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Perto do Coração Selvagem

Perto do Coração Selvagem

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Published by: NicolasNeves on Jul 17, 2012
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08/06/2013

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Resenha do livro:
“Perto do Coração Selvagem”
 
Este foi, sem sombra de dúvidas, o grande marco da literatura brasileira do anode 1944; sucesso entre público e crítica, romance de estreia de ClariceLispector, este livro foi o grande vencedor do Prêmio Graça Aranha de 1945como melhor livro do ano. Recebeu várias criticas positivas de grandes críticosda época, o que gerou uma aura de mistério em torno de Clarice que aacompanharia por toda a sua vida (chegou-se a pensar que ela era, naverdade, um europeu, pois não se usava até então escrever dessa forma noBrasil).
Escrito “aos pedaços”, como todos os livros de Clarice, entre 1943 e 1944,Perto do Coração Selvagem narra a história de Joana, uma “mulher 
-
animal”,
desde sua infância sem a mãe, até a separação do marido Otávio, que buscaem Lígia, sua ex-noiva, o contraponto de Joana: enquanto Joana era impulsiva,
Lígia era sensível na hora de decidir; enquanto Joana “desprezava”,
aparentemente, a família e o casamento, Lídia sonha em ser mãe
 –
estes sãoalguns dos aspectos destoantes entre as duas mulheres. Desde a infância,Joana demonstra por fluxos de consciência sua vida interior, seu CoraçãoSelvagem; ao longo do livro, Joana mergulha ora no passado
 –
marcado pelapresença do pai, pelos seus sonhos, e pelas questões e opiniões que tinhasobre o mundo e que, muitas vezes perturbava os adultos ao redor 
 –
e pelopresente
 –
onde vive com Otávio, que acaba indo embora após ter engravidadoa ex-noiva, Lígia; depois disso, Joana tem um relaciona com um Desconhecido,
mas acaba só e livre: “como um cavalo novo”.
  Aqueles que conhecem a vida da autora notam que, ao longo do livro, sãoinseridas várias informações biográficas de Clarice: o fato de crescer sem amãe, de sempre escrever desde pequena, de ser imperativa na escola...Este foi um dos primeiros passos de Clarice rumo à libertação através daescrita
 –
e isso foi o que ela sempre procurou ao longo da vida. Outrosaspectos aparecem neste livro e que voltariam a aparecer em outros trabalhos:a morte por atropelamento, por exemplo; e outros ainda que nos narram a tristemágoa carregada por Clarice ao longo da vida: não ter salvado a mãe da sífilisque contraíra na Ucrânia, antes da vinda dos Lispector ao Brasil; e isso fica
 
claro, quando a pequena Joana inventava histórias mágicas nas quais salvavaa vida de suas bonecas, semelhantes às histórias que Clarice contava à mãequando pequena, nas quais a salvava da trágica doença que a fez definhar atéa morte.Vale ressaltar que, depois de publicar este livro, a jovem Clarice, então recém-formada no curso de Direito pela Universidade do Brasil, recém-casada com odiplomata Maury Gurgel Valente e recém-naturalizada brasileira, viajou rumoEuropa, isolando-se antes no Pará e na África, por conta do serviço diplomáticodo marido
 –
o que só serviu ainda mais para mistificar a autora que mais tarde
receberia alcunhas como “A Esfinge do Rio de Janeiro” e “O Monstro Sagrado”.
Logo às primeiras páginas, Clarice mostra uma enorme sensibilidade e respeitopara com o leitor e para consigo mesma, não deixando de expor a própria
opinião, mas mostrando que esta mesma opinião estava oculta, “perto docoração selvagem” de cada um. A estrutura deste livro mistura dados
autobiográficos, com a leitura de Joyce, Dostoievski, Hesse entre outros e umamão de mestre na hora de tecer todas as teias que compõe a trama quepermeia Perto do Coração e prende o leitor em cada parágrafo lido.Neste livro, Clarice dá valor ao que está dentro do ser 
 –
àquilo que nós muitasvezes lutamos para esconder por não ser socialmente aceitável. A personagemJoana só é salva por ser ela
 –
mesmo sozinha, ela se recusa a aceitar Deus, aaceitar em si o sistema que controla e castra
 –
e por não se negar a seguir aprópria natureza. A autora nos aponta um caminho a ser seguido, o caminhoinstintivo, pois apesar de todas as lutas e quedas, o ser que segue a si mesmolevantar-se-
á “forte e belo, como um cavalo novo”. Deve
-se sim seguir estecaminho: quantas vezes o que nos salva é esquecer-se um pouco do ladoracional e metódico, partindo para o lado irracional e livre, driblando toda equalquer forma de retenção à nós mesmos? E quantas pessoas não precisam
passar pelas experiências vividas por Joana para serem mais “elas mesmas”?
 Totalmente introspectivo, o livro apresenta apenas alguns cenários nebulososcomo plano de fundo
 –
a casa dos pais, a escola, a casa dos tios, o colégiointerno, a casa do professor 
 –
 
para a verdadeira “estrela” do romance: o Eu
interior de Joana. Os fluxos de pensamento, as intensas meditações dapersonagem, sua relação consigo mesma antes de dar-se ao outro, suasimposições diante da vida e do mundo seriam a marca que faria de Clarice uma

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