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(2007)
 
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Isto significa que os rumos da história e os processos de reinvenção da escolaestão em estado de conflito permanente, desdobrável em uma infinidade dedisputas. Disputas entranhadas de conhecimento e de escolhas são, em si mesmas,políticas, cobrando entrelaces éticos. Em outras palavras, já não basta uma retaconsciência para bem decidir e atuar corretamente, como pensou Kant; as escolhaséticas, cada vez mais, dependem de conhecimentos e estes estão impregnados pelaética, por afirmação ou negação.Essa afirmação de que o exercício ético, também, pede mais conhecimentos nomundo contemporâneo, pode ser entendido, como o lado avesso das proclamaçõesem que se repete, à exaustão, que vivemos num tempo caracterizado por umaampla sociedade do conhecimento. Afinal, quem pode duvidar de que se a riquezafoi, outrora, medida por bens materiais visíveis (terras, casas, gado, tamanho epotência dos exércitos), hoje, está materializada na posse de conhecimentos?É difícil não concordar, dada às próprias evidências que nenhuma moeda é maiscobiçada, do que os conhecimentos, anunciados como capazes de abrir portas eavenidas para seus portadores. Mas o perigo dessas pregações é que elastransmitem uma concepção de conhecimentos isolados dos tormentos,desamparos e promessas geradas historicamente, apresentando‐os comoentidades disponíveis e valiosas em si mesmas, muitas vezes identificando‐o comouma mercadoria, que só a negligência dos governantes, o egoísmo dosempresários, o desleixo dos cidadãos a impede de circular democraticamente.Em primeiro lugar, nem de longe podemos crer nesta valoração intrínseca,implicando em uma absolutização, que desconsidera as relações de dependênciade qualquer conhecimento com as condições e sentidos de sua produção, quepodem se tornar mais tangíveis quando as observamos guiados por perguntasclássicas e, por isso mesmo, ainda hoje, pertinentes, quais sejam: “como”, “paraque”, “para quem” e “por quê” são os conhecimentos engendrados, gerados,selecionados, legitimados e distribuídos em cada sociedade?Esta avaliação pode provocar uma melhor contextualização dos conhecimentos,abrindo fendas para percebermos suas fabricações, os interesses a que elesservem, porque diferem e se antagonizam. Enfim, expondo múltiplas confluências edissidências, sempre em movimento, e que, por exemplo, precisam ser estudadasem suas modalidades pouco tangíveis, como as formas de cálculo, de utilitarismo ede dominação vigentes, com que o pensamento vem sendo abatido e garroteadopor mecanismos hegemônicos de nossa sociedade.Contudo importa ressaltar que, mesmo sendo muitos e poderosos, os esquemasusados contra a pluralidade dos conhecimentos, não chegam a emparedar asfrestas, por onde insurge vidas, pensares, como capacidade de diferir e criar.Ainda, dando um passo mais, diremos que essas perguntas podem nos facultaracessos, com os quais podemos aquilatar o peso das hierarquizações dos
 
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conhecimentos, em que os controles políticos operam como impositores depadrões, de modelos que, crescentemente, pressionam em direções massificadoras.Não podemos perder de vista que à complexificação do processo civilizador, vãocorrespondendo, cada vez mais, sofisticadas tentativas de controle dessa irrequietaprodução de conhecimentos e saberes (Norbert Elias).Assim, enquanto para alguns conhecimentos é atribuída muita importância,concentrando‐se neles relações de poder e decisão, outros são considerados comode "validade vencida". Valeram para alguma coisa, em outros tempos. Agora, "jáeram...". Por exemplo, os saberes populares estão entre aqueles desconsiderados;os tecnológicos, que facilitam controles e concentrações de bens materiais eculturais ‐ pelo contrário ‐ entre os mais valorizados.É bom atentar que esses conhecimentos tecnológicos implicam muito mais doque em máquinas isoladas, sempre cercadas de anúncios, apresentando‐as comopromissoras para a humanidade. Embora até pareçam que desfrutam de umaautonomia tecnológica, elas não imprescindem de atuações políticas de mulheres ehomens, de coletivos sociais e até de ambiências vitais.Além disto, seus efeitos, com freqüência, irreversíveis em sua totalidade, nãopodem ser debitados na de um suposto aprendiz de feiticeiro, que já não pode maisser controlado. Não há dúvidas, de que, e cada vez isso se torna mais claro que,quando demandado por lógicas globalizadoras do capitalismo, trazem perdas eameaças à vida, ao nosso planeta e à humanidade.Então, desta vez, até por questões de sobrevivência, estamos sendo convocadosa girar a roda civilizatória, em um sentido contrário, ao que nos movíamos,apoiando‐nos nos nossos conhecimentos, nas formas consolidadas de pensar eeducar, mas também desconfiando destes legados e, agindo contra eles.Não podemos esquecer, nem Bourdieu, nem Morin quando nos advertem que"fazemos ciência (...) tanto em função de nossa própria formação quanto contra ela.E só a História pode nos desvencilhar da História.1 O que equivale a dizer:..."aHistória não é tribunal supremo, mas não podemos nos colocar fora dela." 2Este “pentear a contrapelo a história” (Benjamin), nos incluindo dentro dela,poderá nos levar ao encontro de saberes marginalizados, aguardando re‐significações que os espotencialize a servirem de esteios para seguirmos adiante,nessa reconstrução civilizatória, animando projetos de sustentabilidade do planetae das espécies de vida e de vida humana, neles incluindo nossos sonhos deamorização, respeito e valorização das palavras, como processos de diferir e criareticamente.
1 BOURDIEU, Pierre ‐ Lições da Aula ‐ S.Paulo, Ed. Ática, 1988, p.62 MORIN, Edgard ‐ Meus Demônios ‐ Rio, Bertrand Brasil, 1997, p. 65
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