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Apostila de Direito Administrativo
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Impõe-se, pois, estabelecermos o confronto entre Governo e Administração e,a seguir, examinarmos seus órgãos e agentes para, após, estudarmos a atividade administrativa emtoda a sua extensão e efeitos.Governo e Administração são termos que andam juntos e muitas vezesconfundidos, embora expressem conceitos diversos nos vários aspectos em que se apresentam.Governo, em sentido formal, é o conjunto de Poderes e órgãosconstitucionais; em sentido material, é o complexo de funções estatais básicas; em sentidooperacional, é a condução política dos negócios públicos. Na verdade, o Governo ora se identificacom os Poderes e órgãos supremos do Estado, ora se apresenta nas funções originárias dessesPoderes e órgãos como manifestação da Soberania. A constante, porém, do Governo é a suaexpressão política de comando, de iniciativa, de fixação de objetivos do Estado e de manutenção daordem jurídica vigente. O Governo atua mediante atos de Soberania ou, pelos menos, de autonomiapolítica na condução dos negócios públicos.Administração Pública, em sentido formal, é o conjunto de órgãos instituídospara consecução dos objetivos do Governo; em sentido material, é o conjunto das funçõesnecessárias aos serviços públicos em geral; em acepção operacional, é o desempenho perene esistemático, legal e técnico, dos serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em beneficio dacoletividade. Numa visão global, a Administração é, pois, todo o aparelhamento do Estadopreordenado à realização de seus serviços, visando à satisfação das necessidades coletivas. AAdministração não pratica atos de governo; pratica, tão-somente, atos de execução, com maior oumenor autonomia funcional, segundo a competência do órgão e de seus agentes. São os chamadosatos administrativos.O Governo e a Administração, como criações abstratas da Constituição e dasleis, atuam por intermédio de suas entidades (pessoas jurídicas), de seus órgãos (centros de decisão)e de seus agentes (pessoas físicas investidas em cargos e funções).Entidade é pessoa jurídica, pública ou privada; órgão é elementodespersonalizado incumbido da realização das atividades da entidade a que pertence, através de seusagentes. Na organização política e administrativa brasileira as entidades classificam-se em estatais,autárquicas, fundacionais e paraestatais.Entidades estatais são pessoas jurídicas de Direito Público que integram aestrutura constitucional do Estado e têm poderes políticos e administrativos, tais como a União, osEstados-membros, os Municípios e o Distrito Federal. A União é soberana; as demais entidadesestatais tem apenas autonomia política, administrativa e financeira, mas não dispõem de soberania,que é privativa da Nação e própria da Federação.Entidades autárquicas são pessoas jurídicas de Direito Público, de naturezameramente administrativa, criadas por lei específica, para a realização de atividades, obras ouserviços descentralizados da entidade estatal que as criou. Funcionam e operam na formaestabelecida na lei instituidora e nos termos de seu regulamento. As autarquias podem desempenharatividades econômicas, educacionais, previdenciárias e quaisquer outras outorgadas pela entidadeestatal-matriz, mas sem subordinação hierárquica, sujeitas apenas ao controle finalístico de suaadministração e da conduta de seus dirigentes.Entidades fundacionais são, pela nova orientação da Constituição daRepública de 1988, pessoas jurídicas de Direito Público, assemelhadas às autarquias, como já decidiuo Supremo Tribunal Federal. São criadas por lei especifica com as atribuições que lhes foremconferidas no ato de sua instituição.Entidades paraestatais são pessoas jurídicas de Direito Privado cuja criação éautorizada por lei especifica para a realização de obras, serviços ou atividades de interesse coletivo.São espécies de entidades paraestatais as empresas públicas, as sociedades de economia mista e osserviços sociais autônomos (SESI, SESC, SENAI e outros). As entidades paraestatais sãoautônomas, administrativa e financeiramente, têm patrimônio próprio e operam em regime da iniciativaparticular, na forma de seus estatutos, ficando vinculadas (não subordinadas) a determinado órgão daentidade estatal a que pertencem, o qual supervisiona e controla seu desempenho estatutário, seminterferir diretamente na sua administração.Órgãos públicos são centros de competência instituídos para o desempenhode funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a quepertencem. São unidades de ação com atribuições especificas na organização estatal. Cada órgão,como centro de competência governamental ou administrativa, tem necessariamente funções, cargose agentes, mas é distinto desses elementos, que podem ser modificados, substituídos ou retiradossem supressão da unidade orgânica. Isto explica por que a alteração de funções, ou a vacância doscargos, ou a mudança de seus titulares não acarreta a extinção do órgão.Os órgãos integram a estrutura do Estado e das demais pessoas jurídicascomo partes desses corpos vivos, dotados de vontade e capazes de exercer direitos e contrair
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