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ERSPECTIVA
T
EÓRICA
1.1 Indústria Cultural: arte e aparelhagem técnica
Antes de nos aprofundarmos na análise do discurso televisivo, faz-se necessárioapresentar os moldes em que a indústria cultural instaurou-se, do novo nicho da obra de arte e doadvento do aparato técnico sem o qual a cultura de massa não teria êxito.Aliás, o termo cultura de massa, desencadeia já uma certa ilusão. Faz pensar que éuma cultura produzida espontaneamente pela própria massa, enquanto, na realidade, significa acultura produzida industrialmente
para
a massa, com a finalidade de engendrar o tempo livre dohomem dentro da cadeia do consumo (ADORNO, 1990, p. 160). No entanto, antes de ilustrar asconseqüências da indústria cultural, é preciso demonstrar sua matéria-prima, arte; e o público aquem se destina, a massa.A arte, em seus primórdios, apresentava uma função ritualística de culto. Areprodução da obra era impensável, pois sua autenticidade consistia nesta
aura
que só o original podia transmitir. Conforme Benjamin, as técnicas de reprodução desauratizam a arte, conferindo-lhe atualidade permanente já que, reproduzível, ela se oferece em qualquer circunstância(BENJAMIN, 1983, p. 9).A arte
assim aviltada não estabelece um diálogo honesto com o homem, pois este já não a visita plenamente no contexto da reprodução e do aparato técnico, que tiraniza a intençãoda obra. Um homem que contempla um quadro transporta-se para seu interior. Tem assimautonomia crítica para assimilar seu conteúdo.Todavia, as imagens projetadas pela TV, “arte” consumida calçando meias esorvendo café em confortáveis poltronas, é que se transportam para o deserto árido que se tornoua mente humana. A velocidade de sucessão destas imagens não permite contemplações, o olhocansa-se inutilmente em tentar fixar alguma cena (BENJAMIN, 1983, p. 25). E a própriamontagem das cenas ilude o olho. A mediação existente entre a interpretação do ator (a obra) e o
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“Sempre foi uma das tarefas essenciais da arte a de suscitar determinada indagação num tempo ainda não maduro para que se recebesse plena resposta”
(BENJAMIN, 1983, p. 23). No contexto em que surge a indústria culturaltorna-se impensável a arte executando tal papel, visto que ela se coloca a serviço do sistema, obedecendo à lei daoferta e da procura e, portanto, privando-se de qualquer conteúdo crítico.
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Francisco Carlos Silvaleft a comment