Reunião discute veto de Kassab à lei contra homofobiaPor Beto Sato
No dia 12 de fevereiro, uma reunião na Câmara dos Vereadores de São Paulo discutiu oveto do prefeito Gilberto Kassab ao Projeto de Lei 440/01, que pune a discriminação por orientação sexual na capital paulista.
Estiveram presentes o vereador e deputado estadual eleito Carlos Giannazi (PSOL-SP),seu assessor Rubens Carsoni, a militante Rita Quadros, a secretária de Travestis eTransexuais da Associação da Parada do Orgulho GLBT Alessandra Saraiva, o jornalistaBeto Sato e os assessores da vereadora Soninha (PT-SP) Hélio Wicher Neto e NewMaris. No encontro foi debatido o veto do prefeito Kassab, considerado pelos participantescomo incongruente face à situação do segmento GLBT na cidade. As razões do veto,segundo documento assinado pelo prefeito, foram principalmente de natureza jurídica.Para o prefeito, no texto do projeto de lei existiria uma sobreposição de competências para tratar da discriminação por orientação sexual, já proibida por lei estadual e pelasleis de garantia dos direitos humanos.Sem possibilidade de conversaEssa interpretação foi contestada pelos participantes da reunião. “Não é porque o Brasilassina a Declaração dos Direitos Humanos da ONU ou porque já exista lei estadual quecoíbe a homofobia que o município não possa ter legislação complementar contra atosde discriminação”, declarou Hélio Wicher Neto. “É inadmissível que um projeto supra- partidário, apresentado inclusive pelo líder do governo na câmara, o vereador e ex-Secretário Especial de Participação e Parceria José Police Neto (PSDB-SP), o Netinho,seja vetado pelo chefe do executivo municipal”, ponderou Giannazi. O projeto foiapresentado pelos vereadores Giannazi, Soninha e Netinho.“Com o prefeito não há mais possibilidade de conversa. O único caminho é tentar derrubar o veto na Câmara, mas para isso precisamos da maioria absoluta dosvereadores, ou seja, 28 no mínimo”, argumentou Rubens Carsoni. “Por isso precisamosde um trabalho duro de convencimento e advocacy com todos os vereadores”,completou Rita Quadros.“Creio que esse trabalho deve ser feito pelos militantes, grupos GLBT e pelo FórumPaulistano de entidades GLBTT”, afirmou New Maris. Já para Rubens Carsoni éimportante também “mostrar para a população os francos motivos do veto".Os presentes decidiram, de imediato, escrever um manifesto que será entregue a todosos parlamentares da casa e distribuído a população. “É inaceitável que a cidade que tema maior Parada GLBT do mundo não tenha leis que garantam a cidadania e direitosiguais para todos”, declarou Alessandra Saraiva.Pela lei, deverá ser afixada em todos os estabelecimentos comerciais uma placa dizendoser crime discriminar por orientação sexual. A própria Alessandra lembrou na reunião deuma vez que foi expulsa do prédio onde morava por ser transgênero. “Na hora, eu fiquei
Leave a Comment