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NASCIMENTO,
 
N.
 
(2007)
 
A
 
cidade
 
(re)criada
 
pelas
 
crianças
muitas
 
cidades
 
possíveis
 
na
 
cidade
 
de
 
São
 
Paulo.
 
In,
 
V.
 
Trindade,
 
N.
 
Trindade
 
&
 
A.A.
 
Candeias
 
(Orgs.).
 
 A
 
Unicidade
 
do
 
Conhecimento.
 
Évora:
 
Universidade
 
de
 
Évora
 
______________________________________________________________________
2
 
esconderijo como fazem as crianças. A criança com sua inventividade e ludicidadepróprias das culturas de infância nos mostra outras cidades possíveis num ato decriação de inúmeras possibilidades de construir e desconstruir os espaçosurbanos.Busca‐se descobrir como as crianças da cidade de São Paulo (re)criam e como serelacionam no/com o espaço urbano.De um lado temos o mundo adulto que se coloca como o detentor de umconhecimento sobre quais devem ser os espaços destinados à infância,configurados em um
brincar
 
na
 
cidade,
em locais fechados e institucionalizados,enquanto que do outro lado temos a infância a mostrar que pode construir umoutro conhecimento possível sobre o espaço urbano em um
brincar
 
com
 
a
 
cidade.
 
Para que se possa compreender a criança como detentora de um conhecimentoe saber do espaço urbano é importante pontuar e clarificar a concepção de infânciacom que se vai trabalhar. A perspectiva que se vai adotar é a da sociologia dainfância tendo a
“infância
 
como
 
categoria
 
social 
 
e
 
as
 
crianças
 
como
 
sujeitas
 
de
 
direitos,
 
com
 
voz 
 
e
 
ação
 
nos
 
seus
 
cotidianos”.
 
(SOARES, 2005, p: 3)
A
SOCIOLOGIA DA INFÂNCIA
 
A sociologia da infância entende a criança como ator social produtora deconhecimento e saber e reivindica que se considere a criança por si própria comautonomia epistemológica de forma a romper com as adjetivações negativaspautadas nos conceitos de incompetência, imaturidade, ainda não sabe, não pode,não conhece, atribuídas a esta categoria geracional da infância. Propõem‐se revelara criança na sua positividade como ser ativo, participante e atuante da sociedadeem que está inserida, e não como mero objeto passivo de socialização impostapelos adultos.As crianças não devem ser vistas como sujeitos passivos que apenas incorporama cultura adulta que lhes é imposta, mas como sujeitos que interagindo com estemundo cria formas próprias de compreensão e ação a serem parte integrante dasociedade.O que vemos é uma infância colocada na “sala de espera” em espaçosinstitucionalizados e destinados à elas aonde só é sujeito, cidadão, integrante eparticipante da sociedade ao se tornar adulto, daí a importância e a contribuição dasociologia da infância de reconhecer a infância como grupo específico, mas nãoisolado.
É 
 
 preciso
 
repensar,
 
desconstruir 
 
conceitos
 
confirmados
 
de
 
infâncias
 
e
 
crianças
 
enquanto
 
seres
 
de
 
outras
 
espécies,
 
enquanto
 
entidades
 
isoladas
 
do
 
mundo
 
material,
 
 físico,
 
afetivo,
 
histórico,
 
cultural 
 
e
 
social 
 
dos
 
adultos
 
e
 
não
 
 pensar 
 
na
 
criança,
 
 por 
 
isso,
 
como
 
um
 
adulto
 
em
 
miniatura
 
ou
 
sujeito
 
 
NASCIMENTO,
 
N.
 
(2007)
 
A
 
cidade
 
(re)criada
 
pelas
 
crianças
muitas
 
cidades
 
possíveis
 
na
 
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São
 
Paulo.
 
In,
 
V.
 
Trindade,
 
N.
 
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Candeias
 
(Orgs.).
 
 A
 
Unicidade
 
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Évora:
 
Universidade
 
de
 
Évora
 
______________________________________________________________________
3
 
inacabado
 
da
 
condição
 
humana
 
(…)
 
sujeitos
 
de
 
 pouca
 
idade
 
sim,
 
mas
 
que
 
lutam
 
através
 
de
 
seus
 
desenhos,
 
 gestos,
 
histórias,
 
 falas,
 
imaginação
 
e
 
outras
 
tantas
 
 formas
 
de
 
ser 
 
e
 
de
 
se
 
expressar 
 
 pela
 
emancipação
 
da
 
sua
 
condição
 
de
 
silêncio.
 
(SARMENTO,
 
CERISARA,
 
 2004,
 
 p:
 
184
-
185)
 
São estas múltiplas formas de expressão das crianças que à sua modacompreendem o mundo que as cerca que se busca observar na relação destas como espaço urbano. Estas manifestações infantis presentes no cenário urbano sãoprovenientes de uma cultura própria das crianças que precisam sercompreendidas e levadas em conta por aqueles que pensam os espaços da cidade.
A
S CULTURAS DA INFÂNCIA
 
 A
 
flor
 
Pede‐se a uma criança: desenhe uma flor! Dá‐se‐lhe papel elápis. A criança vai sentar‐se no outro canto da sala onde nãohá mais ninguém.Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umasnuma direcção, outras noutras; umas mais carregadas,outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. Acriança quis tanta força em certas linhas que o papel quasenão resistiu.Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já erademais.Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Umaflor!As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de umaflor!Contudo, a palavra flor andou por dentro da cabeça dacriança, da cabeça pro coração e do coração para a cabeça, àprocura das linhas; ou todas. Talvez as tivesse posto fora dosseus lugares, mas são aquelas as linhas com que Deus fazuma flor!
 José 
 
de
 
 Almada
 
Negreiros
 
Este poema português deixa evidente que a criança tem uma cultura que lhe éprópria e precisa ser respeita na sua especificidade.
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