Renata Garcia – Mergulho no Inconsciente – Pagina 3 de 14
Dentro de mim há uma porta. Bem, dentro de todos nós. Mas nunca ouseinela entrar, e se ousei, faz muito tempo. Tanto que nem me lembro. Tambémnunca tive tempo para entrar. E agora estou com problemas e preciso de soluções.Minha vida está o caos. Sinto-me sozinha nessa cidadezinha. Há poucacoisa para se fazer aqui. Só meu trabalho e meus poucos amigos. O estresseaumentou consideravelmente. É triste.Um turbilhão de problemas surge em minha cabeça. É como se euestivesse presa em mim mesma. Eu andava pela rua, e os problemas me seguiam.Eu trabalhava, os problemas olhavam para mim, com grandes olhos. Não agüenteimais.Consegui alguns dias de descanso, e como nada tinha para fazer, resolviler um pouco. Como não tinha livros em casa, fui à pequena biblioteca pública quehavia.Quando digo pequena, é porque é pequena mesmo. Poucos livros, poucasestantes, pouca gente. Entrei. Havia um balcão à direita, mas não parei e segui emfrente.A saleta de livros era a “maior” sala do ambiente. Havia estantes coladasnas paredes, circundando a sala cor creme. Os poucos livros eram organizados emtemas. No centro da sala, havia três mesas com várias cadeiras. Em um canto haviauma copiadora ultrapassada, fruto de doações. Aquela biblioteca era uma colcha deretalhos de doações.Andei em círculos pela sala. Olhava títulos e títulos. Autores, escritores,redatores, etc. Tropecei do meu salto e meu dedo apontou um grande livro.Seria coincidência que encontrei sobre o inconsciente logo que eu abri? Eraum livro pesado, com aquela capa antiga vermelho-escuro com um antigo brasão.Em si, falava sobre magia, havia somente um capítulo sobre o tema que euprocurava.Falava que para nos encontrarmos com nós mesmos precisamos meditarsempre, duas horas por dia. Nunca tive paciência para isso. Tentei seguir asrecomendações do livro.Copiei essas velhas páginas do livro. Resolvi não leva-lo todo porque ataxa de aluguel era mais cara.Fui a um parque que há perto de minha casa. Bom, não era um parque, erauma praça. Mas estava no conceito de praça grande e parque pequeno. Não tinhalugares solitários.Havia muita gente. Nem sei se era feriado ou fim de semana. Estavatambém quente e abafado. Não me sentia confortável, nem caminhando, nemsentada. Não conseguia nem fechar os olhos direito. Tinha medo de um pombofazer cocô sobre minha cabeça, ou um cachorro fazer xixi perto de mim.Desisti do parque. Continuei a procurar. Perto do parque havia um riacho.Pelo menos, o riacho era limpo, e as águas eram cristalinas. Sentei-me e vi umapaisagem maravilhosa, que merecia uma foto.Mas eu não trouxe a minha câmera! Eu nem tinha mesmo! Fechei os olhos,comecei a respirar aquele ar fluvial e lodoso. O sono começou a se apoderar demim, deitei-me na grama. Os guardas me acordaram. Aborreci-me.
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