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Artigo ___________________________________________________________________ 
VIBRAÇÃO MECÂNICA COMO INSTRUMENTO TERAPÊUTICO E DE TREINAMENTOFÍSICO(*)Introdução
Vibração é uma oscilação mecânica em torno de uma posição de referência, sendogeralmente produzida quando um sistema é deslocado de sua posição de equilíbrio estável(BEER; JOHNSTON, 1991; CARDINALE, 2005). Ela é um fenômeno quotidiano encontrado emnossas casas, durante as viagens e no trabalho, sendo freqüentemente entendida comoprocesso destrutivo, porém, se vista por outro lado, pode ser utilizada para realizar estímulopositivo no ser humano.Nas atividades de vida diária e em atividades esportivas o corpo humano é submetido aforças externas que induzem a vibrações e oscilações dos tecidos corporais. Estas vibraçõespodem ser provocadas tanto por impacto de alguma parte do corpo ou pelo equipamentoesportivo em contato com o corpo que se choca com um objeto. Um bom exemplo é o toque docalcanhar no solo quando caminhamos ou quando corremos. Várias estruturas do corpo humanoregulam a transmissão de choques e vibrações, podendo ser usadas pelo corpo para mudar asrespostas vibratórias em relação as forças externas. A rigidez da contração muscular é umimportante mecanismo de amortecimento das vibrações externas aplicada ao corpo. Porém,quando se ultrapassa determinado limite fisiológico, pode haver o desencadeamento demecanismos contraproducentes à homeostase.Os primeiros estudos controlados (Arizumi, 1983; Lundstrom, 1984) a respeito doresultado da ação da vibração mecânica sobre o corpo humano datam da década de 80. Estesestudos são citados como vibração corporal total, do inglês
whole body vibration 
e referenciam,principalmente, os efeitos agudos e crônicos desta ação. Quando relacionado ao treinamentodesportivo, a sua responsabilidade como indutora de ganhos de força e potência muscular foiobservada, principalmente, quando refere-se aos saltos verticais e aos resultados pliométricos.Um dos mecanismos fisiológicos que pode estar relacionado ao ganho destas valênciasfísicas é
o “reflexo tônico vibratório”
, também entendido como o reflexo miotático de forma cíclica(BOSCO; CARDINALE, 1998). Postula-se que o mesmo desencadeia um aumento dorecrutamento de unidades motoras, o que leva a uma melhora da sincronicidade de estímulospara o músculo, uma co-contração dos músculos sinergistas e inibição dos antagonistas deforma mais eficiente (BOSCO; CARDINALE, 1998).No campo da endocrinologia as pesquisas vêm demonstrando o efeito agudo da vibraçãomecânica como terapia de ação direta sobre o sistema neuro-endócrino. As principais
 
substâncias neuro-endócrinas que apresentaram sensibilidade à aplicação da vibração corporaltotal foram a testosterona, hormônio do crescimento e cortisol, podendo existir benefícios reaissobre a taxa metabólica basal, e conseqüente ação sobre a adiposidade corporal (ARIZUMI;OKADA, 1983).Em relação ao sistema músculo-esquelético existem investigações sobre o efeito daterapia por vibração corporal total na recuperação osteopênica e sarcopênica. Tais investigaçõesforam justificadas inicialmente pela indicação de metodologias acessíveis aos primeirosastronautas, com densidade óssea e muscular diminuídas (ARIZUMI, 1983; LUNDSTROM,1984). Porém, antes desta abordagem, as pesquisas direcionavam a vibração mecânica para ocampo das atividades potencializadoras de malefícios sobre o sistema músculo esquelético, poisos estudos eram focados na saúde do trabalhador, através da observação de seus efeitosnocivos. Da mesma forma, no âmbito músculo esquelético, algumas pesquisas são direcionadaspara a sua ação sobre as lombalgias crônicas e o equilíbrio postural (CARDINALE, 2005;TORVINEN et al, 2003).Alguns textos científicos (Torvinen et al., 2003; Bosco et al., 1996; Arizumi, 1983;Kraemer; Fleck; Evans, 1996; Lopes et al., 2007) demonstram a existência de alguma relaçãoentre a terapia por vibração corporal total e alguns sinais vitais, tais como, pressão arterial,freqüência respiratória e freqüência cardíaca. Estes sinais parecem refletir o bem estar e aqualidade positiva do sono. O entendimento sobre os efeitos, o uso e as aplicações da vibraçãomecânica mudou com o decorrer dos anos. Como pode ser visto através das colocações acima,a estimulação através da vibração mecânica pode trazer benefícios para o tratamento depacientes, na atividade física de modo geral e na maximização dos efeitos no treinamentoesportivo. Dessa maneira, o objetivo deste estudo de revisão é promover o conhecimento, aosprofissionais das ciências do movimento humano, acerca dos efeitos das vibrações mecânicasno corpo humano.
