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CIDADE
VIRTUAL:
internacional
O
espago
púhlica
da
cidade
se
desintegra,
o
fluxo,
a
fragmentaçiio,
a
reclusãn
doméstica
e
a
comunicaçiio,
mediada
pela
televisão
e
pelas
novas
tecnalagias,
reconfigurarn
habitas
e
cultiiras,
criando
diferentes
suciabilidadcs
''O
prdprio
da
cidude
é
seu
avanço voraz,
seu
não reconhecimento
de
fronteiras,
seu
esquecimento
sistemático
dai;
tradiçfies.
O
urbano
6,
agora,
o
dom
de
harmonizar
o
oposto,
o
irreconhecível,
o
dum,
ofiágil,
o
marcado
pelasgeneralizações,
o
que
em
si
nae.Tm
começae
se
acaba".
Carlos
Monsivais
A
cidade nos
desafia.
PensA-la, hoje,
é
assumir uma
experiência
de des-ordem
e
opacidade que resiste
h
olhada monoteísta,omnicompreensiva
e
nos
exige
um
pensa-
mento nômade
e
plural,
capaz
de
burlas as
divisões
das
disciplinas
e
integrar dimen-
sões
e perspectivas até
agora
obstinadamen-
te
separadas. Por isso toma-se indispensáveltratar
da
possibilidade
de
uma
olhada
de
çonjunio
da cidade,
de
sua
cumplicidadenostálgica
com
a
idéia
de unidade ou identi-
dade
perdida, as
quais
conduzem
a
um
pes-
simismo culturalista que nos
esta
impedindode compreender de
que
estão
feitas
as fratu-rasque
a
trincam.
Pois
esse
estalido fala
dos
novos
modos
d~
estar
juntos,
do modo que
os
cidadãos
experimentam
a
heterogcnea
trama
sociocultiiral
da
cidade, das renova-
das
formas
de
exclusão social
junto
?I 
enor-
me
diversidade
de estilos de
viver,
de
mo-
dos
de
habitar,
de estruturas do sentir
e
do
narrar.
Uma
trama culturalquedesafia nos-
sas
noqões de cultura
e
de cidade,
os
marcos
de
referência
e
compreensão forjados sobre
a
base
de
identidades nítidas,
de
fortes en-raizamentos
e
demarcações claras. Pois nos-
sas
cidades são
hoje
o
ambíguo,
enigmático
cenjrio
de
algo
n(5o
representável nem
a
partir
da
diferença excludente
e
excluída
do
autdctone
nem a
partir
da
inclusão unifor-mizante
e
dissolvente do moderno.
A
heterogeneidade simbólica
da
cida-
de, quase impossível
de
ser
alcançada, tem
sua
expressão mais
correta
nas
mudanças
O
AUTOR
JesCis
Martin-Barbero
Pilbsofo.
Assessor
do
Instituto
deEstudos
sobre
Cultums
e
Comunicação
da
Universidade Nacional, Col6mbia.
1:.
Originnlrnente puhlicadri
em:
MART~N-BARBERO,
JESÚS.
LU
c*iudnd
virruol:
transfmaciones
de
Ia
sensibilidad
y
niievi3h
escenarios
dc
coinunicaci6n (A cidade virtual"tr~nsformaçí~sda sensibilidade
e
novos
cengrio~
de
comunicação).
Rcvista
de
Ia
Universidad
de
VaIle.
Cali: Univallc,
n.
14,
ago.
1996.
p.26-38.
Nri
Rraiil,
este
artigo
foi
publicado pela pnmzira
vez
peln
revirta
Mo~ein,
da Faculdadede CiEncias Sociais
da
PUC-SP,
com
tradiiçZo
de
SílviaBorelli.
MARGEM.
Sãs
Paulo.
Educ.
n.h. novembro
de 19'17.
 
54
Cidade
virtual:
novos
cenários
da
comunicação
que atravessam
o
os
modos
de
experi-mentar
o
pertencimento ao território comotambém as
formas de
viver
a
identidade.Mudanças
que
se
encontram. senão deter-minadas, ao menos
fortemente
associadas
5s
transformações tecnoperceptivas da co-rnuniçaçiio, ao movimento
de
desterritoria-lização
e
internacionalização
dos
miindossirnhiilicos
e
ao descol;amento
de
fronteirasentre tradições
e
modernidade,
entre
Irical eglobal. entre cultura letrada e ciiltura audio-visual.Nainvestigação sobre esses novosmodos
de
estarjuntos
aparecem
em
primei-ro plano
a?;
transformações da sensibilidade
que
o<
acelerados processos
de
moderni~ri-
çiio
tirbana produzem
e
os
cenários
de
ca-
municaçiio
que,
em
suas fragmentaçoes
e
fluxos, conexões
c
redes. a
cidade virtualapresenta.
