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A METÁFORA NAS CRÔNICAS JORNALÍSTICAS DE JOSÉ SIMÃO

A METÁFORA NAS CRÔNICAS JORNALÍSTICAS DE JOSÉ SIMÃO

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A METÁFORA NAS CRÔNICAS JORNALÍSTICAS DE JOSÉ SIMÃO
Liliam de
OLIVEIRA
(PUC/SP)
liliam@gmail.com
Resumo
A possibilidade que o enfoque da metáfora como ferramenta cognitiva trouxe para o campo teórico, ampliouos horizontes de estudos e possibilitou que as pesquisas sobre metáfora rompessem a barreira dos textos poéticos e aventurasse-se em outros gêneros textuais. Este trabalho é fruto da minha dissertação de mestrado,em andamento, que objetiva analisar a partir dos estudos de Lakoff e Johnson, o processo de construção dametáfora nas crônicas jornalísticas de José Simão e estabelecer quais são as relações que a metáfora criaentre o texto e o leitor e como este reflete sobre os temas apresentados. 
Abstract1. Considerações iniciais
Somente a partir da década 1970 a metáfora começou a ser estudada como um fenômenocognitivo. A possibilidade que o enfoque da metáfora como ferramenta cognitiva trouxe para o campoteórico ampliou os horizontes de estudos e, com isso, possibilitou que as pesquisas sobre metáforarompessem a barreira dos textos poéticos e se aventurassem em outros gêneros textuais.Este trabalho baseia-se na perspectiva da metáfora cognitiva embasada pelos estudos de Lakoff e Johnson – que por meio de investigações empíricas constatam as diversas maneiras de construir metáforas para representar a nossa visão da realidade.Por conseguinte, ela analisará o processo de construção da metáfora nas crônicas jornalísticas deJosé Simão pelo leitor proficiente e tem como objetivo a análise do pensar metafórico no discurso jornalístico, mais precisamente na Crônica, por meio da abordagem cognitiva no processo de leitura.Assim, seus objetivos específicos serão verificar e analisar o processo de construção dametáfora cognitiva nos sujeitos da pesquisa durante o ato de leitura dos textos propostos e verificar como oleitor proficiente constrói o sentido de metáforas lingüísticas que refletem, na linguagem, metáforas como processos cognitivos durante o ato de leitura dos textos propostos.Para tal, serão utilizados textos da coluna de José Simão, da Folha de São Paulo no cadernoIlustrada, referentes ao período que antecedeu a invasão americana ao Iraque, o período guerra, a queda daestátua de Saddan Hussein e a sua captura pelo exército americano.Com efeito, os sujeitos da pesquisa cujo mero de participantes seestabelecido posteriormente, deverão ser leitores regulares da coluna de José Simão na Folha de S. Paulo, com nívelsuperior, e, se possível, escolhidos dentre as mais variadas áreas de conhecimento.Este trabalho pretende divulgar e ampliar os estudos da metáfora como ferramenta cognitiva esomar-se aos trabalhos já publicados por alguns teóricos, e por grupos de estudo como o GEIM, que tantocontribuíram para o enriquecimento das questões teóricas sobre esse assunto.Para tanto, justificamos de que forma a análise metafórica fundamentada nos trabalhos deLakoff & Johnson na produção de sentidos compreensão textual durante o processo de leitura efetuado por um leitor proficiente, é relevante.Ao buscar uma estruturação adequada do trabalho, procurou-se dividir a fundamentação teóricaem três partes: a primeira deverá tratar da Metáfora como processo cognitivo em contraponto com a perspectiva tradicional; a segunda abordará a Crônica –gênero textual, sua trajetória histórica ecaracterísticas; a terceira tratará do estudo dos Aspectos cognitivos da leitura: Conhecimentos prévios,objetivos e expectativas, interação e estratégias de leitura, além de relacioná-las com o pensar metafórico.
 
Antes de abordar o assunto em questão, é pertinente ressaltar que este artigo apresenta a primeira etapa da minha dissertação de mestrado e procura abordar os resultados da fase inicial da minha pesquisa e apresentar as indagações que permearão a fase posterior que será as entrevistas e análises dosdados coletados.
2. A perspectiva tradicional da metáfora
Tradicionalmente, a metáfora é percebida como uma figura de linguagem, um recurso retórico,estilístico, ou ainda, uma simples questão de linguagem e não de pensamento.
