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cunhado, o amigo de infância da esposa, e ainda encaixarum desconjuntado te amo antes de encerrar o assunto.Quanto a ela, apenas permaneceu imóvel, como seesperasse o desmentido, como se o sinalzinho insisten-te
da linha fosse logo se transfigurar numa notícia boa,num riso de Leonardo, sim, logo viria um riso de Leon eaquele vão imenso fecharia, feito um movimento de tráspara a frente.Retumbavam pelas paredes recém-pintadas do quar-to (escolha sua, a cor de pêssego nas paredes) as palavrasgatinho, órfão, insônia e alívio. Ela, em sua dor com-prometida, confusa, acrescentou culpa. Estaria, enfim,se esvaziando inteira
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À noite, decidiu (muito satisfeita consigo) que co-memoraria o Dia Nacional do Funcionário Públicodeixando-se a manhã toda na cama. Já passava das novequando o telefone tocou, e ela, que ficara acordada atétão tarde, dormia ainda a salvo das culpas. O reserva-tório das culpas permanecia represado, provisoriamentesilencioso. Era um lago tranquilo — tranquilo na super-fície, mas no fundo um ocultador de carcaças.E só então percebeu, o que lhe doeu feito um abs-cesso em que se enfia a ponta do dedo, bem no centrodo peito, dentro, doeu-lhe saber que às quatro da ma-drugada, enquanto Leon morria, ela, aquecida em suacama, serenamente resolvia as palavras cruzadas deixa-das para trás por Klaus. Obtinha um prazer indefinível,o único daqueles dias, ao preencher suas lacunas. Poisdali de seu lugar, seu precioso lugar, não pressentira coisanenhuma. Aliás, sentia-se confortável, experimentava
L848-01(Nacional).p65 6/8/2009, 17:1011
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