rei chamada por milhares de nomes. Invoquem a mim, minhas filhas, e saibam quesou Nêmesis."Tudo isso ocorreu durante uma convenção de três dias, cujo tema era a espiritualidadefeminina. Apesar de recorrer a elementos familiares tais como velas, túnicas e música, essa foia prece menos ortodoxa que já ecoara pelas paredes de arenito da igreja da rua Arlington. Acerimônia deve ter sido contagian-te, pois no final a nave da igreja estava repleta de pessoasdançando e quase mil vozes preenchiam aquele local majestoso e antigo unidas em uma sócantilena que dizia: "A Deusa vive, há magia no ar. A Deusa vive, há magia no ar."Para muitos especialistas que pesquisam a história da feitiçaria, aquela deusa invocadadurante a cerimônia, uma deusa cuja dança arrebatada teria urdido o vento, o ar e o fogo e cujoriso, afirmava-se, instilara a vida em todas as mulheres, não poderia, de modo algum, ter existido no momento da criação, porque nasceu e recebeu sua aparência, tanto quanto sua personalidade, de uma imaginação absolutamente moderna. Sua origem histórica, afirmam oscéticos, limita-se a poucos traços colhidos de concepções um tanto nebulosas relacionadascom divindades da Europa pré-cristã, concepções estas que teriam sido intencionalmenterebuscadas com detalhes teatrais para adequar-se aos ritos e cerimônias.Porém, para muitos praticantes da feitiçaria, sua Grande Deusa é realmente umancestral espírito criador, cultuado na Europa e no Oriente Próximo muito antes da intro-dução do Deus cristão. Acreditam que a deusa tenha sobrevivido aos séculos de perseguiçãoocultando-se nos corações de seus adoradores secretos, filhos e filhas espirituais que foramcondenados ao ecúleo e à fogueira da Inquisição devido a suas crenças. E agora, dizem, a deusaemerge mais uma vez, abertamente, inspirando celebrações nos redutos daquela mesma religiãoorganizada que anteriormente tentara expurgar tudo que estivesse relacionado com ela e seusseguidores.Seus modernos adeptos não têm a menor dúvida quanto à antigüidade de sua fé. Ser umfeiticeiro, afirma um deles, é "entrar em profunda sintonia com coisas que são mais antigas doque a própria espécie humana". E, realmente, até certos não-iniciados declaram perceber nesse movimento dos praticantes de feitiçaria uma força invisível que anima o universo.Uma mulher que classificou os ensinamentos e ritos da feitiçaria como "meras palavras,sem qualquer significado", disse no entanto que, quando compareceu ao local no qual asfeiticeiras se reuniam, sentiu uma força que parecia pairar além dos limites da razão. "Sintouma corrente", confessou em carta a uma amiga, "uma força que nos cerca. Uma força viva,que pulsa, flui e reflui, cresce e desaparece como a lua (...) não sei o que é, e não sei como
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Por favor, de que livro foi tirado esse capitulo? Chama-se enciclopedia do ocultimo, ou tem outro nome. Não acho a fonte em lugar nenhum... quem é o autor? Muito obrigada.