Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
8Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
CANTANDO E CONTANDO HISTÓRIA CARIMBÓ

CANTANDO E CONTANDO HISTÓRIA CARIMBÓ

Ratings: (0)|Views: 545 |Likes:
Published by José Belém Coosta

More info:

Published by: José Belém Coosta on Aug 28, 2012
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOCX, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/04/2013

pdf

text

original

 
 
CANTANDO E CONTANDO HISTÓRIA:
Um estudo do Carimbó em Belém do Pará na década de 1970 José Belém da Costa
 
Motivados pela importância da música regional como símbolo de identidadecultural. Realizamos a pesquisa bibliográfica e de campo com o intuito de conhecer ocarimbó, que apesar de fazer parte de nossa cultura é um gênero musical ao mesmotempo muito distante do conhecimento da grande maioria da comunidade paraense.O interesse pela música no ensino de História surgiu também durante nossa
 participação em um seminário na Escola de Aplicação da UFPA “História encantos”,
onde diversos professores palestraram sobre a importância da música no ensino comofomento de aprendizagem.A discussão teórica que deu suporte as questões analisadas foi a partir deabordagens promovidas pela escola dos
annales
que levou historiadores a repensar asfontes, as temáticas e os sujeitos sociais. Neste contexto o carimbó traz contribuiçõespara a história ao contar e cantar história da cultura de nossa região.A pesquisa ocorreu no acervo de Vicente Salles no Museu da UFPA, foi oprimeiro passos de fato com a especificidade da música paraense, naquele espaçopodemos ter acesso aos discos de carimbó recorte de jornais e algumas bibliografiassobre o esse tema. Visitamos a fonoteca Satyro de Mello a fim de consultar o acervo eescutar músicas relativas ao carimbó.Realizamos visitas aos coordenadores da campanha que busca tornar o carimbópatrimônio histórico imaterial cultural brasileiro no IPHAN, essa visita foi muitoimportante, pois lá conhecemos o Isaac Loureiro o qual nos forneceu o contato dealguns mestres do carimbó de Belém, entre eles mestre Coutinho e dona Nazaré do Ó,mestra de carimbó de Icoaraci, conhecemos ainda o mestre Pinduca, e escutar ashistórias desses mestres do carimbó foi fundamental para entendermos um pouco dessegrande universo que é o carimbó em Belém, nossa pesquisa ainda é uma incursãotímida, tendo em vista o vasto campo a ser explorado dentro da música regionalparaense, ainda há muito a ser investigado. Ao dizer sobre publicações historiográficasde cunho musical Napolitano (2005), escreve que ainda é insipiente os levantamentosdas obras fonográficas dos compositores brasileiros, ele diz que geralmente esses dados
 
são levantados pelos jornalistas, “[...]
se faz necessário estudos monográficos querealizem um levantamento exaustivo da obra fonográfi
ca dos compositores e estilos”.
 Busca ainda enfatizar a música carimbó como linguagem relevante ao ensino naescola, houve a experimentação através das oficinas com alunos do ensino fundamentale ensino médio, muito apreciada por professores e alunos que ressaltaram a importânciada presença do carimbó no Ensino de História.Com isso, pretendemos neste trabalho exercitar a nobre tarefa da docência que pelasnovas perspectivas educacionais está muito além de transmitir informações aosestudantes e sim buscar dentro de um processo interdisciplinar aguçar o interesse dosalunos pela pesquisa e tornar o processo de ensino aprendizagem algo significativo.
SEMEANDO UMA HISTÓRIA NUMA TERRA FÉRTIL
Hoje, toda ação humana e as percebidas num tempo histórico passado sãosegundo a nova história, passiveis de serem consideradas como fatos históricos. Secontrapondo aos adeptos da historiografia tradicional, onde somente os documentos e osfeitos oficiais merecem a apreciação histórica, sem levar em conta as particularidadesdo cotidiano dos sujeitos sociais.A Historiografia Social permite que
 
o homem comum e suas ações passem afazer parte da historia, merecendo a devida atenção de pesquisadores contemplando osatores sociais esquecidos pelos
 positivistas
, que utilizam as narrativas, o factual e osatos dos vencedores como fontes historiográficas, uma história encomendada pelaselites.Com isso não estamos descartando a historiografia tradicional nem suaimportância, tendo em vista que os processos históricos não são para serem julgados, esim analisados (HOBSBAWM, 2008). Portanto, a historiografia positivista teve suaimportância no seu tempo, no entanto hoje ela não contempla os campos de ação dahistoriografia contemporânea. Vemos na Historia Cultural a possibilidade de estabelecerum olhar investigativo e problemático nossa proposta consiste em analisar dentro dessatemática da música regional paraense, especificamente o carimbó, um estudo dessegênero musical para salientar o motivo pelo qual se tornou um sucesso na década de1970, após ser combatido nas primeiras décadas do século XX, almejar inserir ocarimbó metodologicamente no Ensino de História, por conter expressão da cultural eda identidade nas letras e em sua melodia. No que tange a música e ensino de história,destaca-se:
 
 
[...] além de ser veículo para uma boa idéia, a canção também ajuda a
 pensar a sociedade e a História. A música não é apenas “boa paraouvir”, mas também é “boa para pensar”. O desafio básico de todo
pesquisador que se propõe a pensar a musica popular [...]. Ésistematizar uma abordagem que faça jus a essas duas facetas daexperiência musical (NAPOLITANO 2005 p. 11).
Ou seja, o desafio está proposto, afinar os
instrumentos de trabalho e “mão namassa”, ou melhor, preparemos os ouvidos e
nossa capacidade de análise e depensamento.A História enquanto ciência tem alargado suas fronteiras de investigação,adentrando em campos que outrora eram específicos da Antropologia, é a nova HistóriaCultural, como afirma Pesavento (2003). O ensino de História também reflete asmudanças paradigmáticas da História pensada. Assim o currículo de História tempassado por transformações, abordando novos temas e metodologias.A música tem sido um bom recurso para o ensino, mas para a História ela não ésó motivação, representa um novo objeto da pesquisa histórica.A discussão em torno das questões históricas, sociológicas e estéticas damúsica popular brasileira não é uma novidade das últimas décadas. Já nos anos 30,cronistas como Francisco Guimarães e Orestes Barbosa debatiam sobre as origens etrajetórias do samba gênero que assistia um rápido processo de consagração(NAPOLITANO, 2005, p. 136). Para Napolitano a música deve ser compreendidanuma perspectiva global sem preconceitos de erudito ou popular, precisa ir além dessadicotomia, pois uma não se sobrepõe a outra.Para se ter uma idéia, Kiefer (1923), quando analisa a obra do compositorErnesto Nazareth, esse autor pretende discutir sobre que rótulo atribuir às composiçõesde Nazareth, pois apesar de alguns críticos europeus classificarem as músicas comosendo eruditos no padrão das músicas européias, os títulos eram bem populares como,por exemplo, Mariazinha sentada na pedra, podia ser pior, pipoca, entre outras. Logo, adiscussão entre o que pode ser considerado popular ou erudito são conceitos não tãorelevantes para as análises da História tendo em vista que é algo bem relativo, seja nosentido espacial geográfico ou no aspecto temporal, ou seja, o que hoje é consideradopopular em outro espaço de tempo pode ter sido erudito ou vice versa.Essa flexibilidade é destacada nos escritos de Naves:

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->