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Mídia Fluida

Mídia Fluida

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Sessões do imaginário Cinema Cibercultura Tecnologias da Imagem 
 
MÍDIA FLUIDA: POR UMA RENOVAÇÃO CONCEITUAL
 Andréia Denise Mallmann 
Resumo 
A mídia sempre foi, desde seu surgimento, associadaaos meios de comunicação, aparatos de difusão massivaque, na contemporaneidade, se tornaram digitais eonline, transformando o chamado receptor num ativoindivíduo interagente, capaz de produzir, recriar, receber e difundir conteúdos. A evolução cultural e a constante
adaptação social às tecnologias de ponta zeram com
que o antigo império midiático sofresse o impacto dasnovas possibilidades de acesso à informação. Esse período, que Bauman (2001) denomina ModernidadeLíquida, nos faz crer que a chamada “nova mídia”não está mais atrelada a equipamentos ou meios de
comunicação, mas pode ser considerada o próprio uxo
informativo que percorre as autoestradas binárias das plataformas digitais/online.
 Abstract 
The media has always been, since its inception, coupledwith the media, mass dissemination apparatuses that,nowadays, have become digital and online, making theso-called receptor interacting in an active individual,able to produce re-create, receive and distribute content.Cultural evolution and the constant social adaptationto cutting edge technology made the old media empiresuffered the impact of new possibilities of access toinformation. This period, which Bauman (2001) callsliquid modernity, makes us believe that the so-called“new media” is no longer tied to equipment or meansof communication, but can be considered the proper 
ow of information that travels the highways of binary
digital platforms / online.
Keywords 
Media, communication, technology, online, liquidmodernity.
Palavras-chave 
Mídia; comunicação; tecnologia; online; modernidadelíquida.
O
que é mídia? A pergunta introduz
este estudo ao complexo universo da
comunicação, para seu entendimento.Foneticamente, mídia é a representaçãodo termo inglês media, que tem origemdo latim midium, cujo plural é media.Como significado, mídia, desde suas
 primeiras denições, remete a meio, espaço
intermediário ou local onde tudo converge.Quando os antigos diziam inmidium, queriam demonstrar que algoestava ao alcance da visibilidade de todos. Asociologia da comunicação cunhou, a partir 
disso, a expressão mass midium, cujo plural
é mass media, criando, assim, a teoria demassa, em que os meios de comunicaçãoeram tidos como instrumentos de difusãocoletiva indiscriminada. No final dos anos 60, o autocanadense Marschall McLuhan chamouatenção com a metáfora “o meio é a
mensagem”. Com tal denição, McLuhan
 pretendia apontar as potencialidades dosaparatos de comunicação da época, querepresentavam uma mensagem maior do queseus conteúdos.
A modernidade trouxe temáticas
variadas acerca da mídia. Estudos sobreas suas influências sinalizavam umasociedade completamente midiatizada.Pesquisas sobre o seu poder apresentavam
um sistema midiático socialmente complexo.
Os paradigmas sobre a cultura midialestabeleciam uma ambiência cultural com base na comunicação massiva.A evolução das tecnologiasgarantiu a evolução das técnicas utilizadas pelo ser humano e, não diferente,a comunicação também foi impactada
 
