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GARCIA,
 
A.;
 
Vasconcelos,
 
M.
 
(2007)
 
Tempo
 
e
 
conhecimento:
 
narrativa
 
cinematográfica.
 
In,
 
V.
 
Trindade,
 
N.
 
Trindade
 
&
 
A.A.
 
Candeias
 
(Orgs.).
 
 A
 
Unicidade
 
do
 
Conhecimento.
 
Évora:
 
Universidade
 
de
 
Évora.
 
______________________________________________________________________
2
 
O texto foi tecido basicamente com três fios: tempo, conhecimento e narrativa eorganizado em quatro momentos: a temporalidade, o tempo e o conhecimento,tempo, conhecimento e narrativa cinematográfica.O ato de tecer seguiu os seguintes passos: no primeiro,
um
fio referente ao
 
tempo,
foi selecionado entre tantos do mesmo nome e a escolha recaiu sobreaquele que contém a obra de Minkowski, que é um marco nos estudos sobre essetema. Aspectos da temporalidade foram revisitados e selecionados por seremfundamentais à compreensão desse elemento essencial na tecitura do texto.O segundo passo foi dado pela incorporação de um novo fio,
o
 
conhecimento
,que aparece muitas vezes sozinho e em outros, entrelaçado ao primeiro fio. Os fiosreferentes ao tempo e ao conhecimento, que foram entrelaçados para compor otexto, forneceram os primeiros elementos resultantes da articulação entre eles.O terceiro passo trata da integração de um novo fio aos anteriores
 ⎯ 
 
o
 
cinema
,especialmente no que se refere à narrativa cinematográfica. Cada fio foi objeto demuita atenção em relação, especialmente, à sua especificidade, quanto aoconhecimento que contém, para que no momento de juntar‐se aos outroscomponha um desenho novo, harmônico e articulado.As
considerações
 
finais
ao encerrarem o artigo apresentam uma forma decompreensão preliminar da influência da narrativa cinematográfica sobre o tempoe o conhecimento. Ao ser integrado ao devir o texto será exposto aos leitores, eembora não se tenha como saber sua repercussão fica a certeza que comporá comos demais, juntamente com aqueles que estão guardados nas dobras do passado ecom aqueles outros que virão do futuro, a força que faz girar eternamente a rodado conhecimento.
A
 
T
EMPORALIDADE
Os fundamentos que serviram de base para nortear a busca de respostas sobreas inquietações relacionadas ao tempo vivido e ao conhecimento foramencontrados na obra de Eugène Minkowski.Minkowski afirma que entre o devir e o ser, entre o tempo e o espaço seescalonam em nossa vida, fenômenos de ordem espaço‐temporal que nos indicamporquê e como, o pensamento chega a assimilar o tempo ao espaço. Essesfenômenos formam dois escalões: a duração e a sucessão vividas de um lado e acontinuidade vivida de outro. O laço que une estes dois escalões representa umprincípio especial denominado princípio de desdobramento, cujo sentido é opassar do tempo.Quando refletimos sobre o passar do tempo, o presente, o passado e futuro sãoevocados. Minkowski refere‐se a Pierre Janet para enriquecer essa reflexão, pois,
 
GARCIA,
 
A.;
 
Vasconcelos,
 
M.
 
(2007)
 
Tempo
 
e
 
conhecimento:
 
narrativa
 
cinematográfica.
 
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Candeias
 
(Orgs.).
 
 A
 
Unicidade
 
do
 
Conhecimento.
 
Évora:
 
Universidade
 
de
 
Évora.
 
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3
 
este, apresenta também dois escalões do tempo, mas sobre outro aspecto.Descreve o tempo em dois níveis: a forma inconsistente e a forma consistente eutiliza‐se da memória para explicá‐los por considerá‐la como algo próprio dohomem e que consiste em uma conduta particular intimamente ligada à função dalinguagem, ou seja, do discurso.
Para
 
 Janet,
 
a
 
memória
 
não
 
é 
 
a
 
 faculdade
 
de
 
conservar,
 
reproduzir 
 
e
 
reconhecer;
 
de
 
nenhum
 
modo
 
consiste
 
nesta
 
repetição
 
trivial 
 
e
 
automática
 
que
 
 preside
 
a
 
 formação
 
de
 
tendências
 
e
 
hábitos
 
na
 
série
 
animal.
 
É 
 
 própria
 
somente
 
do
 
homem
 
e
 
consiste
 
em
 
uma
 
conduta
 
 particular 
 
intimamente
 
ligada
 
à
 
 função
 
da
 
linguagem.
 
(Mimkowski,
 
1973,
 
 p.
 
33
-
34)
 
Assim sendo, a origem da memória está relacionada a uma conduta social que sedesenvolve a partir do momento que o ser humano descobre a vantagem decolocar sentinelas não diretamente no campo, como fazem os animais que vivemem grupo, mas fora do campo, comportamento que se utiliza da faculdade de avisarverbalmente a uma pessoa ausente ou de transmitir‐lhe uma ordem.Dessa forma, compreende‐se o
relato
como o intermediário elemental damemória. Mas, a evolução vai aumentando a complexidade desse relato, dandoorigem primeiramente à descrição, cujo papel é transmitir ao ausente, não maisuma simples ordem, mas, toda uma situação.O relato e a descrição relacionam‐se com objetos que persistem, pertencendo,então, à memória elemental. Isso mostra que as primeiras manifestações damemória não contêm a noção de desaparecimento do passado. A desenvolvimentoda memória deu origem à
narração
que se apóia no passado ausente, desaparecidoe tem como objetivo fazer com que os presentes experimentem sentimentos quevivenciariam se tivessem participado do fato narrado. Para atingir esse objetivo foipreciso aprender a colocar, na narração, os acontecimentos em sua ordemhistórica, o que trouxe consigo um fator primordial: a relação
antes
e
depois
quegerou um novo e importante desenvolvimento da memória e do tempo. A inclusãodas relações de
antes
e
depois
, assim como a justaposição ordenada e cronológicados acontecimentos foi tão estimulante, que tornou prazeroso fazer relatosunicamente pelo prazer de narrar, dando origem à
 fabulação
.
 
assim
 
a
 
memória,
 
 primitivamente
 
mesclada
 
com
 
a
 
ação,
 
se
 
converteu
 
 pouco
 
a
 
 pouco
 
⎯  
 
 porque
 
o
 
relato
 
nem
 
sempre
 
era
 
 fácil 
 
⎯  
 
em
 
um
 
 jogo,
 
se
 
 fez 
 
inconsistente
 
e
 
nessa
 
inconsistência
 
se
 
tem
 
aperfeiçoado.
 
 A
 
 fabulação
 
é,
 
 pois,
 
o
 
estádio
 
da
 
memória
 
desenvolvida
 
 por 
 
ela
 
mesma.
 
(p.34)
 
Para a memória foi preciso sair dessa inconsistência encontrando um pontoabsoluto que tornasse possível ordenar de uma maneira unívoca o passado e ofuturo. Surge assim a noção de presente, que é um relato de uma ação, que fazemosenquanto estamos executando, que reúne a narração e a ação.
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