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Artigo _____________________________________________________________________BIOÉTICA NO UNIVERSO DA CIRURGIA BARIÁTRICA*
RESUMO
O artigo objetiva suscitar reflexões a respeito dos julgamentos afetos à bioética, em relaçãoàs situações que ocorrem no universo da cirurgia bariátrica, assim como as posturas dospacientes, e da equipe multidisciplinar. Diversas posturas, que corriqueiramente são tomadaspor qualquer uma das partes em questão, são entendidas epistemologicamente (ou pelateoria do conhecimento) como calcadas em critérios que possam estar relacionados com aeducação em saúde, história pessoal e todas as nuances que regem o comportamentohumano na sociedade contemporânea, acabando por compreender, na realidade, o objeto daética e da moral.
Palavras Chave: Bioética; Cirurgia Bariátrica
INTRODUÇÃO
Nos últimos vinte anos, é inegável a incidência do número de obesos no Brasil. E comodiversas fontes científicas podem atestar, acompanha-se a este aumento o número de co-morbidades inerentes à obesidade: Hipertensão, diabetes tipo II, dislipidemias, cânceres edepressão dentre outras. Mas, particularmente a Obesidade Mórbida, representa umasituação limite no aspecto de co-morbidades, isto quer dizer, que se não houver umaintervenção o óbito é certo. No ano passado, de acordo com a SBCBM – Sociedade Brasileirade Cirurgia Bariátrica e Metabólica, aproximadamente 25 mil cirurgias para redução deestômago (modalidades de cirurgias bariátricas) foram realizadas no país, cerca de 2,7 milforam feitas pelo SUS, com um custo individual aproximado de R$ 20 mil.
 
Isto representa algum ônus para os cofres públicos, e como em qualquer outra situação dasatividades humanas, podemos crer que alguns deslizes éticos foram cometidos dentro destesistema. Mesmo sem pensar que alguns ajustes comportamentais poderiam resultar em umaproveitamento mais eficaz do dinheiro, entendemos que debater bioeticamente este temanos leva ao fim proposto pela matéria.
DIAGNÓSTICO DE OBESIDADE
O principal instrumento utilizado para diagnóstico epidemiológico de obesidade no Brasil é oIMC – Índice de Massa Corporal. E a força deste instrumento está em ter sido divulgado pelaOMS – Organização Mundial da Saúde, em 1995. Existe um viés importante quando citamosa incidência e prevalência da obesidade em nosso país, pois este índice não atesta narealidade o quanto o indivíduo é obeso, e sim o quanto ele apresenta de massa corporal, ouseja, o peso corporal. Em indivíduos onde o peso de gordura realmente está elevado, existeconcordância entre os riscos de morbidade e o IMC, mas em indivíduos que possuem pesomuscular elevado estes sinais não estarão presentes. Na realidade, o que caracteriza aobesidade é o percentual de gordura que o indivíduo apresenta, podendo haver casos até emque o IMC se apresente inferior ao proposto pela OMS, e o indivíduo demonstre percentuaisde gordura relativamente altos.Se levarmos em considerão que a educão para a saúde é um dos pilares dodesenvolvimento de uma sociedade, encontraremos aí uma falha, pois até em encontroscientíficos organizados por instituições que são referências no tema obesidade, profissionaiscatedráticos não exercem o seu dever de divulgar esta faceta do diagnóstico da obesidade.Mais do que isso, os órgãos normativos das profissões que agregam a equipe de trabalho emcirurgia bariátrica e obesidade, permitem a divulgação indiscriminada do pseudo diagnóstico,que pode levar à busca errônea da composição corporal (perda de peso) pela população.Desta forma entendemos que se em uma farmácia a presença de uma balança não éacompanhada de informação do que ela mede, existe falha do conselho de farmácia; se emum determinado “suplemento” alimentar existe a nômina “perda de peso”, e não se fazreferência à discriminação deste peso, existe falha do conselho de nutrição; se um cirurgiãobariátrico refere-se somente a percentuais de “perda de peso” como parâmetros a seremalcançados após cirurgia bariátrica, existe falha do conselho de medicina.Alguns questionamentos podem ser levantados em relação ao exposto:
1.
Será que a OMS realmente foi tão taxativa em relação ao diagnóstico da obesidaderelacionado ao IMC, ou houve interpretação e tradução inadequadas?
 
2.
Será que os profissionais das equipes multidisciplinares, e seus respectivos conselhospossuem conhecimento sobre este tema?
3.
E, se possuem o conhecimento, quais os motivos que os levam a não repassar talinformação?A luz da ética fica difícil responder aos questionamentos relativos às condutas profissionais,mas, conseguimos responder ao primeiro questionamento, demonstrando que realmente aOMS não foi absurdamente direta, como divulgado em artigos, sites e livros brasileiros.Conforme a página oficial da OMS, reproduzimos na íntegra:
Table 1: The International Classification of adult underweight, overweight and obesity according to BMI 
ClassificationBMI(kg/m2)
Principal cut-off pointsAdditional cut-off points
Underweight<18.50<18.5
Severe thinness<16.00<16.0Moderate thinness16.00 - 16.9916.00 - 16.99Mild thinness17.00 - 18.4917.00 - 18.49
Normal range18.50 - 24.9918.50 - 22.9923.00 - 24.99Overweight25.0025.0
Pre-obese25.00 - 29.9925.00 - 27.4927.50 - 29.99
Obese30.0030.0
Obese class I30.00 - 34-9930.00 - 32.4932.50 - 34.99Obese class II35.00 - 39.9935.00 - 37.4937.50 - 39.99Obese class III40.0040.0
Source: Adapted from WHO, 1995, WHO, 2000 and WHO 2004.
BMI values are age-independent and the same for both sexes. However, BMI may not correspond tothe same degree of fatness in different populations due, in part, to different body proportions. Thehealth risks associated with increasing BMI are continuous and the interpretation of BMI gradings inrelation to risk may differ for different populations.” 
Traduzindo partes dos textos do arquivo original, verificamos que são feitas menções àsalterações de conteúdo de gordura em diferentes populações, e em diferentes partes docorpo, ou seja, este referencial também deveria ser reiterado junto à informação da “MassaCorporal”, para a nossa população, para que se compreendesse que não existe uma relaçãodireta entre Índice de Massa Corporal (
Body Mass Index 
) e a obesidade, isto depende dacomposição corporal.
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