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Zanotto (1996:211) apud Canolla, atesta que a metáfora é considerada um simples ornamento.Desta forma, na visão do racionalismo aristotélico e cartesiano, a oposição literal/metafórico é muito forte. p.65Entre essas visões tradicionais, temos a de Oswaldino Marques (1956:33) no livro
 A Teoria da Metáfora
, que além de tratar a metáfora como “o mais complexo e plástico dos tropos”, apresenta a posiçãode alguns teóricos a respeito desse assunto, como Hedwig Konrad apud Marques (op. cit.:34-35) atribui umaquase que completa autonomia à metáfora estética em contraposição à metáfora lingüística, ou seja, há uma“dupla configuração da metáfora como fator constitucional da linguagem e como recurso superior deexpressão poética”.Acrescente-se as perspectivas de Warren e Wellek apud Marques (op. cit.:35-36) que ressaltamcomo ingredientes básicos da metáfora, “a analogia, dupla visão, imagem sensorial e projeção animística”,categorizando as metáforas por critérios culturais, variando de nação para nação.De acordo com Michel LeGuern (1974:142), que define a metáfora como um recurso estilístico,a passagem dessa “ao símbolo é muitas vezes imperceptível; isso intervém no momento em que a analogianão é sentida pela intuição, mas percebida pela inteligência”.Portanto, de acordo com LeGuern, a metáfora, figura de linguagem tradicionalmente usada nodiscurso poético e no discurso oral, possui algumas características próprias, como o fato de não possuir regras e de, principalmente, ser percebida através do contexto em que se insere.A partir destas concepções, acabamos por considerar que não há um “molde” para a metáfora;ela não possui teoria específica e que sob essa perspectiva, seu estudo fica restrito ao campo poético eliterário.Entretanto, a partir da década 1970, a metáfora começou a ser pesquisada como um fenômenocognitivo, conforme abordaremos a seguir.
3. A metáfora como ferramenta cognitiva
Em 1979, Michael Reddy apresenta um novo enfoque à metáfora. Surge com seus estudos, oconceito da metáfora do canal, onde a palavra carrega a idéia, ou seja, a linguagem funciona como umconduto que transfere pensamentos de forma corpórea de uma pessoa para outra.Com efeito, Reddy postula na sua teoria da metáfora do canal que as expressões lingüísticas sãorecipientes de significados, palavras e sentenças têm significados em si mesmas, independentemente dequalquer contexto ou falante. Por outro lado, os significados são objetos, têm uma existência independentede pessoas e contextos. Ademais, as expressões lingüísticas são recipientes de significados, palavras (esentenças) têm significados também independentes de contextos e falantes. (Cf. Lakoff & Johnson, 2002:55).Aprofundando os estudos de Reddy, é publicado em 1980, a obra de Lakoff & Johnson,Metáforas da Vida Cotidiana, onde eles questionam as concepções levantadas por Reddy e redefinem osconceitos metafóricos, a partir da descoberta de que “a metáfora está infiltrada na vida cotidiana, nãosomente na linguagem, mas também no pensamento e na ação”, dividindo-os então, em estruturais,orientacionais e ontológicas. (Cf. Lakoff & Johnson, op.cit.:45).Eles postulam que a metáfora possibilita aos indivíduos organizar certos conceitos através daanalogia e transferência de características de um domínio mais estabilizado pela experiência para umdomínio menos estável. Haveria então metáforas operando no nível conceptual e funcionando como base para compreensão de conceitos complexos e abstratos. Para eles "o conceito é metaforicamente estruturado, aatividade é metaforicamente estruturada e, conseqüentemente, a linguagem é metaforicamente estruturada”.(Cf. Canolla, op.cit.:68).Em vista disso, as metáforas originam-se de nossas experiências concretas e que permite-nosconstruir conceitos especialmente abstratos e elaborados.Porquanto, a metáfora passa a ser definida não apenas como um fenômeno conceptual que permite a organização de conceitos mais complexos, através de uma rede de analogias e correspondências.Passa, dessa maneira, a apresentar um valor cognitivo também associado à experiência sócio-cultural dofalante que vai além de sua utilização apenas retórica, pois permite a operacionalização de conceitoscomplexos, a respeito dos quais é difícil falar. (Cf. Canolla, op.cit.: 70-75).Para Lakoff e Johnson, as teorias da abstração e da homonímia são inadequadas e em muitosaspectos já que elas não conseguem dar conta dos fatos que concerne aos tipos metafóricos (orientacional,físico estrutural) e às suas propriedades (sistematicidade interna e externa, embasamento é coerência). (Cf.Lakoff & Johnson, op.cit.:195).A perspectiva da abstração não consegue explicar a tendência para entender o concreto emtermos do mais concreto e nem, pode explicar fatos ligados a se sistematicidade interna das metáforas.
