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Entidades Beneficentes de Assistência Social
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Imunidade, LeiComplementar e Respeito à Constituição
 
Foi publicada, no veículo informativo oficial, a Lei n° 12.101, de 27 de novembro de 2009,que estipula regras para a certificação das entidades beneficentes de assistência social e regulaos procedimentos de isenção das contribuições devidas ao sistema de seguridade pública.A norma em comento revoga o controverso art. 55 da Lei n° 8.212/1991, alvo de inúmerosquestionamentos judiciais, e, inclusive, com dispositivos suspensos por força de medidaliminar deferida pelo STF nos autos da ADI n° 2.028-5/DF.O revogado artigo tratava dos requisitos que uma entidade beneficente deveria arcar para fruirda dita isenção das contribuições previdenciárias. Algumas dessas exigências, diga-se pelaoportunidade, adentravam, nos termos da decisão proferida pela Suprema Corte, no âmbito dareserva de lei complementar.Essa invasão de competência, todavia, remanesce no texto da nova lei que, mesmo ostentandonatureza ordinária, veicula matérias reservadas constitucionalmente ao legislador especialregrado pelos artigos 59, II, e 69 da Constituição.O fundamento da tese é que a regra do art. 195, §7°, da CF normatiza, de fato, o instituto daimunidade, em que pese a literalidade do texto falar em isenção. É que a Carta Republicana,como cediço, disciplinou uma limitação ao poder de tributar. E, isso, conforme amploassentimento doutrinário e jurisprudencial, revela um preceito imunizante, sujeito aregramento distinto daquele aplicável aos favores isentivos.Benefício isentivo é um incentivo fiscal consubstanciado numa autorização legislativa paraque ocorra a denominada exclusão do crédito tributário (dispensa de pagamento de um tributodevido
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CTN, art. 175, I) e será regrado por lei ordinária. É uma prerrogativa conferida aolegislador para disciplinar questões fiscais que digam respeito às políticas fazendárias do enteestatal envolvido. Pode, nesse condão, ser concedido, restringido ou revogado a qualquertempo.E a imunidade?A Imunidade é um óbice constitucional intransponível que vincula, em absoluto, a vontade dolegislador, na forma de uma contenção ao poder do exercício estatal da tributação. Assituações previstas na Carta Magna como protegidas pela imunização não podem, emmomento algum, ser tributadas pelo legislador ordinário ou mesmo complementar. E,inclusive, está a salvo da ação do Poder Constituinte Derivado por se tratar de garantiacoberta pelo manto da intangibilidade da cláusula pétrea (CF, art. 60, §4°, IV).A Lei Fundamental é sobremodo hialina quando dispõe que cabe à lei complementar reger aslimitações constitucionais ao poder de tributar (CF, art. 146, II).Ponto importante para o cabal entendimento do assunto revela-se na mitigação da tese de quea Constituição, quando exige que um regramento seja feito por lei complementar, sempre ofaz explicitamente.Relativiza-se esse postulado, porquanto a interpretação das normas constitucionais deve serefetivada mediante procedimento sistemático, havendo o intérprete de buscar a harmonização
 
do todo normativo superior. As regras e os princípios são interpretados em conformidade comos demais preceitos inseridos nos outros subsistemas constitucionais.Se a CF exige lei complementar para estatuir uma limitação constitucional ao podertributante, resta o corolário lógico de que a regra do art. 195, §7°, não obstante falar emisenção, citando a exigência de lei sem especificar sua categorização, trata de verdadeiraimunidade e o respectivo regramento deve ser alçado à competência do legisladorcomplementar.Inexistindo tal norma, aplicam-se aos casos concretos as regras insculpidas nos artigos 9° e 14do CTN, codificação que recepcionada foi pela nova ordem constitucional como estatuto degrandeza complementar. Simples assim.Conseguintemente, os requisitos para a fruição do benefício imunizante são, com efeito,inseridos no ordenamento jurídico pelo veículo normativo lei complementar. Nesse ponto,tanto a Lei n° 8.212/1991, como a Lei n° 12.101/2009, incidiram em flagranteinconstitucionalidade formal.E qual o papel da lei ordinária nessa temática?O campo do legislador ordinário restringe-se ao estabelecimento dos critérios específicos deconstituição, funcionamento e concessão de certificados para as entidades beneficentes deassistência social, mas, frise-se, sem imiscuir-se no campo reservado à lei complementar, ouseja, não se podem criar requisitos outros não previamente regidos pela norma de envergaduraespecial.A suma questão é que, no Brasil, existem sempre os detratores da Carta de 1988 e o DireitoConstitucional, infelizmente, é matéria pouco visitada pelos juristas pátrios. Aliás, não étratada adequadamente nem na formação acadêmica.Estuda-se mais o Código Civil do que a Constituição. A hermenêutica da Lei Fundamental ésempre impregnada ou corrompida por vetustos valores e mecanismos interpretativosanacrônicos, típicos do positivismo clássico, que tiveram sua importância nos séculos XIX eXX, mas que, agora, devem ser suplantados por uma nova metodologia jurídica em quepreponderam as técnicas de concretude e de máxima efetividade às normas constitucionais.Nesse aspecto, o controle de constitucionalidade sobressai como defesa primígena da CartaMagna. Mas será que o Poder Judiciário está exercitando essa prerrogativa institucional detutela dos direitos e garantias fundamentais a contento?Não, não está. O controle difuso é exercido com muita timidez, senão temor. Muitossodalícios preferem chancelar os abusos estatais sob o fundamento da supremacia do interessepúblico sobre o particular. As normas inconstitucionais são mantidas graças a um sistema desubmissão e docilidade aos desmandos do Poder Executivo.Na verdade, o interesse estatal ou fazendário é cinicamente travestido de interesse público tãosó para tornar sem efeito o direito fundamental postulado pelo particular ou contribuinteenvolvido na querela judiciária ou administrativa.O STF é que, ainda, mantém a guarda efetiva do sistema de proteção constitucional. Muitosdireitos básicos da cidadania são respeitados apenas quando a Suprema Corte faz essadeterminação. Vide, por exemplo, os textos das Súmulas Vinculantes de números 14 (amploacesso do defensor aos autos do inquérito policial) e 21 (inconstitucionalidade da exigência de
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