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Há uma Crise de Valores Espirituais?
“Se não se encontrar uma valor supremo, escreve André Malraux, dentro de cinquenta anos, a nossa civilização, que seacredita ser uma civilização da ciência, tornar-se-á uma das mais submissas aos instintos e aos sonhos elementares que omundo já conheceu, por lhe faltar uma espécie de alimento espiritual que tenha domínio sobre o poder científico do homemmoderno. Está claro, agora, que a ciência é incapaz de ordenar a vida. Uma vida é ordenada por valores.” Paulo GusmãoO texto de Paulo Gusmão faz referência a um sentimento de crise de valores, considerando que, faltando os valores espirituais,a humanidade será governada pelos instintos.O desenvolvimento científico-tecnológico deu aos seres humanos um poder imenso, que tem de ser usado em seu benefício, enão contra eles. O autor chama a atenção para a necessidade de valores espirituais, que orientem a acção humana no sentido dahumanização e do respeito pela pessoa, numa época em que se assiste a uma alteração dos critérios valorativos: valorização dopoder económico e desvalorização, ou indiferença, perante valores como a solidariedade, a compaixão, a paz.Há autores que falam mesmo de ausência de valores, ou de vazio axiológico, que é responsável:
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Pelo enfraquecimento da capacidade crítica, criando condições para a fácil manipulação dos indivíduos, por partedaqueles que apelam aos instintos mais primários – à justiça popular, ao fanatismo religioso, ideológico ou rácico.
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Pela indiferença e descomprometimento político-social e pela desresponsabilização do indivíduo, face aos problemassócio-políticos e à sua resolução. Parece ter-se caído num certo individualismo egoísta, que só valoriza as necessidadese interesses próprios.
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Pela perda de unidade e de coesão social, com o consequente isolamento dos indivíduos e comunidades, geradora deinsegurança, violência, marginalidade, racismo e xenofobia.Alguns autores, afirmam que esta mudança dos critérios valorativos e a crise dos valores espirituais e humanistas se devem àperda das crenças religiosas, já que eram elas a justificação e a razão de ser da existência e do reconhecimento de tais valores.No entanto, seria lamentável que os valores estivessem tão dependentes das crenças religiosas.
Os Valores Dominantes no Mundo Ocidental.
Há, então, autores que acreditam que o ateísmo do mundo moderno seria o responsável essencial pela crise dos valores e pelaconsequente crise civilizacional.No entanto, outros autores consideram positiva a separação entre os valores humanistas e a religião. Estes autores considerampositivo o facto de os valores passarem a justificar-se com base no próprio Homem.Para estes autores, é o valor da dignidade da pessoa humana que passa a servir de fundamento e de valor supremo, a que todosos outros se devem subordinar. Estes autores fazem um diagnóstico mais optimista da sociedade ocidental, reconhecendoinúmeros sinais de progresso axiológico e moral. Reconhecem que as sociedades ocidentais, pelo menos, ao nível dos valores edos princípios:
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Combatem todas as formas de discriminação.
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Defendem os direitos dos mais fracos e das minorias.
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Eliminam a tortura e todas as formas de abuso de autoridade.
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Lutam contra todas as formas de tirania e opressão.
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Promovem o reconhecimento, a todos os seres humanos, de direitos fundamentais e de condições mínimas dedesenvolvimento: direito à educação, à saúde, à alimentação e habitação, liberdade de culto...Seja como for, parece consensual que, na sociedade ocidental, prevalecem os valores económicos, o egoísmo e oindividualismo. Estes acabam por dominar todos os outros. Por exemplo, os direitos dos mais fracos e das minorias podem ser postos em causa por razões de ordem económica.
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