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VALÉRIO,
 
E.
 
(2007)
 
O
 
conhecimento
 
pedagógico
defesa
 
de
 
uma
 
“razão
 
escrita”.
 
In,
 
V.
 
Trindade,
 
N.
 
Trindade
 
&
 
A.A.
 
Candeias
 
(Orgs.).
 
 A
 
Unicidade
 
do
 
Conhecimento.
 
Évora
:
 
Universidade
 
de
 
Évora.
 
______________________________________________________________________
2
 
 professor 
 
como
 
desenhador 
 
(Yinger);
 
O
 
 professor 
 
como
 
artesão
 
 político
 
(Kohl);
 
O
 
 professor 
 
como
 
actor 
 
 político
 
(Carlson);
 
O
 
 professor 
 
como
 
académico
 
(Elner);
 
O
 
 professor 
 
como
 
artista
 
(Eisner,
 
Pérez)»
 À lista apresentada poderíamos acrescentar outras tantas metáforas ouconcepções, mas o exercício somente reforçaria a ideia de que ser professor é umconceito plural. O professor assume características diversas que não se excluemmutuamente; pelo contrário, relacionam‐se entre si. Por exemplo, para se ser auto‐crítico é preciso ser também reflexivo. Por outro lado, dificilmente um professorconcentra em si todos os atributos expressos na lista do referido autor, pois issocorresponderia a um ideal de professor, que se situa longe do professor real. Comose articula a concepção plural de ser professor com a formação de professores emsituação de estágio pedagógico? Saúl de Jesus (2000, p. 315) responde à questãonos seguintes termos: «
Não
 
 
um
 
 perfil 
 
 geral 
 
ou
 
normativo
 
de
 
bom
 
 professor 
 
definido
 
em
 
termos
 
de
 
certos
 
comportamentos
 
manifestos
 
ou
 
traços
 
de
 
 personalidade
 
que
 
a
 
 formação
 
deva
 
 procurar 
 
implementar 
 
em
 
todos
 
os
 
 professores.
 
O
 
 professor 
 
não
 
 pode
 
estar 
 
limitado
 
à
 
aquisição
 
de
 
objectivos
 
e
 
comportamentos
 
estandardizados».
 
Partilhamos a visão apresentada por Saúl de Jesus (
ibidem
) relativamente àformação inicial.Das metáforas de professor apresentadas, situamo‐nos num quadro teórico quecoloca o enfoque no
 professor 
 
reflexivo
. Partirmos da perspectiva de
 professor 
 
reflexivo
veiculada por Donald Schön (1983), na obra
The
 
Reflective
 
Practitioner 
ecompletamos essa perspectiva com a visão de Isabel Alarcão (1996c) no seu texto:
Reflexão
 
Crítica
 
sobre
 
o
 
Pensamento
 
de
 
D.
 
Schön
 
e
 
os
 
Programas
 
de
 
Formação
 
de
 
Professores
, onde problematiza a questão da reflexão na formação inicial e propõeestratégias, na linha de pensamento daquele autor.Mestre em Ciências da Educação, licenciada em Línguas e Literaturas Modernas‐ Estudos Portugueses e Ingleses. Professora de Português do ensino Secundário eorientadora de Estágio do Ramo de Formação Educacional, junto da Faculdade deLetras da Universidade de Lisboa.Donald Schön surge, na década de 80, com uma visão inovadora em matéria deformação de professores. Ao longo dos anos, as suas obras giram em torno de trêstemas actuais: o conceito de um professor profissional que tem de ser eficiente eque tem de prestar contas do seu desempenho; o da relação entre a teoria e aprática e a temática da reflexão. A perspectiva de Donald Schön integra uma visãocrítica sobre o «
modelo
 
de
 
racionalidade
 
técnica
» que não apresenta soluções paraa resolução de problemas reais que a prática pedagógica coloca. Segundo o autor, oensino universitário contemporâneo enferma de um problema que é odesfasamento entre aquilo que ensina, de acordo com os planos curriculares parafuturos professores, e aquilo que eles terão de enfrentar na prática. O currículo dosfuturos professores parece ter por base o princípio de que o conhecimentocientífico e teórico de âmbito pedagógico‐didáctico se transforma em competênciapedagógica e, posteriormente, em competência profissional. Esta visão coloca emevidência a noção de «
transposição
 
didáctica
 
do
 
conteúdo
», ou seja, a capacidade de
 
VALÉRIO,
 
E.
 
