posicionamentos anteriores citados. Embora presente, a forte influência dosintelectuais do Instituto Superior de Estudos Brasileiros - ISEB tende a diminuir.Os alicerces teóricos marcados por um certo emaranhado de idéias buscam umamaior clarificação coadjuvada pela possibilidade de, no exílio chileno (1964-69),tomar certa distância dos acontecimentos brasileiros abortados pelo golpe de1964. Logicamente, inclusive pelo curto lapso de tempo, as mudanças dosposicionamentos prático-teóricos não significavam alterações radicais. Anãoinclusão da análise econômica da sociedade impedia a nitidez no processo dedesvelamento da realidade e o próprio Freire posteriormente reconhece taisequívocos.No raciocínio freireano, a educação instrumentalizaria o “povo emergentemas desorganizado, ingênuo e despreparado”, marcado por índices alarmantes deanalfabetismo para a construção de uma outra Nação, moderna e mais justa,democrática e liberal. Havia uma crença explícita no papel da “instânciassuperestruturais” na tentativa organizada dessas conquistas “para todos”.Parece-nos fundamental destacar que o pano de fundo da arena da mudançasocial estava excessivamente consagrado às transformações internas dos sereshumanos ou, em outras palavras, através das transformações da “consciênciaindividual”. Mudanças nas quais a educação e, especialmente para Freire, aalfabetização de adultos, tinha posição de vanguarda.De outro ângulo, é oportuno notarmos, como o faz Weffort, no prefácio de
Educação como prática da liberdade,
que :“Uma pedagogia da liberdade pode ajudar uma política popular, pois aconscientização significa abertura à compreensão das estruturas sociaiscomo modos de dominação e violência (...). Aexperiência brasileira nossugere algumas lições curiosas, às vezes até surpreendentes em política eeducação popular. Foi-nos possível esboçar, através do trabalho de Freire,as bases de uma verdadeira pedagogia democrática. Foi-nos possível, alémdisso, começarmos, com o movimento de educação popular, uma práticaeducativa voltada de modo autêntico, para a libertação das classespopulares” (1984[a]:15-25).Mesmo concordando com Weffort, pode-se perguntar: as propostas político-pedagógicas de Paulo Freire, nessa primeira etapa de sua práxis, serviram comoinstrumento populista de manipulação dos setores que dirigiam o Estadobrasileiro, representados diferentemente por Goulart, Arraes, Brizola etc, (comodefende Vanilda Paiva, 1980) ou serviram como instrumento das forças médias epopulares na direção de uma sociedade mais democrática, menos injusta, maissolidária?Pensamos que a práxis político-pedagógica freireana serviu muito mais àmobilização, à organização, à difícil batalha pela representatividade e pela325
Afonso Celso Scocuglia
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