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Universidade
 
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Évora.
 
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que método é um conjunto de definições abstratas, conceitos, passíveis de seremempregados no entendimento da realidade, física ou social
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.No caso da área educacional, é preciso que futuros professores tenham passadopor momentos de reflexão e escolha de determinado método de pesquisa – entretantos – para procurar a melhor solução metodológica de problemas explicitadospela realidade educacional ou pela teoria que apóia muita das práticas escolares.Sendo assim, é preciso que o estudante tenha acesso, desde os primeiros passos daaprendizagem da pesquisa científica, aos diferentes métodos disponíveis emfunção de objetos que busca conhecer e de objetivos que pretende alcançar. Algunsestudiosos da educação, como é o caso de Capovilla, criticam a falta de pesquisasrealizadas por pedagogos o que reforça a idéia de que os professores podem edevem conduzir pesquisas, durante sua formação e na sua profissão
4
.Parece‐me oportuno relacionar o tema deste congresso, unicidade doconhecimento, com a pesquisa científica. Este trabalho procura responder umaquestão central: a unicidade do conhecimento é possível? A prática do ensino dapesquisa científica é a estratégia que utilizarei para apontar algumas soluções ouainda, trazer novas perguntas sobre relevante tema.A seguir, relato um pouco da minha experiência como professora de métodos etécnicas da pesquisa científica, em três tópicos, a saber: referencial teórico docurso; a prática da pesquisa; e algumas conclusões.
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EFERENCIAL
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O curso de métodos e técnicas de pesquisa por mim ministrado fundamenta‐se,no princípio de que o conhecimento científico tem como ponto de partida o mundomaterial, que existem diferentes métodos e não apenas um, e que estes foramconstruídos ao longo da história humana. Considera também que deve existir umacoerência entre teoria – métodos e técnicas.Com o apoio de textos como o de Granger
5
o curso pode explicitar as bases daciência, considerando aspectos que são de extrema importância, ou seja,características de uma visão científica. Assim, o estudante iniciante tem acesso aospontos fundamentais da visão de Granger sobre a ciência, ou seja, que esta não sefaz por um único método, mas por diferentes métodos, e que a ciência parte sim deuma única visão ou única maneira de considerar seus objetos de estudo. Os pontosfundamentais dessa visão única, das quais eu compartilho, são definidos pelo autorda seguinte forma: a) a ciência é visão de uma realidade, objetiva; b) a ciência tem
3
Baseio‐me aqui em trabalhos publicados por Lênin, estudos sobre a dialética hegeliana, V.Lênin.
Cahiers
 
Philosophiques.
Editions Sociales Paris et Editions du Progrés Moscou, 1973.
4
Alessandra G.S. Capovilla e Fernando Capovilla.
 Alfabetização:
 
Método
 
Fônico
. São Paulo: Menon, 2004, p.11.Com base no texto de Jean Piaget.
Psychologie
 
et 
 
Pedagogie
. Paris: Editions Denoël, 1976, p. 18 desenvolveaspectos sobre a formação científica do pedagogo.
5
Gilles‐Gaston Granger.
 A
 
ciência
 
e
 
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ciências.
 
São Paulo: Unesp, 1994.
 
RODRIGUES,
 
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(2007)
 
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Conhecimento.
 
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Évora.
 
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como escopo desvendar o desconhecido de forma desinteressada, não sepreocupando com a aplicação imediata do conhecimento e c) a ciência preocupa‐secom critérios de validação do conhecimento
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.Esses princípios, inicialmente colocados, procuram esclarecer ao estudante odirecionamento que será dado ao curso e de seus objetivos fundamentais.Queremos com eles demarcar, que o conhecimento científico não é subjetivo, que aciência pretende se apropriar de fenômenos da natureza e da sociedade, no sentidode ter o controle sobre os mesmos e principalmente, que o conhecimento científicodecorrente da experiência ou do saber teórico depende da sua validação, para seraceito na comunidade científica.Apreende‐se das idéias de Granger que a ciência não se desenvolve por umúnico método, e sim por vários métodos, na medida em que estes precisam atenderas necessidades de vários domínios, ou seja, diferentes objetos. Em função doobjeto é que se deve fazer uma adaptação do método, na busca da essência do quese quer conhecer, considerando o melhor procedimento para isso, passo a passo.Os procedimentos garantem o desvendar mais minucioso do objeto em estudo,mas além deles, é preciso considerar o movimento global do pensamento científico,relação entre teoria e o que se conhece, também adaptado para diferentesdomínios. Entende‐se por movimento global as definições mais gerais, desdeobjetivos que se quer alcançar até a lógica que será empregada atendendo o alvodo trabalho, em função do objeto em questão
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.Considerando que existem diferentes métodos, o curso opta por fornecer aoaluno informações dos pressupostos básicos que ainda são empregados napesquisa científica, na área de educação. De um lado, os métodos definidos comomaterialistas, cujo objeto de estudo é considerado de forma objetiva. De outro lado,a fenomenologia, que não se define como método, mas como uma atitude diante doque se quer conhecer, com uma “abertura, no sentido de estar livre para perceber oque se mostra e não preso a conceitos ou predefinições”
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.De forma muitoaligeirada diria que a fenomenologia considera o objeto como algo acrescido dasubjetividade do pesquisador, e desta forma, vai além do observado.Considera‐se também, que o problema é o princípio básico e o pontofundamental da pesquisa científica e que a partir dele é que se pode pensar nasetapas que determinam sua forma de conhecê‐lo. Ele dará a direção do processo,na sua totalidade, aspecto este comum às diferentes posturas metodológicas.Na mesma linha de Granger, tratamos o trabalho de Kuhn
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, e com ele osiniciantes do trabalho científico podem conhecer que a problemática do trabalho
6
Granger, op. cit., p.45-49.
7
Granger, op. cit., p. 49-51.
8
Elcie F. Salzano Masini. “Enfoque fenomenológico de pesquisa em educação” In Ivani fazenda.
Metodologia da pesquisa educacional.
São Paulo, Cortez Editora, 1994, p. 62. A autora do artigo trabalha com textos de BeingHeidegger, M. Merleau – Ponty e outros para definir pressupostos básicos da fenomenologia, aplicada na pesquisaeducacional.
9
Thomas S. Kuhn.
A estrutura das revoluções científicas.
São Paulo: Perspectiva, 1998, p. 9-42.
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