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Crônicas 1PARA GOSTAR DE LERPARA GOSTAR DE LER 1CARLOS DRUMMOND DE ANDRADEFERNANDO SABINORUBEM BRAGAPAULO MENDES CAMPOSHumor é o que não falta neste livro, que traz crônicas escritas por quem mais entende doassunto: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e RubemBraga. É só ler estes textos para entender, afinal, o que é a crônica. Mas se precisar mesmo deuma definição, fique com esta: crônica é um texto tão gostoso de ler que dá até vontade deescrever.Carlos Drummond de AndradeFernando SabinoRubem BragaPaulo Mendes CamposEste livro apresenta os mesmos textos ficcionais das edições anteriores.PARA GOSTAR DE LER 1CARLOS DRUMMOND DE ANDRADEFERNANDO SABINORUBEM BRAGAPAULO MENDES CAMPOSDiretor editorial adjuntoFernando PaixãoEditora adjuntaCarmen Lucia CamposRevisãoIvany Picasso Batista (coord.)Editora de arteSuzana LaubEditor de arte assistenteAntonio PaulosEdição de arteIlustração da capaMário CafieroIlustrações internasAderbal MouraColaboração na seleção de textosEdson Lima Gonçalves, Francisco Marto de Moura, Icléa Mello Gonçalves, Ilka Brunhilde Laurito, José Inaldo Godoy, José Luís Pieroni Rodrigues, Sarah Ortiz CapellariColaboração na redação de textosMalu Rangel, Margarete Moraes, Wagner D'ÁvilaCriação do projeto original da coleção Jiro TakahashiSuplemento de leituraVeio LibriEditoração eletrônicaStudio 3 Desenvolvimento EditorialEduardo Rodrigues
 
Edição eletrônica de imagensCesar Wolf 85 08 05289 82002 Todos os direitos reservados pela Editora ÁticaRua Barão de Iguape, 110 - CEP 01507-900Caixa Postal 2937 - CEP 01065-970 - São Paulo - SP Tel.: 0-11 3346-3000 - Fax: 0-11 3277-4146Internet: http://www.atica.com.bre-mail: editorial@atica.com.brSumárioAmigo estudante 7CriançasHora de dormir, Fernando Sabino 11Menina no jardim, Paulo Mendes Campos 14No restaurante, Carlos Drummond de Andrade 17Negócio de menino, Rubem Braga 20AnimaisO pintinho, Carlos Drummond de Andrade 25História triste de tuim, Rubem Braga 28A verdadeira história de Pio, Paulo Mendes Campos 31O dia da caça, Fernando Sabino 33No mundo do consumoConversa de compra de passarinho, Rubem Braga 41Aspirador, Fernando Sabino 44Caso de arroz, Carlos Drummond de Andrade 46A cesta, Paulo Mendes Campos 48 Tipos humanosOs bons ladrões, Paulo Mendes Campos 53Serás ministro, Carlos Drummond de Andrade 56Se não me falha a memória, Fernando Sabino 59O padeiro, Rubem Braga 61A linguagem e o homemMacacos me mordam, Fernando Sabino 65Recalcitrante, Carlos Drummond de Andrade 69Recado ao senhor 903, Rubem Braga 72Continho, Paulo Mendes Campos 74Conhecendo os autores 75Referências bibliográficas 85Amigo estudanteEste livro não tem a intenção de ensinar coisa alguma a você. Nem gramática nem redaçãonem qualquer matéria incluída no programa de sua série.Nós só queremos convidar você a descobrir um mundo maravilhoso, dentro do mundo em quevocê vive. Este mundo é a leitura. Está à disposição de qualquer um, mas nem toda gentesabe que ele existe, e por isso não pode sentir o prazer que ele dá.Experimente abrir este livro em qualquer página onde começa uma crônica. Crônica é umescrito de jornal que procura contar ou comentar histórias da vida de hoje. Histórias quepodem ter acontecido com todo mundo: até com você mesmo, com pessoas da sua família oucom seus amigos.Mas uma coisa é acontecer, outra coisa é escrever aquilo que