CONSCIÊNCIA
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ção da vivência", diz Husserl
(Ibid.,
§ 44), "é a visão direta de alguma coisa que se dá ou que pode dar-se na percepção como
absoluta
e não mais como a identidade das aparências que a sombreiam... Um sentimento nãoaparece por sombreamentos. Se lanço o olhar sobre ele, tenho algo de absoluto, desprovido de aspectos que poderiamapresentar-se tanto de um modo como de outro". A percepção imanente é, portanto, a esfera da posição absoluta:implica a impossibilidade de negar sua existência. "Embora a minha corrente de C. só seja apreendida de modorestrito, embora seja desconhecida nas partes já transatas ou ainda vindouras, se lanço o olhar sobre seu presenteefetivo e se me apreendo a mim mesmo como puro sujeito desta vida, afirmo necessariamente: sou, esse viver é, euvivo:
cogito" (Ibid.,
§ 46). Daí deriva que, enquanto o ser imanente (isto é, o ser da C. reflexa) é
absoluto
no sentidode que, para existir, não tem necessidade de nada, o ser transcendente (isto é, o mundo das coisas) é relativo àconsciência. "Todo o mundo espácio-temporal ao qual o homem e o eu humano pertencem como realidadessingulares subordinadas é, segundo o seu sentido, um ser puramente intencional, na medida em que tem o sentidomeramente secundário e relativo de um ser
para
uma consciência. É um ser que a C. põe em suas experiências, que évisível e determinável só enquanto permanece idêntico na multiplicidade das aparições, mas fora disso é nada"
(Ibid.,
§ 49). Daí deriva o caráter absoluto ou "apodítico" da subjetividade, do eu transcendental, que é auto-suficiente nosentido de que "pertence à sua essência a possibilidade de auto-apreensão, de autopercepção"
(Ideen,
II, § 22); e daíderiva também a superioridade metafísica do espírito: "O espírito e só o espírito existe em si mesmo e por si mesmo:o espírito é autônomo e só nessa autonomia pode ser tratado de forma verdadeiramente racional e radicalmentecientífica"
(Krisis,
§ 345). As concepções da C. provenientes da feno-menologia podem ordenar-se segundo duascorrentes opostas: a objetivista e a espiritualista. A espiritualista continua adotando como tema o
cogito
cartesiano eacentua a imanência da consciência. A corrente objetivista acentua o caráter objetivo da relação intencional e, por isso, considera o objeto como autenticamente transcendente: em última instância, essa corrente tende a deixar de ladoa noção de consciência. Vinculam-se à corrente espiritualista asdoutrinas de Jaspers e de Sartre. Para Jaspers, análise existencial é a analise da consciência. "Existir", diz Jaspers, "éC: eu existo como C. e só como objetos de C. as coisas existem para mim. Tudo o que existe para mim deve entrar naC."
(Phil,
I, p. 7). Sobre a C, Jaspers tem o conceito peculiar à fenomenologia: "A C. não é um ser como o da coisa,mas é um ser cuja essência é
estar voltado para significar o objeto.
Esse fenômeno originário, tão miraculoso quantoem si mesmo compreensível, foi chamado intencionalidade". Mas a C. não está voltada só para o objeto, reflete-sesobre si mesma e também é, portanto, Autoconsciência. "O eu penso e o eu penso que penso andam juntos, de talmodo que um não fica sem o outro. O que parece contraditório do ponto de vista lógico aqui é real: um não é um, masdois, e todavia não se torna dois, mas, graças à sua singularidade, permanece um. Esse é o conceito do eu formal em
geral" (Ibid.,
p. 8) Jaspers ressaltou assim o caráter não transcendível e quase místico da C, que, porjsso, constituitodo o seu campo de especulação. De modo análogo, Sartre declara explicitamente que o estudo da realidade humanadeve começar pelo
cogito (Vêtreetle néant,
p. 127). A C. é, em primeiro lugar, C.
de alguma coisa
e de alguma coisaque não é consciência. Sartre chama esse alguma coisa de
em si.
O ser em si só pode ser designado analiticamete,como "o ser que é o que é", expressão que designa sua opacidade, seu caráter maciço e estático, pelo que não é nem possível nem necessário:
é,
simplesmente
(Ibid.,
pp. 33-34). Diante desse ser em si, a C. é
o para si,
a presença parasi mesma
(Ibid.,
p. 119). A presença para si mesma implica uma fissura, uma separação interna. Uma crença, p. ex., écomo tal sempre C. da crença; mas para captá-la como crença é necessário separá-la da C. para a qual está presente.Mas
nada
há ou pode haver que separe o sujeito de si mesmo. "A fissura intraconsciencial é um nada fora daquilo queela nega e só pode ter ser na medida em que não se a vê. Esse negativo, que é nada de ser e poder nadificante aomesmo tempo, é o
nada.
Em nenhum lugar poderíamos apreen- J dê-lo com semelhante pureza. Em todos os lugares,de um modo ou de outro, é preciso conferir-lhe o ser-em-si enquanto nada"
(Ibid.,
p. 120). Condicionando a estruturada C, o nada é condição da totalidade do ser que é tal só para a C. e na consciência. Mas ele define o ser da C. que éexpresso por Sartre desta forma: "O
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