um circuito entre neurônios. Já as memórias que perdem o interesse vão sendo descartadas.Essa constante transformação do cérebro impede que haja duas pessoas iguais no mundo.Uma curiosidade da memória é a seleção. Convenhamos: armazenar tudo seria tão inútilquanto não guardar nada. ¤Então, para não se sobrecarregar, o cérebro é sábio. Divide astarefas e usa tipos diferentes de memória. Para entender e escrever o que se ouve ou se lê,usa-se uma memória descartável. Essa é a memória de trabalho. O cérebro sabe que nãoprecisa guardar informações corriqueiras por muito tempo. Por isso, reserva espaço para amemória de longa duração; Dessa forma, o cérebro escolhe o que vai formar nossa bagagem deexperiências.Algumas lembranças, entretanto, parecem emergir do nada: uma música pode reacenderas sensações de um jantar romântico. Nesse caso, o cérebro associou a melodia ao rosto, aocheiro, ao nome de uma pessoa. Naquele momento, neurônios formaram conexões parareconhecer todos os detalhes. A imagem foi montada pelo córtex visual: o perfume foireconhecido no córtex olfativo; a música e as emoções do momento foram registradas emoutras áreas do cérebro.Mesmo finda a seqüência, a cena ainda não estará completamente arquivada. Asinformações, frescas, precisam passar pelo hipocampo, que, como uma cola, reforçará cada elodo circuito de neurônios. Uma interrupção pode, inclusive, causar a desgravação ou a nãogravação. Por isso, depois de um acidente de carro, por exemplo, a vítima esquece momentosimediatamente anteriores à batida. Um trauma interrompeu uma fase de gravação.Uma vez fixado, um circuito de neurônios pode ficar no cérebro por décadas. Por isso,tempos depois, num bar, distraído, você ouve aquela música e pronto! Uma coisa puxa a outra eserá suficiente para reativar todo o circuito. Aliás, a lembrança pode ser até mais agradável doque foi o acontecimento real.
Adaptado de: VARELLA, Dráuzio. "O cérebro e a mente" (Série 'Cérebro, a máquina'). Disponível em:<http://www.drauziovarella.com.br>
10.
Considere as propostas de reformulação do fragmento "Não notamos, mas precisamos damemória também, por exemplo, para associar".I. Conquanto não notemos, evocamos, por exemplo, a memória também para associar.II. Ainda que não percebamos, a memória se faz necessária também, por exemplo, paraassociar.III. Embora sem se dar conta, recuperamos a memória também, por exemplo, para associar.Quais são reformulações corretas, e compatíveis em termos de significado, do fragmento dado?a) Apenas I.b) Apenas II.c) Apenas III.d) Apenas I e II.e) Apenas II e III.FOTÓGRAFO DESCOBRIA DELICADEZA DE GESTOS"Tirar fotos é prender a respiração quando todas as faculdades convergem para arealidade fugaz. É organizar rigorosamente as formas visuais percebidas para expressar o seusignificado. É pôr numa mesma linha cabeça, olho e coração. Essa imbatível definição do atofotográfico, feita pelo próprio Henri Cartier-Bresson, serve de ponto de partida para entender amagnitude e a ............ de sua obra em todo o mundo.Cartier-Bresson fotografava com o instinto de um caçador que persegue obstinadamentesua presa. Ele até se enveredou pelo universo dos retratos e os fez bem, mas seu grandediferencial era um faro particular para capturar ............... . Sua busca incansável era por aquiloque ele conceituou como o instante decisivo, o momento em que o universo em harmoniaconspirava a favor do artista.Mais do que uma técnica apurada, o instante decisivo de Cartier-Bresson preconizava apaixão pelo prosaico e pela fugacidade da vida. Sua investigação não buscava a obtenção defotografias grandiosas, mas, sim, a descoberta da beleza e da delicadeza dos pequenos gestos.Ao aposentar-se, Bresson se abrigou no desenho e na pintura. "Não tenho saudades. O
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