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Évora
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Universidade
 
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Évora.
 
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de pessoa. A transdisciplinaridade oferece‐se como caminho profícuo deultrapassagem das limitações do conhecimento disciplinar e especializado, fazendoconfluir na compreensão da criança, e no trabalho que com ela fazem distintosprofissionais, um corpo mais vasto, uno e coerente de conhecimentos.
1.
 
O
CONHECIMENTO TRANSDISCIPLINAR SOBRE OHUMANO
 
O artigo Segundo da Carta da Transdisciplinaridade aprovada no PrimeiroCongresso Mundial de Transdisciplinaridade, realizado em Portugal em 1994,declara que “qualquer tentativa para reduzir o ser humano a uma definição e de odispersar em estruturas formais, sejam elas quais forem, é incompatível com avisão transdisciplinar”(CRET, 1995). Interessa‐nos pois compreender o modocomo, no âmbito da psicopatologia e do desenvolvimento, uma visão ampla do serhumano nos permite ter dele numa renovada compreensão.
1.1.
 
Subjectividade,
 
determinismo
 
e
 
psicopatologia
 
Nascida como disciplina organizada no início do séc. XX, com Karl Jaspers, aPsicopatologia delimita um domínio da experiência humana que se refere ao
 pathos
inscrito no desenvolvimento, ou seja, um discurso sobre o sofrimentopsíquico. No entanto “cada contexto histórico‐político teve a sua psicopatologia, ouseja, as suas tentativas de ‘decompor’ o sofrimento psíquico nos seus elementos debase para, a partir daí, os compreender, classificar, estudar e tratar” (Ceccarelli,2005:471).Hoje em dia, muitas das nossas práticas sociais fazem‐se, sobre a negação dosofrimento, da dor mental e da subjectividade. Se alguém está triste, em situaçãocrítica ou em sofrimento, de imediato se recomendam remédios, tratamentos esoluções rápidas, como se a tristeza e a dor fossem exteriores ao homem epassíveis de ser removido da condição humana.Muitas vezes, o próprio psicólogo é instrumentalizado nesta perspectiva, sendo‐lhe atribuída a mesma responsabilidade de erradicar ou evitar o sofrimento e ador, através de técnicas objectivas e pragmáticas, assim se criando a representaçãosocial de um profissional que evita o conflito, a dor mental, e, dessa forma, gerabem‐estar. Os grandes sistemas de classificação dos nossos dias, o DSM‐IV e o CID‐10, recebem a grande crítica de não levarem em conta a subjectividade, tantodaquele que classifica como daquele que é classificado, descomprometendo‐se,assim, do sofrimento psíquico e da sua compreensão.No entanto, a Psicologia assenta sobre a inevitabilidade da existência da dormental e do conflito interno. Um dos contributos essenciais de Freud para acompreensão do humano foi a noção de conflito: a existência de uma tensãodinâmica entre estruturas ou entidades. Noção de complexidade que se situa no
 
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pólo oposto do determinismo, porque fala do desenvolvimento individual paraalém das classes e categorias nosográficas, e da subjectividade do sofrimento queprocura palavras para se expressar e suscita a escuta do outro, terapeuta, que opode ajudar. “É por ‘falar’ que a dor solicita escuta; escuta essa que, sendoterapêutica, possibilita o recuo necessário para transformá‐la em experiência. Naactualidade, entretanto, observa‐se um movimento cada vez maior no sentido deeliminar a dor – de evitar o contacto consigo mesmo ‐ do que para transformá‐laem experiência”(Ceccarelli, 2005:475).Outras ilusões, que vão no mesmo sentido, assentam sobre o determinismobiológico e genético. Começa a pensar‐se que, quando conhecermos todos os genes,teremos pré‐tipificado o futuro e assim saberemos prevenir as doenças, oscomportamentos indesejáveis e o sofrimento. Como se os genes pudessem conter eexplicar a nossa própria decisão. Esta procura de determinismo biológico ramifica‐se em diferentes vias, uma das quais é a da objectivação á custa de rótulos ediagnósticos pseudo neuropsicológicos. Muitos rótulos (como disléxico ouhiperativo, por exemplo) tendem a ser formas de dar título ao que até aí eraapenas descritivo (criança com dificuldade em estar quieto, sossegado, atento eparticipativo) mas supostamente subjacente ao novo rótulo está uma explicação detipo biológico ou neurológico. Assim, grande parte dos comportamentos eproblemáticas, multifatoriais, passam a ser doenças e, de imediato, passam a serentendidas como tendo etiologias orgânicas e, consequentemente,predeterminadas.O risco para o psicólogo é tornar‐se numa espécie de normalizador social:aquele que resolve e elimina os resultados disfuncionais da nossa acção.Tudo isto assenta sobre a negação do mundo interno. Sobre negação de que háobjetos internos que marcam o nosso sofrer, prazer, desejar, suportar asfrustrações e viver as alegrias. E sobre a dor mental de podermos perder e deestarmos sós perante nós próprios.Um desafio renovado á Psicologia e á Psicopatologia é, assim, o de entendermosas pessoas no seu desenvolvimento, na construção e vivência da sua inevitávelsubjectividade. “Torna‐se então necessário que os pressupostos básicos daPsicopatologia sejam submetidos a interrogações sobre as suas condições depossibilidade. Isto significa que devem ser objecto de uma ciência primeira queFédida denomina Psicopatologia Fundamental: uma psicopatologia primeira,convocada a dar conta da interdisciplinaridade e da transdisciplinaridadepresentes nas psicopatologias actuais. Fundamental no sentido não dafundamentalidade mas da intercientificidade dos objectos conceptuais (...) não setrata de uma interdisciplinaridade mas de transdisciplinariade pois camposdiferentes, cada qual com os seus métodos, procedimentos e objectivos próprios,não se comunicam facilmente” (...) “Na Psicopatologia fundamental o
 pathos
 manifesta uma subjectividade capaz de transformar a paixão em experiência,servindo a existência do próprio sujeito. Para Freud as neuroses, perversões e

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Joana Feioleft a comment

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