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UNISINOS - CURSO DE REALIZAÇÃO AUDIOVISUAL
ROTEIRO - TRIMESTRE 2003/2
A ESCRITURA DO ROTEIRO
Polígrafo de Giba Assis Brasil - versão junho/2003
Em primeiro lugar, é bom lembrar que a teoria a respeito de roteiropode ser dividida em duas linhas, que poderiam ser chamadas, numadualidade pouco eufônica, de estrutura e escritura. Ou seja: de umlado aquilo que diz respeito à concepção do roteiro, de outroaquilo que tem a ver com a maneira de escrevê-lo. Ou, de formaainda mais simplificada, as velhas categorias de forma e conteúdo.Sem querer assumir inteiramente que eu esteja falando mesmo deforma e conteúdo, eu diria que a estrutura precede a escritura, queo melhor roteiro não é o que tenha a escritura mais correta, masaquele cuja estrutura narrativa preveja a realização de um bomfilme. Feita essa ressalva, adianto que aqui, neste texto, eu meproponho a falar de escritura e apenas de escritura.
E começo definindo escritura do roteiro como a forma particular dedispor as palavras no papel para compor aquilo que a gente chama deroteiro cinematográfico. Não exatamente formatação (tipo de letra,tamanho de papel, margens, etc), não aquelas regrinhas queHollywood desenvolveu para chegar ao conceito de "um minuto porpágina", mas os pressupostos disso: algo que tem a ver com "paraque, afinal, serve um roteiro?"
1. O PRINCÍPIO BÁSICO: PARA QUE SERVE UM ROTEIRO?
Cinema pode ser arte, diversão, entretenimento, linguagem, etc, masantes e acima de tudo cinema é indústria. E cinema é indústria portrês motivos: porque precisa da máquina, da acumulação de capital eda divisão especializada de trabalho.
Claro que esta divisão de trabalho vai se tornando cada vez maiscomplexa no decorrer da ainda recente história do cinema. Ejustamente uma das primeiras divisões de trabalho que ocorrem éaquela que resulta no surgimento da figura do roteirista. Elaocorre na virada do século 19 para o 20, quando os filmes começam aficar mais caros. Ou seja, os produtores começam a ficarpreocupados com a quantidade cada vez maior de dinheiro que estãoinvestindo nos filmes, e precisam de alguma previsão do que vai sero filme antes de aprovar a sua realização. Portanto,historicamente, o roteiro surge não como forma de expressão de umroteirista ou por desejo de um diretor, mas como necessidade de um
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