O
historiador José
Luis
Romero foi
o
primeiro a pensar a modernização das
çida-
des
latino-americanas em sua especificidadeantropológica: as mudanças
nos
modos de
asrar
e
s~nfir-se
jimtns,
a
desarticulação dasformas tradicionais
de
coesão
e
a
modifica-
ção
estrutural das formas
de
socialidade:"Houve
urna
espécie
de
explos5o
da
popula-ção,
e
o
se
podia
medir
nem
em
quanto
numericamente ela aumentara
e
nem quantoaumentara
a
decisão
para
se
conseguir que
se
contasse
com
eles
e
que
fossem
ouvidos.
Eramas
cidades
que
começavam
a
rnaçsifi-
car-se.
A
rigor, essa massa n5o tinha
um
sis-
tema
coerente
de
atitudes nem
um
conjuntoharmonioso
de
normas.
Cada
grupo tinha assuas. A cidade
o
possuía um estilo
de
vida
e
sim muitos
modos
de vida
sem
um
estilo"'.A massa,
marginal
durante muito tem-
po.
invadia o centro da cidade
e
o ressignifi-
cava,
impondo
ri
ruptura
ostensiva das
for-
mas
de
'*urbanidade",
pois
apenas sua pre-sença
implicava
um
desafio t-adicnl
B
or-
dem
estabelecida
das
exclusões
e
dos privi-légios,
que
o
desejo
mais secreto dessamassa era ter acesso
aos
bens
qiie
3
cidaderepresentava.
E
ao mesmo tempo
a
cidade
qe
transformava com
ri
nparecimcntri do"ftilclore
aluviio".
a
moderna cultura
urba-
na. a do tango
e
c10
futebol,
feita
de
inestiça-
gem
e
impurezas.
de
pateticismo popular
c
arrivismo burgiiês. Saíd;i do
subúrbio.
a
cul-tura popular-de-massa
drí
forma
ao
emlido
da
cidade.
Romero
vislumbrou
certeirainen-
te
o
que
a
urbanização
das
sociedades
luti-no-americanas continha
de
massiticação es-krutural
e
de
fragmentação sociocultural.NaColômbia, os processos
de
innssiti-
caç5o
se
revestem, desde
o
princípio. de duaspeculiaridades notórias: antes
que
h
morlerni-
7;1ção
industrial, política
ou
cultural, eles
aparecem
ligados
i
violência7 dos
fins
dos
anos
40
a
meados dos
60.
que levou milhksde camponeses
a
abandonar suas terras
iniw-
dindo
as
cidades,
obrigando-as
a
reorgani-zar-se
de
modo
compulsivo, isto
é,
sem
o
es-
paço
de
tempo
e
o
mínimo
de
planificação
que
essa reorganização
requereria;
a
segundapeculiaridade reside
no
fato
de que o êxodorural não
se
voltou
apenas
sobre umas poucas
grandes
cidades
-
Bogotl, Cali, Medellin
-,
como
aconteceu
com
as
migrações na maio-
2.
ROMERO.
Jnr6
Lui\
1.atInnamPrica:
Ia\
ciudade.
y
13%
idea\
IArntrica
Litina:
as
cidadeq
c
as idéias). M6xicn:
Sigln
XXI.
1976.
p 3
18.
.
Las
idenlqias
de
Ia
cultura
nacional
(As
ideologias
da
culiiira
n~çicin~l).
Biienri5
Aires:
CEDAL.
1982.
7.
Diz\
halanqo<
deçi\ivos
"da
violência"
e
Tuas
repercuisóe~
sobre
a
vidado
pair:
BWARANO.
J.,
FALS
RORDA
er
01.
Oncc
ensaym
mhre
Ia
vinlencin
(Oiize ensaios
whrc
a
i,iolEncia).
BogotA:
Cerec,
1985.
PECAUT.
D.
Orden
y
violência.
Cnlnmhi:i
1930-lclS3
(Ordem
e
violência.
ÇolRmhiii 1930-
1653).
Bogold: Siglo
XXI.
1987.
of 00

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