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Estado_de_Inocência_e_Mídia_-_conteúdo

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Published by: Luiz Fernando Pereira Neto on Aug 13, 2012
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03/15/2015

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ESTADO
 
DE
 
INOCÊNCIA
 
E
 
MÍDIAL
UIZ
F
ERNANDO
P
EREIRA
N
ETO
1
 INTRODUÇÃO
Garantia constitucional e princípio reitor do processo penal, o Estado de Inocência, é aforma em que deve permanecer o suspeito de um delito, até sentença condenatóriairrecorrível. Sendo assim, podemos dizer que a pessoa incriminada está envolta por umacamada protetora, esta camada tem a função de assegurar que o acusado não será condenadopor nenhum crime até que se tenha comprovado sua culpa e não haja mais como recorrer detal decisão. Arraigado nas bases da Revolução Francesa, e inserido na Constituição daquelepaís, logo ganhou proporções maiores, sendo recebido pela Declaração Universal dos Direitosdo Homem. No Brasil ele só veio a ser estabelecido na chamada Constituição Cidadã, aConstituição de 1988.Este princípio mudou o curso da história processual penal, dando a todos os cidadãoso direito de não ser pré-julgado e condenado também encaminhando a sociedade a romperseus laços com tão importante princípio. É a partir deste aspecto que se fundamenta o presentetrabalho, fruto de monografia jurídica defendida no curso de Direito/UNIRON e sob argüiçãodos professores Mestres Marco Bonito(Coordenador e professor dos cursos deComunicação/UNIRON) e Aramis Nassif(Desembargador do Tribunal de Justiça do Estadodo Rio Grande do Sul.Realizando um levantamento a cerca da questão percebemos que a nova sociedade deinseguranças formada nos últimos tempos, foi altamente influenciada pela mídia, que no afãde elevar sua programação a numerosos índices de audiência, vem violando constantemente oprincípio do Estado de Inocência. Percebemos que na guerra pela audiência vale tudo atémesmo infringir os princípios constitucionais. Procuraremos neste estudo retratar asdefinições sobre o Princípio da Presunção de Inocência, conhecer o seu processo histórico,analisar a formação da sociedade de insegurança e o papel da mídia na espetacularização danotícia.
1
Advogado Criminalista. Especialista em Direito Penal(Unisinos-RS); Mestre em Ciências Criminais(PUC-RS) ; Professor de Processo Penal na Universidade de Passo Fundo(UPF-RS) ; Coordenador Regional doInstituto Brasileiro de Processo Penal(IBRASPP).
 
13
Noções Preliminares sobre o Princípio do Estado de Inocência
A Presunção de Inocência é uma garantia Constitucional e um dos princípios maisimportantes do Processo Penal. De acordo com Tourinho Filho em seu livro Processo Penal,
“[...] representa o coroamento do
due process of Law”.
2
 
 Nas palavras de A. Castanheira Neves: “um ato de fé no valor ético da pessoa, própriode toda a sociedade livre”.
3
 Segundo Antônio
Ferreira Gomes o princípio da inocência: “assenta no
reconhecimento dos princípios do direito natural como fundamento da sociedade, princípiosque, aliados à soberania do povo e ao culto da liberdade, constituem os elementos essenciais
da democracia”.
4
 O estado de inocência advém do próprio princípio do direito natural, fundamentadonas bases de uma sociedade livre, democrática, que respeita os valores éticos, morais, masprincipalmente os valores pessoais, aqueles que têm por essência a proteção da pessoahumana.Tal instituto remonta ao Direito Romano. Durante a Idade Média este pressuposto foifortemente atacado, neste período a presunção era de culpa e não de inocência. Se as provasnão eram suficientes para libertar ou mesmo para prender o réu era condenado por suposição.
De acordo com Aury Lopes Júnior, “No
 Directorium Inquisitorum,
EYMERICH orientavaque o suspeito que tem uma testemunha contra ele é torturado. Um boato e um depoimentoconstituem juntos, uma semiprova e isso é suficiente para uma conde
nação”.
5
 No final do século XVIII, ainda durante o iluminismo, o princípio de presunção deinocência era contraditório a sua essência. Nesta fase a Europa Continental vivia sob umregime de sistema penal inquisitório, onde na maioria das vezes, as pessoas eram condenadasantes mesmo de se ter sido comprovada a culpa.Um exemplo clássico do que foi o bárbaro sistema inquisitório na época da inquisição
religiosa foi o processo de Joana D‟Arc. Essa história foi transcrita em inúmeros livros
eretratada nas telas de cinema, mostrando ao mundo a história da jovem francesa, que seguindo
2
TOURINHO FILHO, Fernando da Costa.
Processo Penal 
. São Paulo: Saraiva, 2000, p.65.
 
