marxista do processo de significação e sentido da linguagem. Nestes termos, o dialogismoinerente ao processo lingüístico constitui a forma como o enunciado se imbui da natureza dosmeios sócio-históricos em que são proferidos e, ou recebidos pelo outro
.Com isto, Bakhtin insere a noção de
tema
, querendo dizer que a linguagem nãodeve ser compreendida ou estudada como combinação abstrata de signos, já que ela é viva e sedesenvolve no âmbito social. O signo carrega em si o sentido ideológico da relação dialógicaentre o enunciador e o outro; sem, contudo, limar a relação estabelecida entre significante esignificado
. O dialogismo bakhtiano propõe, portanto, que o papel do outro se inclui e implica aenunciação. Ou seja, a palavra
“é determinada tanto pelo fato de que procede de alguém, como pelo fato de que se dirige para alguém. Ela constitui justamente o produto da interação dolocutor e do ouvinte
” (BAKHTIN, 2002, p. 113).A teoria bakhtiana instaura, desta forma, pelo menos dois pressupostos ao processode comunicação: a natureza ideológica do signo e o dialogismo da relação enunciador-ouvinte.A partir desta perspectiva, vale citar Sodré, em seu
Discurso da Neobarbárie
, onde
“fica bastante claro que a linguagem cria, mais do que reflete, a realidade”
(1997, p. 116). Nestetexto, o autor alerta de que forma uma ideologia aceita pelo corpo social se propaga legitimandoo discurso hegemônico através da linguagem e universalizando valores e pontos de vista particulares. O discurso da neobarbárie dita e comanda uma
“direção cultural”
(SODRÉ, 1997, p. 166), criando uma universalidade ilusória. Sodré ainda trata do “racismo” que surge nestecontexto, já que o discurso neobárbaro que não é aceito alija o individuo da integração social.A seguir, veremos como os esclarecimentos de Lyotard acerca dos
jogos delinguagem
e da
natureza do vínculo social
, justificam e completam a visão bakthiana.
1.2 A Condição Pós-Moderna:
Se eu tivesse de resumir o século XX, diria que despertou asmaiores esperanças já concebidas pela humanidade e destruiutodas as ilusões e ideais.
Yehudi Menuhin
1
“[...] a linguagem não é falada no vazio, mas numa situação histórica e social concreta no momento e no lugar daatualização do enunciado.”
(BRAIT, 1997, p. 97).
2
Tema
“é a expressão da situação histórica concreta em que se pronuncia o enunciado.”
(DIAS, 1997, p. 106).
3
“[...] a descodificação da forma lingüística não é o reconhecimento do sinal, mas a compreensão da palavra no seu sentido particular, isto é, a apreensão da orientação no sentido da evolução e não do imobilismo.”
( BAKHTIN,2002, p. 94). E ainda,
“[...] se concedermos um estatuto separado à forma lingüística vazia de ideologia, sóencontraremos sinais e não mais signos.”
( BAKTHIN, 2002, p. 96).
4
Cf.
capítulos 3, 4 e 5 em LYOTARD, 1998.
3
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