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Ifá é um sistema de divinação baseado em 16 configurações básicas e 256 derivadas ou secundárias (Odú), obtidas por intermédio da manipulação de 16 castanhas de palmeira (ikin) ou pelo meneio de urna corrente (opèlè) de oito meias conchas. O culto de Ifá, na sua qualidade de deus da divinação, impõe cerimônias, sacrifícios, tabus, parafernálias, tambores, cânticos, louvações, iniciação e outros elementos rituais comparáveis aos de outros ritos iorubás; estes não são tratados aqui exaustivamente uma vez que o tema primordial do presente estudo é o de Ifá como um sistema de divinação. Omodus de divinação será discutido pormenorizadamente mais adiante, mas urna breve descrição faz-se necessária na etapa inicial.
As 16 castanhas de palmeira são pegadas pela mão direita, deixando apenas uma ou duas na esquerda; caso duas castanhas sobrem, um sinal único é feito na bandeja de divinação; se uma ficar, um duplo sinal será feito. Repetindo esse procedimento quatro vezes, resultará uma das 16 configurações básicas, tais como mostradas na Ilustração 1, A; repetindo-o oito vezes dá um par ou combinação das configurações básicas, isto é, uma das 256 configurações secundárias. Alternativamente, uma das 256 configurações derivadas pode ser obtida com um só lançamento da corrente divinatória (opèlè), com cara/coroa ao invés de par/ímpar. Essa corrente é segurada ao meio, de tal modo que quatro meias conchas pendam para cada lado, num só alinhamento. Cada meia concha pode cair cara ou coroa, isto é, pode cair com sua superfície côncava para cima, o que equivale a uma marca única, ou com essa superfície para baixo, o que corresponderá a duas marcas na bandeja. Representando-se a parte interna côncava por um -O- e a parte externa convexa por um -Ø-, as 16 configurações básicas (metade da corrente divinatória) aparecem conforme mostrado na Ilustração 1,B.
As figuras básicas estão listadas na Ilustração 1 na ordem reconhecida em Ifé, mas uma outra, ligeiramente diferente, é mais largamente reconhecida (ver Capítulo IV, Ilustração 3,B).
A divinação Ifá é praticada peloIorubá e Benin Edu, da Nigéria (Dennett, 1910: 148;Mel zian, 1937: 159;Bradbury, 1957: 54—60;Parrind er, 1961: 148); pelos Fọn, do Daomé (hoje Rep. do Benim), que a denominamFa (Herskovits, 1938: 201—230;Maupoil, 1943); e pelos Ew e, do Togo, que a conhecem por Afa (Spieth, 1911: 189—225). ela é praticada também, sob a
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