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AYRES BRITTO, Min. Carlos - Decisão liminar Belo Monte RCL14404

AYRES BRITTO, Min. Carlos - Decisão liminar Belo Monte RCL14404

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vistos, etc.Trata-se de reclamação constitucional, aparelhada com pedido demedida liminar, proposta pela União e pelo Instituto Brasileiro do MeioAmbiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), contra ato doTribunal Regional Federal da 1ª Região. Ato consubstanciado em acórdãoque acolheu parcialmente os Embargos de Declaração na Apelação Cívelnº 2006.39.03.000711-8.2. Arguem os autores que o
“Ministério Público Federal ajuizou a açãocivil pública 2006.39.03.000711-8/PA, com o objetivo de paralisar asatividades administrativas relacionadas à condução do processo de licenciamentodo UHE Belo Monte, sob o fundamento da suposta nulidade do DecretoLegislativo nº 788/2005, que possuiria vícios formais e materiais”
. Alegam queo Juízo Federal da Vara Única de Altamira/PA julgou improcedente aação. Sentença confirmada pela Quinta Turma do TRF da 1ª Região, aonegar provimento à apelação interposta pelo Ministério Público. Aconteceque, opostos embargos de declaração
“tão somente para que o Tribunal semanifestasse expressamente sobre os artigos 6º, 7º, 14 e 15 da Convenção 169 daOIT, bem como sobre a incincia do Decreto Legislativo 143/2002, queinteriorizou referida convenção
 , o mencionado órgão fracionário doTribunal Regional Federal da 1ª Região
“reanalisou todos os argumentos jáanteriormente levantados nos autos, inclusive outros trazidos pelos própriosdesembargadores, para rejulgar o recurso de apelação de modo a reformar a
Supremo Tribunal Federal 
Documento assinado digitalmente conforme MP n°2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. Odocumento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 2646842.
 
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14.404 MC / DF
sentença, julgando procedente o pedido da inicial, a fim de declarar a invalidadematerial do Decreto Legislativo nº 788/2005 por violação ao art. 231, § 3º, daConstituição, e os arts. 3º, item 1, 4º, itens 1 e 2, 6º, item 1, alíneas a, b, c e 2; 7º,itens 1, 2 e 4; 13, item 1; 14, item 1; e 15, itens 1 e 2, da Convenção nº 169/OIT”
.O que resultou na ordem, com eficácia imediata, de proibição do IBAMAem praticar
“qualquer ato de licenciamento da UHE Belo Monte”
.3. Apontam os reclamantes desrespeito à decisão deste SupremoTribunal Federal na Suspensão de Liminar nº 125. É que o acórdãoreclamado, ao acolher parcialmente os embargos de declaração para darprovimento também parcial ao recurso de apelação interposto peloMinistério Público Federal, impediu
“que o Ibama
[praticasse]
qualquer atode licenciamento da UHE Belo Monte, bem como
[tornou]
insubsistentes os já praticados e conferiu imediata eficácia à sua decisão, ordenando a imediata paralisação do empreendimento”
. E o fato é que, na SL 125,
“a União
[obteve]
decisão
[deste]
Supremo Tribunal Federal que reconhece a impossibilidade de seconsiderar inválido o Decreto Legislativo 788/2005 e obstar ato do Ibama cujoobjetivo
[fosse]
conduzir o processo de licenciamento
. Decisão que, nostermos do § 9º do art. 4º da Lei nº 8.437/92, vigora até o trânsito em julgado
“da decisão de mérito na ação principal”
. Segundo os autores, oacórdão reclamado
“não só ‘restabeleceu’ aquele que, anteriormente, tivera suaeficácia suspensa por meio da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do SL 125, como também desconsiderou completamente a suamanifestação a respeito da constitucionalidade do Decreto Legislativo 788/2005,que, apesar de não ter sido realizada em sede controle
[sic]
concentrado deconstitucionalidade, foi a
ratio decidendi
do julgado”
. Daí requererem aconceso de medida liminar para suspender os efeitos do acóroreclamado.4. Pois bem, mediante o despacho de 24 de agosto de 2012, abriprazo de 24 (vinte e quatro) horas para manifestação do Procurador-Geralda Reblica. Procurador que pugnou pelo o conhecimento dareclamão, pelo indeferimento da liminar e pela improcedência dopedido.5. Feito esse aligeirado relato da causa, passo à decisão. Fazendo-o,2
Supremo Tribunal Federal 
Documento assinado digitalmente conforme MP n°2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. Odocumento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 2646842.
 
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pontuo, de saída, que o poder de cautela dos magistrados é exercido num juízo provisório em que se mesclam num mesmo tom a urgência dadecisão e a impossibilidade de aprofundamento analítico do caso. Se seprefere, ime-se aos magistrados condicionar seus provimentosacautelatórios à presença, nos autos, dos requisitos da plausibilidade jurídica do pedido
(fumus boni juris)
e do perigo da demora na prestação jurisdicional (
 periculum in mora)
 , perceptíveis de plano. Requisitos a seraferidos
 primo oculi
 , portanto. Não sendo de se exigir, do julgador, umaaprofundada incursão no mérito do pedido ou na dissecação dos fatosque a este dão suporte, senão incorrendo em antecipação do próprioconteúdo da decisão definitiva.6. No caso, tenho que estão presentes os requisitos necessários àconcessão da medida liminar. Explico: quando do julgamento do pedidode Suspensão de Liminar nº 125, deparou-se a Ministra Ellen Gracie,eno Presidente deste Supremo Tribunal Federal, com acórdão doTribunal Regional Federal da 1ª Região que, em sede de agravo deinstrumento: a) considerou
“inválido o Decreto Legislativo 788/2005, porviolação ao § 3º do art. 231 da CF/88”
; b) proibiu o IBAMA de fazer
“aconsulta política às comunidades indígenas interessadas,
[por ser de]
competência exclusiva do Congresso Nacional, condicionante do poder deautorizar a exploração de recursos energéticos em área indígena”
; c) permitiuapenas
“a realização do EIA e do laudo antropológico
[a ser]
submetidos àapreciação do Parlamento”
. O que estava em debate naquela ocaso,resumidamente, era a interpretação do § 3º do art. 231 da ConstituiçãoFederal: se a audiência das
“comunidades afetadas”
é de preceder à própriaautorização do Congresso Nacional para o
“aproveitamento dos recursoshídricos (…) em terras indígenas”,
ou se, ao contrário, a autorização doParlamento é etapa anterior a todo o processo administrativo conducenteao licenciamento da obra, incluída aqui a audiência das comunidadesindígenas.7. Pois bem, o que decidiu a Ministra Ellen Gracie? Decidiu que
“oacórdão impugnado
[era]
ofensivo à ordem pública,
[ali]
entendida no contextoda ordem administrativa, e à economia pública, quando considerou inválido,
3
Supremo Tribunal Federal 
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