aconteceu. Então você notará,ao ler a narração do fato, como ele ganha um interesse especial, produzido pela escolha e pelaarrumação das palavras. E aí começa a alegria da leitura, que vai longe. Ela nos faz conferir,pensar, entender melhor o que se passa dentro e fora da gente. Daí por diante a leitura ficarásendo um hábito, e esse hábito leva a novas descobertas. Uma curtição.As crônicas serão apenas um começo.Há um infinito de coisas deliciosas que só a leitura oferece, e que você irá encontrandosozinho, pela vida afora, na leitura de bons livros.Boa sorte, e um abraço para você, de seus amigos cronistas.Carlos Drummond de AndradeFernando SabinoPaulo Mendes CamposRubem Braga
 
CriançasHora de dormirFernando Sabino- Por que não posso ficar vendo televisão?- Porque você tem de dormir.- Por quê?- Porque está na hora, ora essa.- Hora essa?- Além do mais, isso não é programa para menino.- Por quê?- Porque é assunto de gente grande, que você não entende.- Estou entendendo tudo.- Mas não serve para você. É impróprio.- Vai ter mulher pelada?- Que bobagem é essa? Ande, vá dormir que você tem colégio amanhã cedo.- Todo dia eu tenho.- Está bem, todo dia você tem. Agora desligue isso e vá dormir.- Espera um pouquinho.- Não espero não.- Você vai ficar aí vendo e eu não vou.- Fico vendo não, pode desligar. Tenho horror de televisão. Vamos, obedeça a seu pai.- Os outros meninos todos dormem tarde, só eu que durmo cedo.- Não tenho nada que ver com os outros meninos: tenho que ver com meu filho. Já para acama.- Também eu vou para a cama e não durmo, pronto. Fico acordado a noite toda.- Não comece com coisa não, que eu perco a paciência.- Pode perder.- Deixe de ser malcriado.- Você mesmo que me criou.- O quê? Isso é maneira de falar com seu pai?- Falo como quiser, pronto.- Não fique respondendo não: cale essa boca.- Não calo. A boca é minha.- Olha que eu ponho de castigo.- Pode pôr.- Venha cá! Se der mais um pio, vai levar umas palmadas.- ...- Quem é que anda lhe ensinando esses modos? Você está ficando é muito insolente.- Ficando o quê?- Atrevido, malcriado. Eu com sua idade já sabia obedecer. Quando é que eu teria coragem deresponder a meu pai como você faz. Ele me descia o braço, não tinha conversa. Eu porque soumuito mole, você fica abusando... Quando ele falava está na hora de dormir, estava na hora dedormir.- Naquele tempo não tinha televisão.- Mas tinha outras coisas.- Que outras coisas?- Ora, deixe de conversa. Vamos desligar esse negócio. Pronto, acabou-se. Agora é tratar dedormir.- Chato.- Como? Repete, para você ver o que acontece.- Chato.- Tome, para você aprender. E amanhã fica de castigo, está ouvindo? Para aprender a terrespeito a seu pai.- ...- E não adianta ficar aí chorando feito bobo. Venha cá.- Amanhã eu não vou ao colégio.- Vai sim senhor. E não adianta ficar fazendo essa carinha, não pense que me comove. Anda,venha cá.- Você me bateu...- Bati porque você mereceu. Já acabou, pare de chorar. Foi de leve, não doeu nem nada. Peçaperdão a seu pai e vá dormir.- ...- Por que você é assim, meu filho? Só para me aborrecer. Sou tão bom para você, você nãoreconhece. Faço tudo que você me pede, os maiores sacrifícios. Todo dia trago para você umacoisa da rua. Trabalho o dia todo por sua causa mesmo e, quando chego em casa paradescansar um pouco, você vem com essas coisas. Então é assim que se faz?
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