FRANCO,
V.
(2007)
Diversidade
e
transdisciplinaridade
em
psicopatologia
do
desenvolvimento.
In,
V.
Trindade,
N.
Trindade
&
A.A.
Candeias
(Orgs.).
A
Unicidade
do
Conhecimento.
Évora
:
Universidade
de
Évora.
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2
de pessoa. A transdisciplinaridade oferece‐se como caminho profícuo deultrapassagem das limitações do conhecimento disciplinar e especializado, fazendoconfluir na compreensão da criança, e no trabalho que com ela fazem distintosprofissionais, um corpo mais vasto, uno e coerente de conhecimentos.
1.
O
CONHECIMENTO TRANSDISCIPLINAR SOBRE OHUMANO
O artigo Segundo da Carta da Transdisciplinaridade aprovada no PrimeiroCongresso Mundial de Transdisciplinaridade, realizado em Portugal em 1994,declara que “qualquer tentativa para reduzir o ser humano a uma definição e de odispersar em estruturas formais, sejam elas quais forem, é incompatível com avisão transdisciplinar”(CRET, 1995). Interessa‐nos pois compreender o modocomo, no âmbito da psicopatologia e do desenvolvimento, uma visão ampla do serhumano nos permite ter dele numa renovada compreensão.
1.1.
Subjectividade,
determinismo
e
psicopatologia
Nascida como disciplina organizada no início do séc. XX, com Karl Jaspers, aPsicopatologia delimita um domínio da experiência humana que se refere ao
pathos
inscrito no desenvolvimento, ou seja, um discurso sobre o sofrimentopsíquico. No entanto “cada contexto histórico‐político teve a sua psicopatologia, ouseja, as suas tentativas de ‘decompor’ o sofrimento psíquico nos seus elementos debase para, a partir daí, os compreender, classificar, estudar e tratar” (Ceccarelli,2005:471).Hoje em dia, muitas das nossas práticas sociais fazem‐se, sobre a negação dosofrimento, da dor mental e da subjectividade. Se alguém está triste, em situaçãocrítica ou em sofrimento, de imediato se recomendam remédios, tratamentos esoluções rápidas, como se a tristeza e a dor fossem exteriores ao homem epassíveis de ser removido da condição humana.Muitas vezes, o próprio psicólogo é instrumentalizado nesta perspectiva, sendo‐lhe atribuída a mesma responsabilidade de erradicar ou evitar o sofrimento e ador, através de técnicas objectivas e pragmáticas, assim se criando a representaçãosocial de um profissional que evita o conflito, a dor mental, e, dessa forma, gerabem‐estar. Os grandes sistemas de classificação dos nossos dias, o DSM‐IV e o CID‐10, recebem a grande crítica de não levarem em conta a subjectividade, tantodaquele que classifica como daquele que é classificado, descomprometendo‐se,assim, do sofrimento psíquico e da sua compreensão.No entanto, a Psicologia assenta sobre a inevitabilidade da existência da dormental e do conflito interno. Um dos contributos essenciais de Freud para acompreensão do humano foi a noção de conflito: a existência de uma tensãodinâmica entre estruturas ou entidades. Noção de complexidade que se situa no
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