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I.
 
(2007)
 
Aspectos
 
da
 
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as
 
centúrias
 
de
 
Amato
 
Lusitano.
 
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V.
 
Trindade,
 
N.
 
Trindade
 
&
 
A.A.
 
Candeias
 
(Orgs.).
 
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Unicidade
 
do
 
Conhecimento.
 
Évora
:
 
Universidade
 
de
 
Évora.
 
______________________________________________________________________
2
 
científicos. São apontados, entre outros, os nomes dos médicos Miguel Serveto(1511‐1553) e Amato Lusitano (1511‐1568).Embora as censuras introduzidas, como alguns autores consideram
5
, sejamfrequentemente de reduzida importância Professora Auxiliar do DepartamentoEducação e Psicologia da Universidade de Trás‐os‐Montes e Alto Douro (UTAD) doponto de vista científico, a verdade é que acabaram por impedir a difusão ecirculação de várias obras. A simples referência nos Índices inquisitoriais tornava oautor visado num nome a evitar, como estrita medida de prudência, sendogeralmente o bastante para, só por si, impedir que os particulares pudessem ler oupossuir as suas obras. A circulação destes livros passava a ficar sujeita aautorizações especiais, certamente mais restritivas no caso dos livrosexplicitamente proibidos, mas igualmente limitativa no caso dos livros a que osinquisidores expurgavam determinadas passagens. Até nos casos mais brandos,em que os livros podiam continuar a circular depois de lhes terem sido omitidosalguns trechos, o desconforto social resultante do conhecimento de que aqueleautor fora censurado era suficiente para inspirar preocupação e cuidados auto‐protectivos junto dos potenciais leitores.A maioria dos autores liminarmente proibidos pela actividade inquisitorialeram os protestantes do Norte da Europa. A proibição da circulação dos seuslivros, em países de dominância católica como Portugal e Espanha, deveu‐se,evidentemente, a preocupações do foro eminentemente eclesiástico. Infelizmente,muitos destes livros, proibidos em bloco e indiscriminadamente, continhaminformação científica de valor absolutamente fundamental para o avanço doconhecimento. Daqui que o Sul da Europa tenha ficado, a partir da época em quecomeçaram os desenvolvimentos mais significativos para o período moderno,afastado de novas ideias, como que isolado desse conhecimento pela “cortina deferro” que dividiu a Europa dessa época.Os médicos judeus, também foram bastante afectados. Por um lado, erammédicos, e esta área encontrava‐se, já por si, sob vigilância apertada. Por outrolado, eram judeus, ou cristãos novos, e portanto eram também alvos de rejeição, oupelo menos de séria desconfiança, por motivos do foro religioso.A perseguição movida pela Inquisição aos cristãos‐novos, ou a quem com elestivesse contacto, criou um clima de suspeição que terá dificultado a discussão denovas ideias e novos conhecimentos. Esta tensão constante afugentou de Portugalalguns homens que são, hoje, alguns dos seus motivos de orgulho mais legítimos.Podemos incluir neste grupo médicos notáveis, como aquele que constitui oobjecto do nosso estudo, Amato Lusitano.
5
Pinto Correia, C.; Sousa Dias, J. P.,
 Assim
 
na
 
Terra
 
como
 
no
 
Céu,
 
Ciência,
 
Religião
 
e
 
Estruturação
 
do
 
Pensamento
 
Ocidental,
Lisboa: Relógio D’ Água, 2003. pp. 305‐307.
 
RODRIGUES,
 
I.
 
(2007)
 
Aspectos
 
da
 
censura
 
inquisitorial
 
exercida
 
sobre
 
as
 
centúrias
 
de
 
Amato
 
Lusitano.
 
In,
 
V.
 
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N.
 
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A.A.
 
Candeias
 
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 A
 
Unicidade
 
do
 
Conhecimento.
 
Évora
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Universidade
 
de
 
Évora.
 
______________________________________________________________________
3
 
Este trabalho integra uma investigação mais ampla
6
e tem como principalobjectivo apresentar um levantamento da censura inquisitorial exercida sobre aobra –
 As
 
Centúrias
 
de
 
Curas
 
Medicinais
, do médico português, conhecido porAmato Lusitano. Foram utilizadas, como material de análise, as
Centúrias
,publicadas pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa,em 1980, que resultaram das traduções levadas a cabo pelo professor de Latim ePortuguês, Firmino Crespo, e as edições das
Centúrias
consultas nas Bibliotecas daUniversidades de Évora e de Coimbra.
A
SPECTOS DA CENSURA INQUISITORIAL EXERCIDASOBRE AS
ENTÚRIAS 
DE
A
MATO
L
USITANO
 
A presença de Amato Lusitano no Índices de livros proibidos verifica‐se a partirde finais do Século XVI. Consultado um levantamento dos Índices apresentado nolivro
Ciencia
 
 y 
 
Censura
que acima mencionámos, vemos que o nome de AmatoLusitano consta, como autor proibido, nos Índices de 1581, 1612, 1632, 1640 e1707
8
. Amato é novamente objecto de censura no
 
Index 
 
auctorum
 
damnatae
 
memoriae
, divulgado, em Lisboa, em 1624. Este Índice inclui vários outros autores,como Alberto Magno, Arnaldo Villanova, Leonardo Fuchs e André Laguna. Dasvárias obras que estavam representadas em diversos tribunais inquisitoriaisportugueses, as
Centúrias
, de Amato Lusitano, figuram num total de 32exemplares
9
.
O
 
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que
 
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nestes
 
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, de1581, embora interdite vários autores, apenas expurga as obras de AmatoLusitano, mas deixa‐as circular. Neste índice refere‐se que:
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 Amatos
 
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10
.
 
Nas
 
edições das
 
Centúrias
que analisámos nas Bibliotecas das Universidades deÉvora e Coimbra, constatámos que, de facto, alguns excertos do texto tinham sidoriscados. Embora não possamos afirmar, com todo o rigor, que estes cortes sedevam à vistoria pela Inquisição, o seu aspecto, a natureza dos temas riscados e asdatas da publicação apontam para esta possibilidade. As frases censuradasreferem‐se principalmente a afecções do foro da ginecologia, reprodução esexualidade. As restantes prendem‐se com questões de natureza religiosa.
6
Integra uma Tese de Doutoramento, cujo título é
 AMATO
 
LUSITANO
 
 
 AS 
 
PERTURBAÇÕES 
 
SEXUAIS 
 
 
 Algumas
 
contribuições
 
 para
 
uma
 
nova
 
 perspectiva
 
de
 
análise
 
das
 
Centúrias
 
de
 
Curas
 
Medicinais,
apresentada naUniversidade de Trás‐os‐Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, orientada pela Professora Doutora Clara PintoCorreia e pelo Professor Doutor José João Bianchi, Professor Associado da UTAD.
7
 
Centúrias
 
de
 
Curas
 
Medicinais
de Amato Lusitano prefácio e tradução de Firmino Crespo e José Lopes Dias,publicadas pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, em 1980.
8
 
Ibidem
, p. 359.
9
 
Ibidem
 
10
 
Ibidem
 
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