no Rio Grande do Sul, especialmente junto aos Guarani das parcialidades Mbyáe Xiripá ou Nhandeva, bem como, de pesquisas representativas das situaçõeshistóricas aqui referidas. A abordagem das políticas públicas não se atémapenas às ações governamentais, visto que os atores sociais, neste caso ascomunidades indígenas a quem se destinam essas políticas, também sãoresponsáveis por elas, na medida que suas ações e proposições interagem comsetores governamentais.A tendência predominante no senso comum, de não reconhecimentodas diferenças étnicas dos povos que viviam na América desde os temposanteriores à invasão européia, não é casual, mas constituída ao longo dahistória, na seqüência de ações que buscaram enquadrar a multiplicidade nadenominação genérica “índios”. Esse olhar foi incapaz de enxergar adiversidade das formas de vida, as trajetórias e apropriações que cada grupofez nas relações de contato, elaborando tradições através de um processo quedemonstra sua atualidade, mesmo considerando a intervenção da escola paraos índios, planejada desde uma cosmologia ocidental moderna. Ribeiro (1977,p.14) afirma que o indígena foi submetido a um processo que o forçaconstantemente a
“transformar radicalmente seu perfil cultural (...)transfigurando sua indianidade, mas persistindo como índio”
. A advertência sefaz necessária para pensar essa “terra de mil povos”, que foi e ainda épovoada por grupos que criam e recriam suas concepções de mundo, buscandoa cada momento religar o que ocorre na natureza com o dinâmicoordenamento do mundo social. Portanto, a história da educação escolarindígena é modulada pelas nuanças da interação da escola com a diversidadedo grupo a que se destina.Implementar escolas entre os índios é uma das práticas mais antigas deintervenção, comum no período colonial pois, mesmo reconhecendo asrelações de educação inseridas no modo de vida dos grupos indígenascontatados, como expressam os cronistas dos séculos XVI e XVII, açõeseducativas introduzidas pelas missões religiosas, que incluíam em alguns casoso ensino escolar, produziram marcas de europeização e de cristianização queainda hoje se mantêm. Contudo, mesmo diante de um processo colonial quetentou destituir a memória coletiva dos povos indígenas, as marcas do contatoforam sendo apropriadas e ressignificadas, constituindo cosmologias híbridas,
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