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Enfim, já que a teoria da abstração não possui nenhum sistema metafórico, ela não pode explicar porquemetáforas podem se combinar como fazem e não podem dar conta das expressões metafóricas que estão na parte não usado na metáfora. (Cf. Lakoff & Johnson, op.cit.: 196-198).Uma vez que a homonímia é o uso de uma mesma palavra com significados diferentes, ela nãoconsegue dar conta da sistematicidade em interna das metáforas; apresenta os mesmos problemas em caso dese sistematicidade externa e, não tem condições de explicar extensões da porção usada (ou não usada) deuma metáfora. (Cf. Lakoff & Johnson, op.cit.: 198-202).De acordo com Lakoff & Johnson (op.cit.:59-69), as metáforas orientacionais são aquelasligadas à orientação espacial do tipo: para cima - para baixo, dentro-fora, frente-trás, em cima de - fora de(on-off), fundo - raso, central - periférico. Surgem do fato de que temos um corpo e que este funcionaobedecendo a nossa relação com o nosso ambiente físico e cultural.Já nas metáforas ontológicas, os conceitos abstratos são transformados em entidades – coisas ouseres (animais ou pessoas).Usamos metáforas ontológicas para compreender os eventos, ações, atividades eestados. A personificação desempenha um papel importante nesse processo. (Cf. Lakoff & Johnson,op.cit.:75-85).Por fim, as metáforas estruturais são as que definem a nossa forma de representar a realidade.Elas nos permitem fazer mais do que simplesmente orientarmos conceitos, nos referirmos a eles, quantificá-los etc. Diante disso, podemos estruturar uma concepção em termos de outra. Nós a utilizamos para pensar certos conceitos abstratos. (Cf. Lakoff & Johnson, op.cit.:133-139).
4. A compreensão do enunciado metafórico
As metáforas permeiam todo nosso sistema conceptual. Muitos desses conceitos são tãoabstratos que necessitamos de algo concreto para defini-los. Criamos então, a necessidade de utilizarmos asdefinições metafóricas. (Cf. Lakoff & Johnson, op.cit.: 205-207).Lakoff e Johnson propõem que os conceitos que ocorrem em definições metafóricas são aquelescorrespondentes aos tipos naturais de experiência, que proporcionam a forma certa de estrutura que nos permite lidar com aqueles tipos naturais de experiência que são menos concretas ou menos claramentedefinidas em seus próprios termos. (Cf. Lakoff & Johnson, op.cit.: 208-209).De acordo com Lakoff e Johnson, "as meforas e os delimitadores o instrumentossistemáticos para definir melhor um conceito e para modificar seu âmbito de aplicabilidade". (Cf. Lakoff &Johnson, op.cit.:218).Embora o enunciado metafórico apresente-se com estruturas formais diferentes, sua estrutura profunda consiste na transferência do sentido de palavras, fenômeno esse que pode ocorrer nas mais diversasmanifestações discursivas. (Cf. Canolla, op.cit.:53).É preciso deixar de lado o modo trivial de trabalhar com a metáfora como fenômeno lingüísticocujo estudo, em condições reais de interpretação, pode trazer 
insights
significativos para a pesquisa sobreleitura de modo geral, desde que se leve em conta tanto sua estrutura, quanto seus contextos de ocorrência esuas funções. (Cf. Canolla, op.cit.:54).Com efeito, não há apenas um significado literal nem apenas um significado metafórico para umenunciado que contém metáfora, pois diferentes significados vão sendo estabilizados num processo dinâmicode interação, negociação e co-construção. (Cf. Canolla, op.cit.:56).Danon-Boileau (1987) apud Canolla
 
 propõe que na metáfora (e também na metonímia), há doistermos postos em relação. Um deles é o figurante (pertence ao enunciado) o outro, o figurado (poderiaocupar o lugar do primeiro no enunciado). (Cf. Canolla, op.cit.:57).Para Danon-Boileau (op.cit.) o figurado matriz é a matriz dos traços que representariam asrestrições definidas pelo fragmento do enunciado que é completado pela metáfora, mas não corresponde aum figurado-palavra e não é possível reconstituir a relação que permitiu sua produção. (Cf. Canolla,op.cit.:59).O processo de compreensão da metáfora estabelece um programa de busca, mas é um programacontínuo, já que a palavra que se busca não é encontrada. Como conseqüência a metáfora não põe em jogo areferência, ela aponta para sentidos do tipo qualitativo, não constrói um indivíduo.Esta qualidade significada pelo figurante não é um conceito estável, é um projeto(Cf. Canolla, op.cit.:60). No entanto, se o enunciado metafórico não for significativo, não ficará retido na memória decurto prazo e o leitor pode, simplesmente não registrar o trecho, passando por ele sem se deter.Outrossim, a metáfora pode ser utilizada como um ponto de ancoragem da leitura para discussãodo texto e, desse modo, possibilitará, mesmo aos leitores que não se detiveram no trecho, a oportunidade derefletir a respeito dele e de enriquecer sua compreensão do conjunto do texto. (Cf. Canolla, op.cit.: 26).
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