VIBRAÇÃO
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BASES FÍSICAS
 A vibração mecânica vem sendo estudada usualmente em exercício físicos realizadossobre plataformas vibratórias. As plataformas existentes no mercado podem gerar vibraçõessobre dois ou três eixos.De acordo com Cardinale (2005), a vibração é um estímulo mecânico caracterizado porum movimento oscilatório sobre eixos, em que as variáveis que determinam sua intensidade sãoa freqüência e a amplitude. A freqüência (Hz = nº de eventos/ seg.) é a taxa de repetição dosciclos oscilatórios, e a amplitude (mm) é a extensão do deslocamento da base vibratória. Asplataformas vibratórias mais conhecidas proporcionam freqüências de 15 a 60 Hz e
 
deslocamentos de menos de 1 mm até 10 mm, com acelerações de até 15 g (aceleração dagravidade, g = 9,8 m/s²).
Freqüência vibratória
As plataformas vibratórias são usualmente utilizadas com freqüências de 30, 40 ou 50Hz. Supõe-se que o aumento da freqüência eleva o consumo de oxigênio muscular, indicandoque quanto maior a freqüência, maior a atividade metabólica muscular (BOSCO, 2003).Geralmente o emprego das plataformas vibratórias se mantém abaixo de 50 Hz, sendoconsiderada mais efetiva a faixa de freqüência entre 25 e 45 Hz.É recomendado se iniciar o treinamento ou tratamento, com freqüências mais baixas, e iraumentando conforme este avança. Evita-se utilizar freqüências abaixo de 20 Hz, devido aofenômeno de ressonância nos órgãos. A ressonância ocorre quando os órgãos passam a vibrarna mesma freqüência da fonte que está gerando a excitação. Portanto, deve-se evitarfreqüências abaixo de 20 Hz, já que a maioria das estruturas corporais entram em ressonânciaabaixo dessa freqüência (IIDA, 2003; GRANDJEAN, 1998).
Amplitude vibratória
Alguns autores (Silva; Vaamonde; Padullés, 2006; Cardinale et al., 2003) se referem àamplitude de vibração como distância total (
peak-to-peak)
, porém, habitualmente nasplataformas vibratórias é indicado a metade deste comprimento. Existem algumas contradiçõesem relação à utilização dos valores de amplitude. Estudos referiram aumentar o rendimentomuscular com 1 mm de amplitude, outros demonstraram que amplitudes de 4 mm produziramaumento da contração voluntária máxima isométrica e amplitude em salto vertical (CARDINALE;BOSCO, 2003). Segundo os mesmos autores, mantendo-se o aumento das amplitudesvibratórias por volta de 2,5 a 7,5 mm, e mantendo-se os outros parâmetros constantes supõe-seum aumento do consumo de oxigênio cada vez maior, nas amplitudes mais altas. As pesquisasparecem indicar que as amplitudes de 4 a 6 mm garantem a ativação muscular pretendida,utilizando-se plataformas vibratórias.
Tempo de aplicação do estímulo vibratório
Estudos mostram o aumento da potência muscular em três séries de 1 minuto(ROELANTS, 2004; STUART, 2005). Em contrapartida, relata-se que as exposições ininterruptasde 5-6 minutos demonstraram diminuir o rendimento neuromuscular (LUO, 2005).
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