3
NEVES, A. Castanheira.
Sumários de Processo Penal 
. Coimbra, 1967, p.26, apud, TOURINHOFILHO, Fernando da Costa. Processo Penal. São Paulo: Saraiva, 2000, p.65.
 
4
GOMES, Antônio Ferreira. A sociedade e o trabalho: democracia, sindicalismo, justiça e paz. In:
Direito e Justiça 
. Coimbra, 1980, v.1, n.1, p.7, apud, TOURINHO FILHO, Fernando da Costa.Processo Penal. São Paulo: Saraiva, 2000, p.65.
 
5
JÚNIOR, Aury Lopes.
Direito Processual Penal e sua Conformidade Constitucional 
. Rio deJaneiro: Lumen Juirs, 2007, p.187.
 
 
14suas crenças, promoveu um dos mais famosos processos a época da inquisição. Instaurado naFrança em 21 de fevereiro de 1431, o processo teve como juiz e acusador o Bispo Cauchon,que deu a Joana o direito de escolher entre seus acusadores, um defensor.
Agora só resta a Joana a possibilidade de apelar à benevolência dos juízes. O textoda acusação está pronto e será lido e rebatido durante longos dias. A donzela só podeter como defensores os seus próprios acusadores: a pior situação para qualqueracusado. Ela decide defender-se sozinha.
6
 
Durante este período não havia em que se falar em direitos e garantias. Era urgente enecessário proteger o cidadão contra os desmandos do Estado, que buscava de qualquer formaa condenação do réu. A regra era a presunção de culpa e não de inocência. Nas palavras dePaulo Rangel:
Nesse período e sistema o acusado era desprovido de toda e qualquer garantia.Surgiu a necessidade de se proteger o cidadão do arbítrio do Estado que, a qualquerpreço, queria sua condenação, presumindo-o, como regra, culpado.
7
 
No final do século XVIII, mais precisamente no ano de 1789 explode a maior de todasas revoluções que mudaria o mundo. A Revolução Francesa marcada principalmente pelaqueda da Bastilha, local em que durante anos, todos os direitos e garantias dos cidadãosfranceses ou não, foram suprimidos. Deu-se nesta fase então o início de um novo tempo.Portando a bandeira da
 Liberté, Égalité et Fraternité, 
surge o diploma dos direitos e
garantias fundamentais do homem. A Constituição francesa proclamava: “todo homem é
presumido inocente até que ele tenha sido declarado culpado; se ele está julgadoindispensável prendê-lo, todo rigor que não seria necessário para a segurança de sua pessoa
deve ser severamente reprimido pela Lei”.
 
9
 Estava desta forma estabelecida a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão,de 1789, que trouxe em seu art. 9º:
Todo homem é considerado inocente, até ao momento em que, reconhecido comoculpado, se julgar indispensável a sua prisão: todo o rigor desnecessário, empregadopara a efetuar, deve ser severamente reprimido pela lei.
10
 
Começava naquele momento uma grande mudança do sistema processual penal naEuropa que influenciaria fortemente outros países.
6
 
BENAZZI, Natale. D’AMICO, Matteo.
O Livro Negro da Inquisição: A Reconstituição dos Grandes Processos 
, Lisboa: Âncora, 2001, p.65, apud, RANGEL, Paulo. Direito Processual Penal.Rio de Janeiro: Lumen Júris, 2005, p.52.
 
7
RANGEL, Paulo.
Direito Processual Penal 
. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2005, p.24.
 
8
Traduzido de:
tout homme étant présuée innocent jusqu’ a ce qu’il ait été déclaré coupable; s’ il est  jugé indispensable de l’ arrêter, toute rigueur qui ne serait nécessaire pour s’ assurer de sa
personne, doit être sévèrement reprimée par La loi.
 
9
 
TOURINHO FILHO, Fernando da Costa.
Processo Penal 
.
São Paulo: Saraiva, 2000, p.65.
 
10
RANGEL, Paulo. Direito Processual Penal. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2005, p.25.
 

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