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O Despertador Toca a Lucidez Do Sono

O Despertador Toca a Lucidez Do Sono

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07/24/2012

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A noite dispersa. O dia nasce, em mim e para mim, como um interregnonoturno. Um engolir imortalizado do ócio, da necessária labuta e doarrependimento humano. A visão, só por si, é redutora; confesso. Todavia, existir com a coação de meapresentar para o mundo como um elemento válido do seu progresso causa-me asco, arrepia-me e dá vontade de beijar, ainda que sem o sono em mim, aalmofada. É verdade! Eu tenho tantos sonhos que fiz de mim preguiçoso! Edormito.São sete em ponto. Levanto a carne narcotizada da cama acolchoada earrasto-me para a casa de banho. Bom dia, aventura diária! Bom dia, corpovencido. Hoje é dia de escola.O estudo é, paradoxalmente, a diáspora dos meus intentos e o aguçar daminha vontade. Lavo as ramelas dos olhos e espumo o corpo. Tiro dos dentesa pasta das horas de pesadelos e penteio-me, deformando o cabelo, para (não)me sentir apresentável e destacar-me como um elemento desajustado dasociedade vigente. Arrumo a mala, criando um manto confortável de folhas riscadas eamarrotadas de lições pretéritas para que as canetas sem tinta e os livros comcheiro a novo se sintam recebidos e tenham, ao contrário de mim, a vontade desujar as solas em Rio de Mouro.Saio de casa, esgueiro-me por entre a humidade matinal dos dias de inverno,com o peso e a responsabilidade de cuidar de mim e com o desejo sádico deme escarnar. Tento descobrir-me nas depressões de noventa minutos a queassisto; nas imediações do indeciso destino dos abutres do acne e dainconsequência. Eu gritei de mim a vontade de ser um génio. Fustiguei-me atéachá-la e, por isso, não faço nada. A minha proeza diária é falhar,ininterruptamente, nos trabalhos escolares para que em mim guarde a ideia deque o ensino só me mata a criatividade e a intemporalidade das minhasdeduções.Todo o génio, convicto, é preguiçoso. Atropela-me, com vento, o comboio dahora incerta. Adeus, Tapada das Mercês.
 
Prefiro ser, eternamente, um aprendiz da genialidade desfigurada com oimpulso de ser um mero mortal com um objetivo desmesurado. Bom dia, Avenida Pedro Nunes. (Número um).Eu prezo a boa educação e os bons costumes. Prezo, de igual modo, ainadaptabilidade que este local me proporciona, de jeito a poder queixar-me,sem motivo, do ínfimo pormenor que me desagrade! A primeira aula. Alemão.
Güten Morgen! 
 Pronto, esgotei os meus conhecimentos de cinco meses de aulas! Foge demim, vagar que não tenho! Remete-te aos dias de férias e aos domingos detarde. Os outros dias são de educação!Pronto, (porque gosto da fugaz sensação terminal que a palavra infere, semque, de facto o seja, visto que, posteriormente, continuo a escrever sobreelementos desinteressantes acerca do modo como a preguiça me condiciona,me atraiçoa e como julgo, neste concurso, ser sagaz referi-la) menti. Eu nãoquero deixar de ser um mero desperdício de tempo. Cansa deixar de sê-lo. Eunão espero perdoar-me as horas perdidas num balbuciar inadequado depalavras, molhadas em fios de baba e pernas dormentes. Eu venci-me antesda batalha.
Auf wiedersehen! 
(Adieu, adieu. Goodbye!). Aparte feito, termina a aula de alemão. Rasgo as caras de segunda maldormida por entre os pátios da escola. Cumprimento as pessoas que ainda nãoobliteraram o meu nome da sua memória, fingindo um sorriso cordial como se asua presença na minha vida, naqueles segundos efémeros, fossepreponderante. Ambos sabemos fazer isso. São as normas impostas pelo
estatuto social. Somos elementos de um “todo”, não é verdade?!
 Visito o meu cacifo. Amostras pagas de um ensino gratuito. Guardo aspalavras rudes da supremacia alemã no cenário europeu. Pego um cadernorabiscado, de lições aleatórias. Parto para mais hora e meia de suplício.(Saltarei esta parte. É inútil estar a referir todo o minuto em que, para evitar tomar atenção àquilo que, se fosse aproveitado por mim, me teria ensinado
 
alguma coisa, mergulhei no secar do relógio. O barulho metálico interrompeu-me o raciocínio, mas a aula, que não sei qual foi, deverá ter sido interessante.)(Mais uma pequena nota. Porque me esqueci de como se organiza um conto e,somente me rememoro dos contos de fadas, digo isto):Era uma vez
um homem alto e magro que vivia num castelo…perdão, num
apartamento, mais precisamente num t4. E que, por influência da princesaPreguiça, não queria sair do seu espaço para ir procurá-la. A história não énecessariamente bela, mas é eficaz. Ambos tiveram o que pretendiam. Aindaassim, devido às tecnologias que existiam na altura, eles puderam trocar umas
fotografias pela internet. (Estas gentes das épocas medievais…).
 É hora de almoço. Troco impressões acerca das minhas experiênciasevolutivas do ego, camufladas em palavras eloquentes e nos meus trejeitosmecanizados, com o intuito de condicionar o entendimento do auditório.Fazem-se intervalos entre as hormonas buliçosas e os apanhados matinais.O elemento à minha direita refila a sua existência desinteressante como quemnão se entrega ao tédio. O elemento à minha esquerda comove-se com ahistória exacerbadamente modificada do jornal de ontem. O elemento à minhafrente disseca a sua falta de objetivos e rotula-a de escolha apressada,imediata e despreparada. Eu envolvo-me em mim, oiço-os ao som de umamúsica aleatória que se insurge nos meus pensamentos e acenoafirmativamente. Têm todos razão, se a querem ter.
Finda a suspensão da “formatização” rebuscada e compactada em doze
anos. Marca o décimo para eles; O décimo segundo, ainda que de novodécimo, para mim.Submerjo, novamente, em tudo aquilo anteriormente referido. O sabor amargo afaga-me a língua e tombo a cara na mesa bacteriana. Atento, emsúbito momento, à aula e participo. As perguntas fulgurantes, sem posterior aproveitamento ou anterior pensamento, ocupam uma boa fatia do enfado, como intuito de me satisfazer a pouca réstia de esperança que tenho nas valênciasdo ensino, e com o propósito de fazer arder tempo efetivo de aprendizagem.

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