos.E em sua visão, o ciberespaço é um desses recursos abundantes. É um espaço ilimitadopara a “estocagem” de bens simbólicos como arte e informação. Com a digitalização da
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