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Preços de Frete Rodoviário no Brasil
Maria Fernanda Hijjar

O Brasil é um país fortemente voltado para o uso do modal rodoviário, conseqüência das baixas restrições para operação e dos longos anos de priorização deste modal nos restritos investimentos do governo. O cenário de elevada oferta, poucas exigências para operação e baixa fiscalização levou à redução da qualidade dos serviços prestados e deprimiu os preços do frete por caminhão.

Este diagnóstico do mercado de transporte rodoviário de cargas no Brasil tem contribuído para o direcionamento de políticas públicas que disciplinam o setor, além de alertar os gestores das empresas contratantes de transporte rodoviário para os riscos de um colapso no sistema.

Entretanto, para os usuários de serviços de transporte de carga, a informação de que os preços médios do frete no Brasil estão achatados não é suficiente para a definição de suas políticas de contratação. Tampouco significa que não existem oportunidades para as empresas embarcadoras reduzirem custos.

Os gerentes responsáveis pela contratação de transporte rodoviário precisam estar sempre atentos à eficiência na operação interna da empresa e aos parâmetros do mercado. Neste sentido, é essencial a análise detalhada dos fretes pagos nas diferentes rotas praticadas. É também importante a análise dos preços pagos conforme o tipo de veículo utilizado e a comparação destes fretes com empresas de perfil semelhante. Cabe ainda aos gestores conhecer os custos cobrados pelo transportador e compará-los com os preços pagos pelo frete.

Para auxiliar as empresas a obterem informações sobre o mercado de transportes rodoviários no Brasil, o Centro de Estudos em Logística – CEL/Coppead realiza periodicamente o Painel de Fretes1. Este levantamento tem como objetivo comparar preços de frete em diferentes rotas e perfis. As informações são fornecidas pelas empresas industriais contratantes de transporte.

Além das comparações com dados reais de preço pago pelas empresas, são calculadas, de forma teórica, as tarifas referenciais de frete para cada perfil de transporte. O valor é baseado nos custos cobrados pelos transportadores para movimentar a carga.

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A seguir serão apresentados alguns dos resultados do levantamento.
Preços pagos nas diferentes rotas

As regiões com maior demanda por serviços de transporte em geral possuem os preços de frete mais caros. Por sua vez, regiões que aproveitam o retorno dos caminhões às cidades de origem, após terem realizado suas entregas, obtêm descontos bastante significativos, mantendo uma média de preços mais baixa.

Um dos resultados obtidos com o Painel de Fretes aponta as variações entre os preços médios do frete em diferentes regiões do país. Rotas com origem em São Paulo, por exemplo, costumam ser mais caras do que rotas que se destinam a este estado. O preço pago pela movimentação de cargas do Rio de Janeiro para São Paulo é, em média, 34% mais baixo do que na direção inversa. Entre as empresas participantes do estudo, o valor médio do frete rodoviário de uma carreta fechada levando carga seca foi de R$ 137/mil ton/km na direção São Paulo-Rio de Janeiro, contra R$ 91/mil ton/km na direção oposta.

Este mesmo fenômeno acontece nas rotas de mesmo perfil entre São Paulo, Minas Gerais e Paraná. No primeiro caso, o valor médio das rotas entre São Paulo e Minas Gerais é de R$ 124/mil ton/km, sendo a volta 18% mais barata. No segundo caso, os embarcadores pagam em média R$ 132/mil ton/km para levar cargas secas em uma carreta fechada de São Paulo ao Paraná, enquanto o retorno é 19% mais barato.

Figura 1 – Tarifas médias de frete rodoviário por região
(Carreta – carga seca – uma entrega por viagem)*
R$ 91
R$ 103
R$ 107
SP-RJ
RJ -SP
SP-MG MG-SPSP-PR
PR-SP
-34%
-18%
R$ 137
R$ 124
R$ 132
R$/(milton*
km)
* Desconsideradas as rotas com distância <=200 Km
-19%
Tarifas Médias de Frete Rodoviário por Região
(Carreta – Carga Seca – 1 entrega por viagem)*
Fonte: Painel de Fretes – CEL/COPPEAD (2006)
R$ 91
R$ 103
R$ 107
SP-RJ
RJ -SP
SP-MG MG-SPSP-PR
PR-SP
-34%
-18%
R$ 137
R$ 124
R$ 132
R$/(milton*
km)
* Desconsideradas as rotas com distância <=200 Km
-19%
Tarifas Médias de Frete Rodoviário por Região
(Carreta – Carga Seca – 1 entrega por viagem)*
Fonte: Painel de Fretes – CEL/COPPEAD (2006)
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Esta informação pode ser utilizada em pelo menos dois tipos de ação, uma de curto e outra de longo prazo, cujos resultados podem culminar na redução dos custos logísticos das empresas.

A análise de curto prazo aponta para a possibilidade de redução da ociosidade dos caminhões nas rotas de retorno e, conseqüentemente, de diminuição dos custos de frete. É papel dos responsáveis pelo gerenciamento de transporte das empresas embarcadoras e das transportadoras criar parcerias com indústrias locais interessadas em utilizar a disponibilidade dos caminhões nas rotas de menor fluxo.

Por sua vez, a informação sobre o preço de frete nas diferentes rotas sugere que, no longo prazo, a empresa pode revisar a sua malha logística de modo a aproveitar os possíveis ganhos e reduções de custos com frete. É claro que um estudo para remodelagem da rede logística de uma empresa, envolvendo localização de fábricas e armazéns, é influenciado por vários outros parâmetros além do preço do frete rodoviário. Entretanto, a informação sobre o custo das rotas é essencial para o cálculo do custo logístico total nos diferentes cenários de reestruturação da rede logística.

Preços pagos conforme o tipo de veículo
O perfil da frota de caminhões utilizada para transporte de cargas é um
componente importante na formação do preço do frete rodoviário.

Comparado ao transporte por carreta, o preço do frete para empresas que utilizam caminhãotruck é 15% mais alto. Por sua vez, um rodotrem, com o dobro da capacidade da carreta, em geral mantém preços de frete 15% mais baixos.

A pesquisa realizada pelo CEL/Coppead identificou que, para rotas acima de 200 km, empresas que utilizam rodotrem pagam em média R$ 82/mil ton/km; o bitrem, por sua vez, apresentou um preço médio de frete de R$ 88/mil ton/km. O transporte nesses dois tipos de veículos é mais barato do que nas carretas que, considerando a média de todas as rotas realizadas no país, apresentaram valor médio de R$ 97 para transportar uma tonelada por mil quilômetros.

Assim, quanto maior o veículo, maior será a consolidação de carga e,
conseqüentemente, maior será o ganho de escala no transporte das mercadorias. Os

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