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maio 2010 _
 
Exagero dizer que renascemos das cin-zas, mas a imagem é válida. Estivemosespalhados por aí, como cinzas, agarra-dos aos móveis do escritório, em vãosocultos da cozinha, nas lombadas delivros velhos, ou no balcão imundo de bares anônimos. Acumulando experiên-cias? Cozinhando? Bebendo cerveja?Seja como for, o Arte & Política com- bateu seus próprios fantasmas, e agoradança com eles. Prosseguimos, comodizia Pessoa, «desfraldando ao conjuntodos céus estrelados, o esplendor do sen-tido nenhum da vida». E, no entanto,
os poetas não tem a palavra nal e pode
haver sentido, sim, em existir. Nessadúvida incendiária, forjamos estéticas,romances, ideologias. Editamos jornais,
enm. Votamos. Discutimos política,
trabalhamos, escutamos música. Esfor-çamo-nos para não ser apenas jovens,mas cidadãos, com toda carga de me-lancolia, fúria e poder correspondentes.Quando o A&P nasceu, em 1997, o Brasilera um país sem esperança, onde as vir-tudes maiores eram sarcasmo, cinismoe humor negro. Agora temos que nosconter para não sermos ufanistas piegase exagerados. Nosso ideal maior, porém,é o mesmo. Eduque-se o povo. Invista-se tudo e mais um pouco em escolas e,sobretudo, nos professores, oferecendo-lhes condições de trabalho mais atraen-tes. Optamos ainda por valorizar o chãoonde pisamos. O A&P também é, agora,um jornal que investiga o centro históri-co do Rio, uma região em grande partearruinada, abandonada, esquecida, masonde vemos um potencial imenso de de-senvolvimento social, econômico e mes-
mo político, com reexos positivos em
todo Brasil. Boa leitura e não esqueça de visitar nosso site, onde poderá ver tudoaquilo que as limitações do papel jornalnos impediram de publicar por aqui.
Expediente
Edição §
Bruno Dorig
a, Talitha Magalhães,Elia Schramm, Miguel do Rosário
Colaboradores §
Cam
illa Lopes, Cecilia Gianne, ChrisDuarte, Dubes Sônego, Julia Pina, Juliano Guilherme,Luiz Octavio Guimarães, Tomás Ramos
Foto
graa §
Arissas Mulmídia, Bruno Lira, Chris Duarte,Julia Pina, Bruna Benvegnu
Foto capa §
Praça Tiradentes, por Clarissa Pivea
Ilustra §
João Burle, Latu 
HQ 
 
§
Zé Dassilva
Diagramação e Arte
 
§
Talitha Magalhães
Agradecimentos mais que especiais §
E
duardo Moras;Boteco da Praça, esquina da Augusto Severo com aJoaquim Silva, na Glória.Rio de Janeiro | maio 2010 |ano 7 | número 23
 
Tiragem de 5 mil exemplaresJornal independente voltado aos espíritos inquietos
Arte & Políca
também está na nuvem.Descubra em
arteepolica.com.br
Edição feita ao som de
Karina Buhr, Jorge Ben, Oo, Djavu, Calypso, André Abujamra, Gorillaz, Roberto Carlos, Bezerra da Silva,Mayra Andrade, LCD Soundsystem, Gerasamba, Completo sem Cebola, João Nogueira, Marcelo Jeneci, Se
-
quelas do Povo, Bease Boys, Noel Rosa, Tom Zé, Cidadão Insgado, Céu, Nelson Cavaquinho.
03_
« eu gostaria de não precisar explicar quetudo o que havíamos passado nos isentava dediscur o m », escreve
Cecilia Gianne
.
05_
« deixem o povão viver o sonho. Não odiscriminem por suas utopias escalafobécas», pede
Miguel do Rosário
.
06_10_26_
recebemos a
Visita
das gra
-
vuras de
Juliano Guilherme
e as fotos de
ChrisDuarte
e
Dubes Sônego
.
08_
por dentro do
Caveirão
, com
TomásRamos
.
12_
as aventuras sexuais de
Orlando Vinil
 
com sua empregada.
13_
um passeio pela
Praça Tiradentes
, entrea história, cabelos e galerias de arte.
21_
quadrinhos com
Zé Dassilva
.
22_
cinco anos depois, Bruno Doriga eElia Schramm voltam à
Ocupação ChiquinhaGonzaga
para saber como anda a batalha dodia a dia.
28_
Angelo Defan
conta a
Julia Pina
como aproliferação de
fesvais e mostras de cinema
 
tem ajudado a crescente produção de longas,curtas e documentários.
30_
um bom
ceviche baiano
, com
EliaSchramm
.
31_
Luizinho do Posto 9
vai deixar saudade,nos conta
Marcelo Ceará
.
 Editorial 
 
O GARÇOM JÁ PASSOU A PORCARIA DO CARTÃO DE DÉBITO.PEGUE SEU CANHOTO E DEIXE O RESTAURANTE
O aeroporto de Kanton Zürich é inteiro branco, minha impressãoa respeito de Zurique vai ser para sempre a de um localimensamente branco. Eu tinha aproximadamente uma hora e 15minutos de espera a cumprir olhando para toda aquela brancura.Outras opções para matar o tempo eram ler uma revista ou meaborrecer com notícias de casa via e-mail. Quando eu sei que
posso receber uma mensagem sobre assunto que prero nãodiscutir no momento ou prero não discutir mais, em tempoalgum, em vez de evitá-la, co angustiada até que de fato leia a
tal mensagem.***¶ Eu sabia que um e-mail desse tipo me aguardava, ignorantede todas as regras silenciosas estabelecidas para mantermosum mínimo de privacidade nesta época miserável na qual vocêpode ser encontrado por qualquer um, em qualquer lugar, aqualquer hora. ¶ A habilidade de compreender quando encerrarum assunto é uma das grandes conquistas da Humanidade. Pode
reetir as boas maneiras de quem dela tira proveito, pode ser a
melhor estratégia ou a única alternativa adequada. Infelizmente,é subaproveitada. ¶ Procuro não subestimar as oportunidades de bem-estar que tal habilidade proporciona, e freqüentemente façopropaganda desse conforto que ela estende a seus partidários. Acontece que, pouco antes de eu sair de casa em direção aoprimeiro aeroporto (Internacional do Rio de Janeiro) dos quatropor onde passaria até chegar ao meu destino, aproveitei minha
chance de tomar esse caminho tão pacíco quanto desprezado,
e dei por encerrado meu assunto com L. - A saber: não era
que eu não quisesse ter lhos; eu não queria nenhum com ele.Desconversava se ele vinha com o papo sobre sua idade, e que
não queria começar aos 50 anos - e «começar», aí, soava paramim como uma ameaça mais grave do que apenas «fazer»: queria
dizer, então, que haveria mais de um lho, que começar era... só
o começo. ¶ Ao longo dos três anos que passamos juntos, ele foiinsistindo e eu, correndo. Quando dei por mim, já estava longe.Surgiu o convite para escrever em Berlim, o que, aceito, permitiriao melhor dos desfechos: um corte rápido e exato entre nós. Porque a parte demorada, discutida e cansativamente avaliada dacoisa já tinha acontecido. Era só olhar para os últimos meses ereconhecer isso. O que eu não entendia, portanto, era por que
ele também não podia perceber essa conguração imensamentefavorável e aproveitá-la como eu. ¶ As malas prontas e enleiradas
na sala legitimavam a urgência de acabar logo com aquilo, mas,
maio 2010 | arteepolica.com.br _
03
CECILIA GIANNETTIJOÃO BURLE
T
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