JUÍZO591JUÍZOos sécs. IX e X); Saadja (séc. X); Ibn-Gebirol, que os escolásticos latinos conheceram com o nome deAvicebron, autor de uma obra famosa intitulada
Fonte da vida
(séc. XI), e Moisés Ben Maimoun,denominado Maimônides (séc. XII), autor do
Guia dos perplexos.
Os temas fundamentais dessa segundafase da Escolástica J. são os seguintes: l
s
utilização do neoplatonis-mo árabe, especialmente da filosofiade Avi-cena, para a demonstração da existência de Deus;
2
e
negação do necessarismo característico dafilosofia árabe e, portanto, crítica das duas doutrinas decorrentes desse necessarismo:
d)
da eternidade domundo e conseqüente defesa da criação como início das coisas no tempo por obra de Deus;
b)
do rigorosodeterminismo astrológico, com a reafirmação da liberdade humana. Estas teses aproximam muito aEscolástica J. da Escolástica cristã, que defende filosoficamente crenças religiosas análogas. Portanto, aEscolástica cristã empregou muito a filosofia J., e especialmente a de Maimônides (cf. J. G
UTTMANN
,
Die Phil. des Ju-dentums,
Munique, 1933).JUÍZO (gr.
TÒ
KpitiKÓv, Kpíoiç, lat.
Judicium;
in.
Judgment;
fr.
Jugement;
ai.
Urteilskraft, Ur-teil;
it.
Giudizió).
Este termo, oriundo da linguagem jurídica, possui quatro significados principais: 1
Q
faculdadede distinguir e avaliar ou o produto ou o àto desta faculdade, bem como sua expressão; 2
S
uma parte dalógica; 3
S
em relação a uma proposição, ato de assentir, discordar, afirmar ou negar; 4
Q
operaçãointelectual de síntese que se expressa na proposição.l
g
No sentido mais geral, entende-se por J. a faculdade de avaliar e escolher, própria de todos os seresanimados. Aristóteles dizia que o J. é uma das faculdades da alma dos animais (a outra é a faculdademotriz), sendo obra do pensamento e da sensação
{De an.,
III, 9, 432 a 15). Em especial, atribuía aointelecto a capacidade de julgar as qualidades sensíveis com o sensório e a substância das coisas com ummeio diferente
{Ibid.,
III, 4, 429, b 10). O significado geral conservou-se constante na tradição filosófica ena linguagem comum. A faculdade de julgar consiste em avaliar, escolher, decidir. "Ter J." significa saber ser comedido nas escolhas, ou fazê-las de acordo com as melhores regras. Nesse sentido, o J. équalificado segundo os campos específicos em que age, falando-se de "J. moral", "estético", "histórico","político", etc. Esse termo ainda indica, em todas lín-guas, o resultado ou o produto da atividade judicativa e a expressão lingüística desta: por isso, chama-sede J. tanto a decisão ou a escolha que elimine uma incerteza, dirima uma controvérsia ou elimine umconflito quanto a formulação verbal de alguns desses atos. Nesse sentido, a faculdade judicativa não sereduz ao intelecto, conquanto compreenda também o intelecto. S. Tomás observava que "a palavra 'J.', quesegundo a primeira imposição significa a correta determinação do que é justo, foi ampliada para significar a correta determinação em todas as coisas, tanto nas especulativas quanto nas práticas"
{S. Th.,
II, 11, q.60 a. 2 ad I
o
). Kant, que definia o intelecto como "a faculdade de julgar"
{Crít. R. Pura,
Anal. transe, I,cap. I, seç. I;
Prol,
§ 22), em
Antropologia
conceituava de modo mais geral o J., entenden-do-o como "acapacidade intelectual de distinguir se cabe ou não uma regra", e afirmava que o J. não pode ser ensinado,mas só exercitado, e que o seu desenvolvimento chama-se "maturidade"
{Antr,
1, § 42). Locke haviarestringido o J. à faculdade de utilizar os conhecimentos prováveis na falta do conhecimento seguro
(Jud.,
IV, 14, 3), mas Leibniz observava que "outros chamam de julgar a ação realizada todas as vezes em quealguém se pronuncia com algum conhecimento de causa"
{Nouv. ess,
IV, 14). Nesse sentido, o J. é uma atividade va-lorativa, embora possa expressar-se (como de fato o fez comfreqüência) por fórmulas verbais diversas, como regras, normas, exortações, imperativos, pareceres,conselhos, conclusões e, em geral, fórmulas que expressam uma escolha ou um critério de escolha. Peircediz: "O hábito cerebral da mais alta espécie, que determinará o que faremos, tanto em imaginação quantoem ação, chama-se
crença.
Chama-se J. a representação, que fazemos para nós mesmos, de que temosdeterminado hábito"
{Coll. Pap.
3, 160). Na mesma linha, Dewey considerou o J. como a conclusão de uma busca e a sistemati-zação efetiva dasituação que a provocou, segundo o modelo do procedimento judiciário
{Logic,
1939, cap VII).2
a
Cícero deu o nome de "J." à
dialética{v.)
dos estóicos, que "foi inventada quase como árbitro e juiz doverdadeiro e do falso"
{Acad.,
II, 28, 91). Disse ele: "Todo tratamento completo da argumentação possuiduas partes, uma que se ocupa da invenção a outra do J.". Aristóteles foi o fundador de ambas, os estóicosse-
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