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O texto que se segue faz parte da dissertação de mestrado
“Os instrumentos Didácticos Hipermédia e a Aprendizagem de Conteúdos Filosóficos”
 apresentada à Universidade Católica Portuguesa em Março de 2007 porRicardo Marques da Silva Cabral Pinto. A dissertação está disponível em:
http://dspace.feg.porto.ucp.pt:8080/dspace/handle/2386/115
 .
 
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6.2.
Guião para hiperdocumento educativo
(Inter)actividades filosóficas
“Interpréter un texte, ce n'est pas lui donner un sens (plus ou moins fondé, plus ou moins libre); c'est au contraire apprécier de quel pluriel il est fait.” 
Roland Barthes
“Só se conhecem os pensamentos que puderam ser expressos e impressos, e não as obras não publicadas, os pensamentos não formulados, as ideias esmagadas
in ovo
 , aos biliões, como os ovos dos peixes no mar.” 
Edgar Morin
“The same content material is covered in different ways, at diferent times, in order to demonstrate the potencial flexibility of use inherent in that content.” 
Rand Spiro
“Ando sempre à procura de materiais com que possa descontextualizar – mostrar aquilo que eu quero noutro contexto. E isso é o mais difícil. Quero que as pessoas olhem para um objecto que serve para uma coisa e, de repente, percebam que pode ser outra.” 
Daniela Ribeiro (jovem pintora)
 
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6.2.1. Justificação pedagógico-didáctica
Grande parte das matérias leccionadas na disciplina de Filosofia assenta numconjunto de conceitos que, na sua versão comum, são usados, mais ou menosrecorrentemente, pelos alunos. Tais são os casos, entre outros exemplos, de “acção”,“liberdade”, “justiça” ou “humanidade”. Existe, pois, um contexto cognitivo prévio apartir do qual se processarão as aprendizagens dos conteúdos filosóficos.Este facto poderá ser encarado como algo vantajoso para a aprendizagem, jáque existe, à partida, uma familiaridade com muitos dos termos utilizados nas aulas defilosofia. Com efeito, não existirá aqui, eventualmente, a sensação de total estranhezaque poderá existir quando pensamos em matérias muito mais herméticas de certasdisciplinas, onde é usual a existência de termos completamente desconhecidos pelosalunos. A aprendizagem significativa (à maneira de Ausubel) estará em boas condiçõesde suceder.Todavia, convém colocar a questão sob outra perspectiva. O facto dos termosusados na aula de filosofia serem já, de algum modo, significativos para os alunospoderá fazer com que eles se agarrem à acepção mais conhecida e vulgar desses termose, assim, revelem dificuldades na deslocação para o terreno filosófico. Nessa medida, demodo a vencer esse obstáculo epistemológico, importa que os alunos ultrapassem osignificado comum dos conceitos leccionados no âmbito da disciplina de filosofia e osencarem a partir de perspectivas mais rigorosas. Exige-se, aqui, então, um esforço quevai no sentido de recontextualizar filosoficamente os conceitos: de um contexto vulgardever-se-á passar para um contexto filosófico.Entretanto, importa que os alunos se habituem também a lidar com a repetiçãode termos em textos de diferentes autores, mas com significados não necessariamentecoincidentes. Cada autor constrói o seu vocabulário próprio e específico que, de algummodo, reflecte a sua visão original do mundo. Nesse sentido, os alunos deverão –também aqui – adquirir competências que lhes permitam recontextualizar os termos,inserindo-os adequadamente nas obras de cada autor e, desse modo, reconfigurando,
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