A Suicida
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Prólogo
Sinto que eu pus minha alma e meu coração nessa obra, nessa moça, nessa mulher,nesse Amor, nesse sonho, nessa sombra, nesse pesadelo. Chamá-la-ei de Lily. Não sei se essenome aparecerá nas próximas páginas - aliás, apenas eu a chamarei assim. Mediana, ruiva,cabelos ondulados como um mar de fogo. Ela desistiu de viver neste mundo onde sofreu tantoe decidiu viajar por aí. Queria ter sua coragem, sua falta de prudência, sua doçura einteligência. Lily, meu lírio amado, branco, vermelho, cinza, puro.Teve apenas um namorado, um marido e um amor em seu coração. Apenas seu Amor sobreviveu, pois este sobrevive à Vida e à Morte. E é atemporal. Se desperta dos mais puros enobres sentimentos, não importa qual pessoa. É a faísca na qual surge o incêndio. Vermelho fervendo as sombras. Espero não revelar o que vai acontecer, aliás, quero apenas lhedespertar a curiosidade e a avidez por algo novo. Minha querida deve estar feliz agora, ondequer que esteja. Lily quer morrer, mas não quer se matar - uma bela antítese, se não for um complexo paradoxo. Procura uma missão, um motivo, cores para viver. Em um lugar tão universal quanto seu mundo, suas pessoas, seu cinza. Cores, incêndios, crimes, Amor. Foi isso que euachei em Sua História. Eu mesma queria ter presenciado as cenas mais importantes de suavida, até as tristes, até as alegres. Queria ter visto Seu Sorriso. Porém eu sou apenas suacriadora. Aquela que dá a introdução. Prólogo sem epílogo, pois este livro tende ao Infinito.Sinto que, apesar de sua infelicidade, ela foi mais feliz que muita gente, por causa da sua admirável capacidade de fazer o que queria. Foi assim que ela conheceu o Amor, foiassim que ela conseguiu morrer. Não sinto saudades dela, pois nunca a conheci, e também porque ela tinha seu caminho para seguir. Caminho este que poucos seguem e muitos se perdem.
Ato Único
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