Janeiro-Fevereiro/2009
REVISTA
B-3
Corival Rezende Irineu
Tempo de homenagens
B
atista Custódio, do Diá-rio da Manhã, brilhanteeditorialista, na ediçãodo dia 15.12.08, discorrendo
sobre o tema “A Meio Beo”,
assevera que
“Os intelectuais
fcam velhos quando deixam de
ser perseguidos e passam a serhomenageados pelos poderosos”.
Nada mais verdadeiro. Talsentença equivale àquelamais simplista de que
“Todaunanimidade é burra”.
Com a certeza de que nãosou nenhum intelectual, ra-
zão pela qual prero não ser
querido por muitos, do que bajulado por todos. Tenhoconsciência de que os “ar-tigos” que escrevo recebemcríticas de repulsa e de apro-vação. Agradeço a ambas jáque teimo em não envelhecer,embora o que venho escre-vendo retrata Mineiros e aspessoas de anos passados e,não raro, temas políticos quea uns agradam e a outros não.Mas o que seria do vermelhose todos gostassem do azul?Bem, chegou Natal e 2009está às portas. Que o espíritode Deus nos ilumine e nosmostre bons caminhos parao ano que vem! É tempode prestar homenagens aosesquecidos e ou quase esque-cidos, embora esses tenhamcontribuído muito para quea nossa Mineiros chegassealtaneira nesse nono ano doséculo XXI. Sei que poucos selembram ou já ouviram falarda D
a
. Zaida Veloso. Esposado Dr. Suhail Rahall, um dosfundadores do Hospital Sa-maritano, foi diretora do Co-légio Santo Agostinho, ondecentenas de jovens iniciaramos estudos. Muitos daquelesse tornaram doutores da me-lhor qualidade. A ProfessoraMarta, esposa do Erly que foicontador da prefeitura nosdois mandatos do Raul Bran-dão, certamente quase não élembrada. Em seu mandato,como Diretora do Colégio Es-tadual, aquela instituição foimuito bem administrada. E doDr. Neves, quem se recorda? É bom ver o nome daquele mé-dico num dos nosocômios dacidade a lhe homenagear. Peloque representou para a saúdedo povo desta cidade, aquelahomenagem merecia ser am-pliada pelo poder público.E quem foi Fúlvio Riccio-ppo que dá nome ao nossomodesto aeroporto? Foi co-mandante aviador que, casa-do com a mineirense Cecília,
lha do Dr. Neves, conseguiu
fazer com que a extinta Vasp
aqui zesse escala semanal
-mente. E do Padre MaximinoAlvarez, recordam-se os maisantigos e já ouviram falar osmais novos? Aquele espa-nhol, apressadinho, foi umadas pessoas mais queridasque passou por nossa terra.Professor, conselheiro,excelente relações humanasera vibrante quando pregavanos púlpitos da igreja católica.Ao chegar a Mineiros a nossaigrejinha estava caindo aospedaços. Com a força quetinha para o trabalho e coma liderança que exercia sobrea comunidade quase todacatólica, partiu para arrecadarfundos e construiu e legou aMineiros a imponente Matrizdo Divino Espírito Santo. La-mentavelmente foi morto emSão Paulo por latrocidas.E o nosso querido Profes-sor Juarez Távora? Para mim,sem desmerecer outros, é ogrande responsável por “meiomundo” de jovens mineiren-ses ter aprendido matemática,ou como ele diz,
“arimética”.
OProf. Juarez é
daquelas pesso-as que a gente guarda dentrodo coração.
No comércio nãose pode deixar de homenagear Jonas Patrício, Pedro Mala-quias, Raul Brandão, AlonsoMachado, que a seus temposmovimentaram a cidade comsuas lojas bem sortidas ondea população comprava todotipo de mercadoria. Desses, osúnicos ainda vivos são o RaulBrandão e o Pedro Malaquiasque, para não sentirem-seaposentados, batem pontoem suas lojas, diariamente,sendo excelentes papos paratodos que desejarem saber dahistória de Mineiros.Ainda vivo, atuante, po-lêmico, querido por uns emaltratado demais por ou-tros, devo, às vésperas destetempo em que se comemorao nascimento de Jesus, home-nagear o ex-prefeito AderaldoBarcelos pela grandeza de suaadministração no quadriênio1997/2000. As falhas que, porventura, aquela administra-ção tenha cometido são emmuito superadas pela suagrandeza e futurismo. Mi-neiros e Goiás, após ele, sãooutros. Aderaldo, com a suaousadia política, fez mudaros rumos do Estado, por issoainda não envelheceu comopolítico porque continua sen-do, diuturnamente, guerre-ado pelos seus adversários.Que o Natal de Jesus renoveainda mais a sua pessoa.É, também, tempo de ho-menagear a família. Obrigadominha Sônia pela esposa epessoa querida e bondosaque você é. Obrigado Jordan,
Flávio e Marília, lhos estima
-dos e que me dão muito gosto.Obrigado minhas famíliasRezende e Irineu. Obrigadogente querida de Mineiros.Sou o que sou. Sou barro des-
ta terra e nele estão ncados
meus amores, minhas ilusõese, um dia, meus ossos se até lánão tiver crematório em nossacidade. Obrigado FernandoBrandão
corivaladvogado@bol.com.br
Moral da História
Diz uma lenda referenteà pintura da Santa Ceia, ou“Última Ceia de Jesus comseus Apóstolos”. Ao conce- ber este quadro, Leonardoda Vinci deparou-se comuma grande dificuldade:Precisava pintar o bem (naimagem de Jesus) e o mal
(na gura de Judas, o amigo
que resolvera traí-lo duranteo jantar).Interrompeu o trabalhono meio, até que conseguis-se encontrar os modelosideias.Certo dia, enquanto as-sistia a um coral, viu emum dos rapazes a imagemperfeita de Cristo. Convi-dou-o para o seu ateliê, ereproduziu seus traços emestudos e esboços. Passa-ram-se três anos. A “ÚltimaCeia” estava quase pronta,mas Da Vinci ainda nãohavia encontrado o modeloideal de Judas.O cardeal, responsávelpela igreja, começou a pres-sioná-lo, exigindo que termi-
MORAL DA HISTÓRIAO Bem e o Mal têm a mesma face. Tudo depende apenasda época em que cruzam o caminho de cada ser humano.
Em artigo escrito para o jornal na véspera de Natal, o colunista Corival Rezende Irineucontinua sua viagem histórica por Mineiros e presta homenagem aos amigos
nasse logo a obra.Depois de muitos dias
procurando, o pintor nal
-mente encontrou um jovemprematuramente envelhe-cido, bêbado, esfarrapado,atirado na sarjeta. Imedia-tamente, pediu aos seusassistentes que o levassematé a igreja.Da Vinci copiava as linhasda impiedade, do pecado,do egoísmo, tão bem deli-neadas na face do mendigo,que mal conseguia pararem pé.Quando terminou, o jo-vem – já um pouco refeito da bebedeira – abriu os olhos enotou a pintura à sua frente.E disse, numa mistura deespanto e tristeza: - Eu já viesse quadro antes! Quando?Perguntou surpreso Da Vin-ci. Há três anos, antes de per-der tudo o que tinha, numaépoca em que cantava numcoro, tinha uma vida cheia desonhos e o artista me convi-dou para posar como modelopara a face de Jesus.
O Bem e o Mal
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