Zaporozhets), outros encontraram espaços em diferentes institutos de Moscou. Vigotskienquanto permanecia principalmente em Moscou, dedicou-se a conferenciar
no InstitutoPedagógico Estatal de Leningrado
(ver Van der Veer & Valsiner, 1991, no prelo
). Estasconferências eram principalmente associadas à disciplina da pedologia (conhecida como “omovimento de estudo da criança” na literatura americana), tanto mais por Vigotski terredefinido esta disciplina, para ele mesmo, como uma ciência interdisciplinar sintética dodesenvolvimento (Vigotski 1931a, 1931b, 1931c). Sua visão de pedologia implicava aemergência de uma ciência do desenvolvimento qualitativamente nova com sua própriametodologia, tendo por base diferentes disciplinas que investigavam questões relativas àcriança. Vigotski estava ativamente envolvido na organização da pedologia na UniãoSoviética. Naquele tempo ele era professor de pedologia no Instituto Pedagógico Estatal deMoscou, no Instituto Médico de Moscou. O papel de Vigotski na pedologia na URSS noinício dos anos 30 foi proeminente. Esta importante posição na pedologia depois serviu comoo pretexto ideológico para colocarem sua obra na lista negra (e.g. Rudneva, 1937). A sombrada pedologia permaneceu como um fator ideológico negativo em descrédito ao trabalho deVigotski até mesmo nos anos 50 – o envolvimento com a disciplina precisou ser explicadoposteriormente
como um “erro” insignificante, ocasional, na re-introdução de sua obra napsicologia soviética (Kolbanovskii, 1956).Uma análise detalhada da emergência e uso do conceito de ZBR é dada alhures (Vander Veer & Valsiner, 1991, no prelo, capítulo XII). Aqui nós traçamos as vias específicaspelas quais o desenvolvimento prévio da teoria (a “teoria histórico-cultural”) de Vigotski esua nova concentração na pedologia teórica junto com suas aplicações em contextoseducacionais, deram origem ao seu uso do conceito de ZBR.
Raízes da ZBR na “teoria histórico-cultural”
Pode-se argumentar que a lógica de desenvolvimento da teoria histórico-cultural de Vigotskilevou à necessidade de conceitualizar os processos desenvolvimentais que operam no domínioda transformação presente-futuro das estruturas de funcionamento do sistema psicológico.Diferentes investigações (Leontiev, 1932; Luria, 1928; Vigotski, 1929) dentro da abordagemhistórico-cultural, junto com a idéia germinal
da pessoa “libertando” a si mesma dos limitesde uma dada situação através da mediação baseada em signos
e da ação instrumental, tinhamdemonstrado as possibilidades do progresso posterior da criança para além de seu nível defuncionamento psicológico presente. Contudo, os processos efetivos
pelos quais estaspossibilidades tornam-se realidade na ontogênese não estavam ainda delineados. Pode serrazoável caracterizar o foco histórico-cultural no papel da mediação dos processospsicológicos em 1927-31 como primariamente microgenético em sua ênfase. A maior partedos estudos empíricos que são conhecidos daquele período era baseada em experimentaçãomicrogenética e envolvia comparações de grupos etários (na maioria dos casos, numa amostranatural). Uma vez que as idéias histórico-culturais de Vigotski emergiram no contexto de sua
8N.T.: em Leningrado os principais nomes da psicologia soviética a partir desse período seriam os de D. B. Elkonin e de S.L. Rubinshtein.9N.T.: este livro já foi traduzido ao português e editado no Brasil: Valsiner, J. e Van der Veer, R. Vygotsky: uma síntese.São Paulo: Loyola: Unimarco. 1996.10N.T.: no original “root-idea”, a “idéia-raiz”, aquela da qual outras se originam ou à qual outras estão articuladas.11N.T.: no original “sign-based mediation”, talvez pudéssemos traduzir por “mediação semiótica”, mas não o fizemos pelofato de que os autores poderiam ter optado por “semiotic mediation” e não o fizeram nesse caso.12N.T.: “actual processes” – talvez também pudéssemos traduzir por “processos reais”. Ver a nota 7 na página 2.
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Edilson Selanileft a comment