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A ARTE DE AMAR
 ERICH FROMM 
TÍTULO DO ORIGINAL AMERICANO: THE ART OF LOVINGTRADUÇÃO DE MILTON AMADO
— “O amor — afirma Erich Fromm — é a única resposta sadia e satisfatória para oproblema da existência humana”. Todavia, a maioria entre nós, é incapaz de desenvolver ascapacidades humanas do amor naquele único nível que tem importância real — um amor que écomposto de madureza, auto-conhecimento e coragem.Nesta obra, o Dr. Fromm discute todos os aspectos do amor, não apenas o amorromântico, rodeado de concepções extremamente falsas, mas também o amor dos pais pelosfilhos, o amor fraternal, o amor erótico, o amor de si próprio e o amor de Deus. Aprender aamar, sugere o autor, como quaisquer outras artes, pede prática e concentração.O livro que ora é lançado pela EDITORA ITATIAIA, como obra inicial de sua novacoleção — PERSPECTIVAS DO MUNDO —, está cheio de observações desafiantes, deverdades, às vezes violentas, sobre a sociedade contemporânea e as barreiras que são levantadasentre seus membros em sua eterna busca de amor.O autor do livro, um dos psicanalistas mais famosos do mundo atual, autor de uma sériede livros sobre problemas de comportamento humano no mundo presente, é também um estilistaadmirável para escrever sobre assuntos complexos de uma maneira viva, humana eextremamente interessante.Acerca de A ARTE DE AMAR, afirmou o suplemento literário do
Times,
de Londres:“Como uma visão da natureza daquelas relações que são comuns a todos os seres humanos, estebreve ensaio dificilmente poderá ser superado”.
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A leitura deste livro seria decepcionante experiência para quem esperasse fácilinstrução sobre a arte de amar. Este livro, ao contrário, quer mostrar que o amor não éum sentimento em que qualquer um se possa comprazer, sem levar em conta o nível dematuridade que alcançou. Deseja convencer o leitor de que todas as suas tentativas deamar estão fadadas a falhar se ele não procurar, com o máximo de atividade,desenvolver sua personalidade total, de modo a conseguir uma orientação produtiva;convencê-lo de que a satisfação no amor individual não pode ser atingida sem acapacidade de amar ao próximo, sem verdadeira humildade, coragem, fé e disciplina.Numa cultura em que tais qualidades são raras, o alcance da capacidade de amar devepermanecer uma conquista rara. Ou... qualquer um pode perguntar a si mesmo quantaspessoas tem conhecido que verdadeiramente amam.Contudo, a dificuldade da tarefa não deve ser razão para que nos abstenhamos detentar conhecer-lhe os óbices, assim como as condições de sua realização, para evitarcomplicações desnecessárias, tentei tratar do problema em linguagem que, tanto quantopossível, não é técnica. Pela mesma razão, também reduzi ao mínimo as referências àliteratura sobre o amor.Para outro problema não encontrei solução completamente satisfatória: foi o deevitar repetição de idéias expressas em anteriores livros meus. O leitor familiarizado,especialmente, com
Evasão da Liberdade, O Homem para Si mesmo e A SociedadeSadia
encontrará neste livro muitas idéias manifestadas nessas obras precedentes.Contudo,
 A Arte de Amar 
de modo algum é principalmente uma recapitulação.Apresenta muitas idéias além das previamente expressas e, muito naturalmente, mesmoidéias antigas às vezes ganham perspectivas novas pelo fato de se centralizarem todasem torno de um tópico, o da arte de amar.
Quem nada conhece, nada ama.Quem nada pode fazer, nada compreende.Quem nada compreende, nada vale. Masquem compreende também ama, observa,vê... Quanto mais conhecimento houver inerente numa coisa, tanto maior o amor... Aquele que imagina que todos os frutosamadurecem ao mesmo tempo, como ascerejas, nada sabe a respeito das uvas.PARACELSO
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É o amor uma arte? Se o é, exige conhecimento e esforço. Ou será o amor umasensação agradável, que se experimente por acaso, algo em que se “cai” quando se temsorte? Este livrinho baseia-se na primeira hipótese, embora indubitavelmente a maioriadas pessoas, hoje, acredite na segunda.Não é que se pense que o amor não é importante. Todos sentem fome dele;assistem a infindável número de filmes sobre histórias de amor, felizes e infelizes,ouvem centenas de sovadas canções que falam de amor; e, contudo, quase ninguémpensa haver alguma coisa a respeito do amor que necessite ser aprendida.Essa atitude peculiar baseia-se em várias premissas que, isoladas ou combinadas,tendem a sustentá-la. A maioria das pessoas vê o problema do amor, antes de tudo,como o de
ser amado,
em lugar do de
amar,
da capacidade de alguém para amar.Assim, para essas pessoas o problema é como serem amadas, como serem amáveis. Nabusca desse alvo, seguem diversos caminhos. Um deles, especialmente utilizado peloshomens, é ter sucesso, ter todo o poder e riqueza que a sua posição social permitir.Outro, especialmente utilizado pelas mulheres, é tornarem-se atraentes, pelo cuidadocom o corpo, o vestuário, etc. Outros modos de se fazer alguém atraente, usados tantopor homens como por mulheres, são o desenvolvimento de maneiras agradáveis,conversação interessante, a prestatividade, a modéstia, a inofensividade. Muitas dasmaneiras de uma pessoa se tornar amável são as mesmas empregadas para obtersucesso, “para conquistar amigos e influenciar os outros”. Na realidade, o que a maioriados de nossa cultura considera ser amável é, essencialmente, uma mistura de ser populare possuir atração sexual.Segunda premissa por trás dessa atitude de que nada há a aprender a respeito doamor é a idéia de que o problema do amor é o problema de um
objeto
e não o de uma
 faculdade.
Pensa-se que
amar 
é simples, mas que é difícil encontrar o objeto certo aamar — ou pelo qual ser amado. Tal atitude tem muitas razões enraizadas nodesenvolvimento da sociedade moderna. Uma dessas razões é a grande mudançaocorrida no século XX com relação à escolha de um “objeto de amor”. Na épocavitoriana, como em muitas culturas tradicionais, não era o amor principalmente umaexperiência pessoal espontânea que a seguir pudesse levar ao casamento. Ao contrário,o casamento se contratava por convenção — ou pelas famílias respectivas, ou por umagente matrimonial, ou sem o auxílio desses intermediários; consumava-se na base deconsiderações sociais e julgava-se que o amor se desenvolveria depois de efetuado ocasamento. Nas últimas poucas gerações, o conceito de amor romântico tornou-se quaseuniversal no mundo do Ocidente. Nos Estados Unidos, ainda que considerações denatureza convencional não estejam de todo ausentes, vasto número das pessoas anda àbusca do “amor romântico”, da experiência pessoal de amor que acabe por levar aomatrimônio. Esse novo conceito de liberdade no amor deve ter acentuado grandementea importância do
objeto
em contraste com a importância da
 função.
Relaciona-se estreitamente com esse fator outro aspecto característico da culturacontemporânea. Toda a nossa cultura se baseia no apetite da compra, na idéia de umatroca mutuamente favorável. A felicidade do homem moderno consiste na sensação deolhar as vitrinas das lojas em comprar tudo quanto esteja em condições de comprar,quer a dinheiro, quer a prazo. Ele (ou ela) encara as pessoas de maneira semelhante.Para o homem, uma mulher atraente (e, para a mulher, um homem atraente), eis o lucro
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