(2007)
 
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Universidade
 
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Évora.
 
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3
 
transformar uma dada matéria em conhecimento adequado para alunos comdeterminadas características (sociais, etárias, linguísticas, literárias, culturais), emcircunstâncias específicas, numa dada situação.No âmbito do paradigma do professor reflexivo, Donald Schön (1983), no seulivro
The
 
reflective
 
 practitioner:
 
how 
 
 professionals
 
think 
 
in
 
action
 
sintetiza o seupensamento pedagógico ao defender que a formação do futuro profissional deveincluir a reflexão a partir de situações práticas reais, com base na teoriaaristotélica em que
 praxis,
conhecimento prático,
 
e
 
 poiesis,
conhecimento criativo
 
se interligam, binómio que aliás caracteriza o conhecimento científico. Segundo oautor, este é o caminho necessário para que o profissional se sinta capaz deenfrentar as situações, sempre novas, com que necessariamente se irá deparar, etambém para ser realmente capaz de tomar decisões apropriadas em zonas de«
indefinição
», que também caracterizam o quotidiano docente. A prática reflexivadefendida por Donald Schön (1983) constitui um paradigma que interliga a teoriae a prática, na formação de professores.Para construir a sua visão acerca da formação, Donald Schön (1983) procuroucompreender a actividade profissional dos professores, a qual nos é descrita,segundo as palavras de Isabel Alarcão (1996b, p. 13), como «
actuação
 
inteligente
 
e
 
 flexível,
 
situada
 
e
 
reactiva,
 
 produto
 
de
 
uma
 
mistura
 
integrada
 
de
 
ciência,
 
técnica
 
e
 
arte,
 
caracterizada
 
 por 
 
uma
 
sensibilidade
 
de
 
artista
 
aos
 
índices
 
manifestos
 
ou
 
implícitos,
 
em
 
suma,
 
uma
 
actividade
 
a
 
que
 
 
o
 
nome
 
de
 
‘artistry’».
 
Um conceitofundamental na visão do autor sobre a actividade profissional dos professores éprecisamente «
artistry».
 
A este propósito, seleccionámos as seguintes passagensdo livro de Donald Schön (1987), transcritas por Isabel Alarcão (1996b, p. 31‐32):«
 Artistry 
 
is
 
an
 
exercise
 
of 
 
intelligence,
 
a
 
kind 
 
of 
 
knowing,
 
though
 
different 
 
in
 
crucial 
 
respects
 
 from
 
our 
 
standard 
 
of 
 
 professional 
 
knowledge
 
(…)»;
 
«In
 
the
 
terrain
 
of 
 
 professional 
 
 practice,
 
applied 
 
science
 
and 
 
research
-
based 
 
technique
 
occupy 
 
a
 
critically 
 
important 
 
though
 
territory,
 
bounded 
 
several 
 
sides
 
by 
 
artistry.
 
There
 
are
 
an
 
art 
 
of 
 
 problem
 
 framing,
 
an
 
art 
 
of 
 
implementation,
 
an
 
art 
 
of 
 
improvisation
-
all 
 
necessary 
 
to
 
mediate
 
the
 
use
 
in
 
 practice
 
of 
 
applied 
 
science
 
and 
 
technique».
 Donald Schön usou a expressão
 
«professional 
 
artistry»
 
referindo‐se àcompetência que certos profissionais mostram em situações únicas, situações deincerteza e situações de conflito na sua prática. Trata‐se de criatividade na medidaem que possibilita novas formas de utilização de outras competências que oprofessor já possui e traduz‐se, em última instância, em novos conhecimentos.Neste âmbito, surgem, na obra de Donald Schön, noções fundamentais:conhecimento na acção,
«
knowing
-
in
-
action»
; reflexão na acção, «
reflection
-
in
-
action
»; reflexão sobre a acção, «reflection‐on‐action», e reflexão sobre a reflexãona acção,
«
reflection on reflection‐in‐action
».
 
«O
 
conhecimento
 
na
 
acção»
prende‐secom a execução, é um conhecimento táctico que os bons profissionais demonstram,é um conhecimento dinâmico que resulta da regulação/reformulação da acção. A«reflexão na acção» é feita em simultâneo com a própria acção, sendo a «reflexãosobre a acção» diferida no tempo, ou seja, posterior à acção. Por último, a «reflexãosobre a reflexão na acção» leva o professor a antecipar problemas, descobrir
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