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AVALIAÇÃO
 
DAS
 
AÇÕES
 
DE
 
PROMOÇÃO
 
DA
 
SAÚDE
 
EM
 
CONTEXTOS
 
DE
 
POBREZA
 
E
 
VULNERABILIDADE
 
SOCIAL
Regina BodsteinLenira Zancan
“Os métodos e teorias da ciência social não estão sendo produzidos por computadores, mas por homens e mulheres, e sobretudo por homens e mulheres que trabalham não em laboratórios, mas nomesmo meio social a que se aplicam os métodos e se transformamas teorias. É isso que confere à empreitada como um todo o seu caráter especial A maior parte das pesquisas em ciências sociaisenvolve contatos diretos, íntimos e mais ou menos perturbadorescom os detalhes imediatos da vida contemporânea, contatos de umtipo que dificilmente pode deixar de afetar a sensibilidade das pessoas que os realizam” (Geertz, 2001:31).
INTRODUÇÃO
Programas com o perfil e as características do Desenvolvimento LocalIntegrado e Sustentável (DLIS/PS) – baseados em uma concepção ampliada dedesenvolvimento e no tripé da participação, da intersetorialidade e da parceria –trazem como marcas a multiplicidade de iniciativas, propostas, projetos e atores.Constituem um permanente desafio aos enfoques avaliativos tradicionais.Implicam na necessidade de revisão dos esquemas e conceitos consagrados nocampo da avaliação e na busca de novas abordagens. O fundamental naavaliação desses programas é a compreensão sobre a dinâmica capaz dedesencadear mudanças mais consistentes, tanto na rede de sociabilidade local,como na qualidade de vida (Bodstein et al., 2001a).
 
O modelo de avaliação proposto está centrado na necessidade de se analisar a dinâmica de implantação do DLIS/PS em Manguinhos. Sob esse enfoque, aperspectiva discutida por Denis & Champagne parece extremamente pertinente.Os autores enfatizam que o contexto em que o programa está inserido temprofundas implicações nas mudanças e efeitos pretendidos. Ressaltam ainda oslimites analíticos de uma avaliação baseada unicamente nos efeitos e nosimpactos observáveis do programa. (Denis & Champagne, 2000:50). Consideram
 
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necessário reconhecer que os efeitos e impactos dos programas sãofreqüentemente indiretos, e que o fundamental, principalmente em programascomplexos, é analisar os fatores que influenciam os resultados obtidos (Denis &Champagne, 2000:51).Louise Potvin, trabalhando com uma perspectiva semelhante, chama a atençãopara a dinâmica inerente e constitutiva dos programas sociais. Isto é, seu caráter abrangente, mutante e reflexivo, envolvendo inúmeros executores, atores,interesses e conflitos. Assim, é importante perceber como propostas e objetivosiniciais se desdobram e se modificam pari passu ao desenvolvimento do programa(Potvin, 2001). Partindo desse referencial, o artigo analisa a dinâmica e asespecificidades do processo de implantação do programa em Manguinhos. Tratade pensar a adequação da proposta DLIS/PS ao contexto local. Em seguida,enfatiza a importância da mobilização e participação para a implantação doprograma. Nessa perspectiva duas estratégicas mereceram destaque: odiagnóstico participativo e o mapeamento das iniciativas, ações e equipamentossociais existentes no local. Finalmente, reflete sobre
 
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efetividade e o alcance dasmudanças.
ADEQUAÇÃO DA PROPOSTA AO CONTEXTO LOCAL
Pobreza e desigualdade social formam um dos traços estruturais maisperversos da sociedade brasileira, não se restringindo às áreas rurais e maisremotas do país. Estão presentes tanto na periferia das grandes cidades, emverdadeiros cinturões que reúnem milhões de pessoas em situação deprecariedade e exclusão, como também nas favelas cariocas, onde, não raro,dividem e disputam espaços em áreas nobres da cidade. É o caso, por exemplo,da zona sul da cidade do Rio de Janeiro, que abriga, lado a lado, os extremos dapirâmide social - moradores do asfalto e moradores das favelas -, mesclandodistância social com proximidade territorial
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.A Fundação Oswaldo Cruz na zona norte do Rio de Janeiro, onde estásituada a ENSP, é cercada pelo Complexo de Manguinhos, Formado por onzecomunidades: (PCC) Parque Carlos Chagas; (PJG)Parque João Goulart; (POC)
 
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Parque Oswaldo Cruz; (CSM)Comunidade Samora Machel ; (CNM)ComunidadeNelson Mandela; (CMP)Comunidade Mandela de Pedra; (CAH)ComunidadeAgrícola de Higienópolis; (CHP2)Conjunto Habitacional Provisório 2; (VSP)VilaSão Pedro; (VT)Vila Turismo; (VU)Vila União.Abrigando uma extensa população em condição de pobreza e miséria,esses espaços concentram os principais problemas relacionados à insuficiência,precariedade e ausência de serviços públicos em áreas tais como, educação,saúde, infra-estrutura urbana, cultura, lazer e segurança pública. Com gravesproblemas habitacionais e ambientais, essas áreas constituem um enorme desafioà administração pública.O conceito de Desenvolvimento Humano Sustentável, elaborado peloPrograma das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sinaliza para umanova estratégia de combate à pobreza e enfrentamento dos problemas sociais.Presente em inúmeros documentos recentes, gerados em eventos internacionaisde instituições como o próprio PNUD, o Banco Mundial e a Organização dasNações Unidas (ONU)
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, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), criado peloseconomistas Mahbub ul Haq e Amartya Sen, em 1990, tem o mérito de permitir comparar as condições de vida nos mais diferentes países e áreas, usandoindicadores de renda, longevidade e educação. Aponta para o fato crucial de quepobreza não deve ser medida unicamente pelo nível de renda da população, masatravés de outros indicadores de qualidade de vida, como nível de escolaridade esaúde (esperança de vida ao nascer). Enfatiza assim a relação entre pobreza eausência (precariedade) de acesso da população aos bens e serviços essenciaispara a qualidade de vida.No Brasil, a partir dos dados do Censo Demográfico de 1991, do IBGE, foielaborado o Mapa do Desenvolvimento Humano do país que possibilita amensuração das desigualdades de renda e das condições de vida em escalamunicipal. O Rio de Janeiro foi uma das primeiras cidades do mundo a obter seuIDH para cada um dos seus 161 bairros, calculado com base na renda familiar per capita (soma dos rendimentos dividida pelo número de moradores de uma casa),na expectativa de vida, na taxa de alfabetização de maiores de 15 anos e no
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