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A pequena sereia - athena bastos.pdf

A pequena sereia - athena bastos.pdf

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10/01/2012

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A PEQUENA SEREIAAutora: Athena BastosE, como todos os contos, o meu também deveria começar com o nosso
querido “era uma vez”. Mas um “era uma vez” talvez não tão distante e talvez sem os
adoráveis vestidos. Nem por isso, entretanto, ele eixa de ser um conto mais que perfeitode amor.Era uma vez, eu. Isso mesmo. Se você achar egocentrismo demais que eufale sobre minha própria história, então fique longe daqui. Mas, o que importa, emminha opinião, não é quem conta a história, ou sobre quem se conta, mas a carga deconteúdo da mesma. E algumas histórias, para mim, devem ser guardadas e repassadas.E se a minha for uma delas, o que eu posso fazer?É por isso que a história que lhes conto talvez deva ser preservada como umverdadeiro tesouro desenterrado do fundo do mar.
Pulemos, então, a parte introdutória do “era uma vez”, e passemos à história
que vim lhes contar. O prólogo se encerra e o conto começa, num ambiente, sem outraspalavras, molhado demais.A água. Sinto a fluidez do ambiente. Sempre tive essa fixação pela água. Osilêncio é contagiante, assim como a sensação de paz e tranquilidade. Imagino meuslongos cabelos vermelhos espalhando-se e parecendo chamas em meio à água. Meusolhos estão fechados, mas consigo ver tudo, sentir tudo. E nada parece poder me afetar.Nada ali dentro pelo menos. Estou salva em meu mundo, mas isso basta?Subo lentamente, emergindo à superfície da piscina. Ao meu redor somenteo ondular das águas. Então ouço seus passos. Todo dia, neste mesmo horário, ele passapor aqui. Ele vai ao vestiário, se troca e passa o restante da tarde na piscina, nadandopara ser um campeão. Eu apenas observo, sem nunca trocar uma palavra ou um olhar.Sempre mergulho, deixando apenas meus olhos de fora, para que possa vê-lo passar porali, e saio antes que ele retorne.Seus cabelos negros contrastam com a alvura pele. O largo sorrisoexpandindo-se pela face e iluminando a rota percorrida. E de repente me vejo perdidaem devaneios. Como seria falar com ele? Conversar sobre banalidades? Nossosassuntos seriam tão diferentes? Queria conhecer seus amigos, frequentar suas festas...Fazer parte do seu mundo.
 
Ele acabou de fechar a porta do vestiário; é hora de partir. Suspiro e dou ummergulho para ajeitar os fios desalinhados de meu cabelo. Assusto-me quando medeparo com duas caras muito próximas de mim.- Que susto!
 – 
Eu berro
 – 
O que vocês dois estão fazendo aqui?- Silêncio, Ariel! É capaz de o principezinho te ouvir e descobrir seu grandesegredo! Eric, Eric. Sério, Ariel, você devia tentar falar com ele um dia!- Bem que eu queria Lio, mas fica difícil quando sua mãe lhe obriga a nadarquase vinte e quatro horas por dia para ser uma atleta de nado sincronizado quase queperfeita.
 – 
e eu saí da piscina. Já estava quase na hora de ele sair do vestiário e seriabom que não me visse.Minha mãe fora uma atleta perfeita, até se casar, ter duas filha e transferir àmais nova delas todo o seu sonho. Ela era bastante rigorosa, o que quase não davatempo de diversão à filha.Além disso, havia toda a rivalidade existente entre as nossas escolas. Erauma antiga e sem cabimentos. Tudo por causa das disputas nas piscinas da cidade.Enquanto a minha escola se destacava pelo time de nado sincronizado, a dele sedestacava pelo time de natação. E enquanto isso, as piscinas e ginásios da cidade eramdisputados para treinos e competições. Posso ainda falar também, que quase sempre aescola dele saía na frente, visto que os alunos que a compunham tinham um elevadonível social.Era esse o principal motivo de minha mãe restringir minhas amizades compessoas como Eric. Não é que as pessoas da minha escola sejam pobres. Mas o nívelsocial e a criação eram completamente diferentes. Mesmo os que tinham dinheiro, emminha escola, eram mais humildes e simpáticos. E eu ainda era diferente: só estudava aliporque minha mãe trabalhava como professora de nado sincronizado. E ela temia que eupudesse me machucar ao tentar atravessar os muros que nos separavam.A compreensão que a diretoria
 – 
ao permitir que eu frequentasse as aulas
 – 
eos professores tinham comigo não era a mesma dos demais alunos e, principalmente,dos alunos das demais escolas. Eram mundos distintos, com barreiras invisíveis, asquais nunca eram ultrapassadas. Minha única chance de ser alguém, segundo minhamãe, era tendo destaque no nado sincronizado. Esse era o meu legado.Eu havia nascido para bailar humildemente nas águas, e ele... Bem, ele éherdeiro de um grande império, e a única coisa que temos em comum é a paixão pelaágua. Uma paixão que para mim significa um futuro e para ele apenas um hobbie.
 
- Eu concordo com sua mãe, Ariel. Você deve se concentrar no seu futuro.Além do mais, ele é muito diferente de você. Você não seria bem aceita. Você sesentiria deslocada. As pessoas lá são fúteis. Só ligam para as aparências. Você acabariase machucando, Ariel.- Sou obrigada a ouvir isso todos os dias, Sebastian. Não preciso que vocêrepita. Eu só queria entender como ele vive e que minha mãe entendesse esse meudesejo! Como pode um mundo tão belo quanto o deles, composto por música, artes epoesia ser de todo horroroso? Eu queria apenas experimentar viver como eles, respirar oar que eles respiram e entender! Para vocês tudo o que ele fazem é destrutivo, mas paramim... Tudo parece mais que um sonho. Quem me olhasse lá, pensaria: essa garota temtudo. Aqui... Aqui eu sinto um pouco disso. Mas eu quero mais. Não quero viver presanesta minha caverna. Eu queria ser parte daquele mundo
 – 
olhei em direção ao vestiárioe suspirei
 – 
Vamos embora logo, antes que ele volte. Vou me trocar e encontro comvocês mais tarde.- Não se esqueça do treino, Ariel!
 – 
Sebastian avisou com um tom de vozum pouco entristecido pelo meu discurso.
“Não vou” pensei, mas nem me dei o trabalho de responder; apenas segui
em frente. Peguei minha bolsa e andei em direção ao vestiário.- Ora, ora. Não é a menininha sereia?Eu olhei para as duas meninas que se encontravam no vestiário do ginásiopúblico de esportes. Os cabelos brilhantes quase grudavam no gloss. Pela beleza e pelotom de voz pude perceber que eram competidoras de natação da escola rival.- Eu não sei quem são vocês duas, mas não quero brigar.- Nós não brigaremos com você, bobinha. Nós não interagimos com pessoasdo seu tipo.
 – 
Falou a mais baixa das duas.Elas saíram, enquanto eu acompanhava-as com o olhar. Fui tomar um banhoe, ao retornar, notei uma pequena abertura na porta pela qual entrei. Ela estava agorasemiaberta, por causa da passagem das duas simpáticas nadadoras. Será que tudo sobreo que me alertavam estava certo? Será que eles jamais me dariam uma chance? Seriamesmo impossível? Nunca haveria uma fresta de porta para permitir a minha entrada?Apoiei-me no vão da porta e olhei para Eric nadando. Não podia serimpossível... Devia haver um modo de fazer parte do mundo deles. Eu não queria ficarpara sempre presa àquele mundo em que minha mãe me colocou e onde eu parecia nãome encaixar.

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