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(2007)
 
Nietzsche,
 
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N.
 
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A.A.
 
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Unicidade
 
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Conhecimento
.
 
Évora:
 
Universidade
 
de
 
Évora.
 ______________________________________________________________________
2
 
Em “A origem da tragédia” (1871), Nietzsche expõe a fragilidade da ciência paraapreender os fenômenos artísticos. Apolo e Dioniso podem ser compreendidos,para além da Mitologia, como forças polares que delimitam nossos conflitos evazios. Apolo é luz que não vive sem as sombras de Dioniso. A aparentenecessidade de compreender tendências opostas como expressões de bem e mal ésuprimida pela possibilidade de alternância dos sentidos. Como forças, seestabelecem pela oposição – os polos se chocam e se sustentam, simultaneamente.Machado (1999: 27) observa que a arte é capaz de proporcionar experiênciasdionisíacas, sem que se seja aniquilado por elas – possibilitando embriaguês semperda da lucidez. Compreende que o dionisíaco nietzscheano implica o apolíneo,por ser necessariamente artístico.As relações que se estabelecem no interior de cada homem, a partir do jogoestabelecido entre a pulsão dionisíaca e a apolínea, são descritas por Vattimo. Eleafirma que dionisíaco e apolíneo
não
 
definem
 
apenas
 
uma
 
teoria
 
da
 
civilização
 
e
 
da
 
cultura,
 
mas
 
também
 
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da
 
arte
 
(1985: 18).
 
A arte trágica representa o conflito entre Apolo e Dioniso. Expressa resistênciaao sofrimento a partir de uma intensificação da vida.Vattimo observa que Nietzsche abre caminho
 para
 
uma
 
relação
 
renovada
 
com
 
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que
 
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radical 
 
atitude
 
crítica
 
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confrontos
 
com
 
o
 
 presente
 
(1985: 20). A transformadora noção de interpretação proposta porNietzsche já aparece em “A origem da tragédia” e é a partir do jogo estabelecidoentre o apolíneo e o dionisíaco que se pode compreender a atualidade dopensamento nietzscheano.A palavra Dioníso significa
 
mais
 
para Nietzsche, de acordo com interpretação deMüller‐Lauter. Para ele a experiência dionisíaca deve permitir respirar na
mais
 
monstruosa
 
 paixão
 
e
 
altitude
(1999: 26).Um tal exercício requer uma saúde peculiar, que para além de perigosasescaladas, possibilite a aventura de percorrer
 
os limites da alma.
 A
 
saúde
 
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a
 
quem
 
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na
 
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de
 
 percorrer 
 
com
 
sua vida todoo horizonte dos valores e de quanto foi desejado até hoje, quem tem sedede circum-navegar as costas deste ideal “mediterrâneo”.
 
NIETZSCHE,
 
1882:
 
 280
 
A experiência dionisíaca propõe a intensificação da vida em condições extremas.
 A
 
inesgotabilidade
 
do
 
 fundo
 
dionisíaco
 
do
 
mundo
 
(FINK, 1983: 20),
 
permite que ofenômeno da arte seja colocado no centro, a partir dele se torna possível decifrar omundo.
 
A arte afirma a vida em seu conjunto. A luta entre Apolo e Dioniso, que dáorigem à arte trágica, suprime a unilateralidade. Dois princípios antagônicos não
 
FORGHIERI,
 
M.
 
(2007)
 
Nietzsche,
 
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A.A.
 
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Évora:
 
Universidade
 
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Évora.
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3
 
dão lugar a reconciliação. A tensão que sustenta Apolo e Dioniso como forçaspolares justifica a existência e a magnitude de ambos. Tal tensão desafia o
círculo
 
da
 
ciência
 
(NIETZSCHE, 1871: 115), fazendo‐o abrir‐se ao acaso, ao pensamentoparadoxal, que percorre dois sentidos ao mesmo tempo.
O
 
essencial 
 
dos
 
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 para
 
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vida
 
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integridade.
 
GIACOIA,
 
1997:
 
187 
 
O desejo de ultrapassar o próprio destino, enfrentando‐o, leva os heróis trágicosa transgredirem os limites da existência, desafiando os valores estabelecidos. Adimensão trágica representa a transgressão dos limites de finitude do homem.No pensamento nietzscheano os valores estabelecidos surgiram em algummomento, em algum lugar; novos valores podem ser estabelecidos a qualquermomento, em qualquer lugar. A realidade, eternamente mutante, só pode sercompreendida a partir do devir.O devir desfaz o conjunto de normas, métodos e sistemas, lança o homem novazio, obrigando‐o a compreender a existência como experiência. Nada além disso.A preciosidade está na impermanência de fórmulas capazes de apreender aexistência como ponte, passagem.
O
 
que
 
 
de
 
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no
 
homem
 
é 
 
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O
 
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é 
 
ser 
 
uma
 
transição
 
e
 
um
 
ocaso.
 
NIETZSCHE,
 
1885:
 
31
 
A justificada necessidade de lançar a existência na correnteza turva e incerta do devircontrapõe-se à necessidade apolínea de luz e segurança suprema. Os contrastes mais perfeitosproduzem a existência mais fecunda. A luta entre Apolo e Dioniso intensifica-se, desaguandoem transmutação, criação.Meus estudos e pesquisa com oficinas de criação apontam para a construção de novossentidos. Tais oficinas, destinadas à formação de psicólogos, incluem afazeres artísticosmesclados ao exercício reflexivo de ler e buscar apreender significados próprios para osaforismos nietzscheanos. Tal ritmo sugere imersão em uma dimensão mais complexa daexistência, que alterna ações pré-reflexivas àquelas meramente reflexivas. Desse jogo advém apossibilidade de construir as próprias imagens, que acompanham o engenho de umacompreensão mais vertiginosa da obra nitetzscheana. Enquanto a experiência do real nossubmete, a experiência artística nos liberta.No pensamento nietzscheano o fenômeno da criação é considerado a partir de umaperspectiva nômade, a serviço da liberdade. As tramas de permanência do mundo, dosconceitos, das idéias, rasgam-se à partir das máximas que apresentam a transitoriedade de todosos fenômenos. O devir é proposto como imagem fundamental da criação.
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