19 
Porto Alegre
24 2010/2 Famecos/PUCRS 
com tais transformações. As tecnologias
garantiram a ampliação, a reverberação dosconhecimentos, saberes, ideais e memórias.O período da Guerra Fria pode ser considerado marcante para a humanidade emtermos de pesquisas e avanços tecnológicos,os quais, por sua vez, contribuíram em largaescala para a transformação no campo da
comunicação. A rivalidade entre nações
(EUA e URSS) estimulou os estudosdos processos de trocas e segurança de
informações, iniciando o desenvolvimento,
ainda na década de 60, do que chamaríamosmais tarde de internet: a rede das redes decomunicação.Diante desse horizonte histórico
de adaptações e evoluções é possível
 perceber o quanto a ambiência social – 
suas necessidades, conitos, acordos, etc.
 – produziram demandas comunicacionais.Ao ir além, podemos afirmar que taisdemandas também contribuíram para aevolução tecnológica dos meios de formadialógica, em que sociedade, tecnologia ecomunicação se tornaram quase inseparáveis para quaisquer análises ou conjecturasa respeito de seu entendimento em cada período.A Internet penetrou e alavancou
a máxima amplitude na transformação
da comunicação e na sociedade, gerandoespaços virtuais onde tudo se desmaterializae rematerializa em 0 e 1. Assim, a perspectivalíquida acerta ao “diagnosticar” um homemem constante adaptação e evolução. Acomunicação e os aparatos tecnológicos
utilizados nas inter-relações sociais são
ferramentas nesse processo, pois chegamos
ao extremo da onipresença das técnicas/
tecnologias da comunicação, as quais produzem rios efeitos na sociedadecontemporânea e, por isso, não podemser desassociadas em uma análise. Diante
desse quadro, Rubim (2000) arma que
vivemos em uma “Idade Mídia”, em queos entrelaçamentos entre mídia, sociedadee tecnologias estão presentes de modoirrefutável e indissociável.Compartilhando semelhante visãoeste estudo encontra oportuna lacuna nos
entendimentos, classicações e teorias sobre
mídia. O campo da comunicação adquiriu
 profundas reexões teorizadas por grandes
autores. No entanto, muitas delas jamaisse depararam com uma realidade digital,
conectada, sem os e convergente.O reflexo disso são contínuasadaptações de termos e expressões para
que possam minimamente esclarecer, aqualquer interlocutor em debate, sobre oque estamos falando e com base em que estásendo realizado nosso discurso. Um bom
exemplo são as expressões supracitadas emdiscussões: “velha mídia” e “nova mídia”.
Quando nos percebemos utilizandoum termo “genérico” para organizar 
 pensamentos e criar diferenciações fica
evidente que algo está pouco esclarecido oufundamentado. Em princípio, a divisão “velhae nova mídias”, aplicada abundantemente em
trabalhos cientícos e debates acadêmicos,
mostra-se tão pobre quanto sobrecarregadade princípios invisíveis, mas aparentemente
de fácil compreensão a todos, o que justica
seu uso.Inicialmente, vem a pergunta: por que estamos criando e utilizando termos
genéricos para explicar os processos no
campo da comunicação? Como segundo
questionamento: por que essa “classicação”
sugere a divisão temporal (velha=passado/nova=presente, futuro)?Mediante essa “curiosidade” nasceo interesse e o foco deste estudo, que temcomo problema de pesquisa o entendimentoda mídia contemporânea. Ao verificar aaplicação de termos (como “novas mídias”)
que pouco explicam o que de fato signicam,
esta pesquisa buscará compreender a mídianão apenas como um processo que incluiemissor-meio-receptor, tendo em vista queessa relação já é perfeitamente analisada pelas teorias de massa e da informação, cada
qual com seus paradigmas e determinações.
 
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Sessões do imaginário Cinema Cibercultura Tecnologias da Imagem 
  Na mesma ordem, a cibercultura, queteoriza a cultura da comunicação em redes,não nos responde de fato o que é mídiacontemporânea, muito embora esta, mais queas primeiras, atualiza nosso embasamentosociocultural para propor e construir um pensamento renovado a respeito.Diferente de seu entendimentoclássico e tradicional (aplicado à mídia demassa e ainda hoje utilizado como padrãode referência, para muitos), o termo mídiana contemporaneidade se mostra como uma
grande soma de representações. É possível
 perceber uma banalização ao notarmos
seu uso em denominações completamente
alheias umas às outras. Mídias são espaçosde armazenamento, são empresas decomunicação, são programas de televisão,são sites populares, podendo ser também programas de envio de mensagem ou mesmo
conexões entre equipamentos chamados de
media center.
Com bastante imprecisão, muitos têm se
referido a todo o complexo contexto atual
sob o nome de “cultura midiática”. Essageneralização cobre o território com uma
cortina de fumaça. É claro que tudo é mídia,
até mesmo o aparelho fonador. Quais sãoelas, como se inserem na dinâmica social
[...] como impõem sua lógica ao conjunto dacultura? São todas questões irrespondíveis
se não fizermos o esforço de precisar nossos conceitos. A confusão conceitual é proporcional à confusão dos modos comonos aparecem os fatos que pretendemoscompreender (Santaella, 2003, p.26).
 
De fato, como arma a autora, háuma complexidade imensa que se amplia a
cada tentativa de adaptação ou generalizaçãoconceituais. Durante toda a história dacomunicação, os meios deram nomes àsmídias e essas, com suas características,disponibilizaram linguagens possíveis a cada
sistema ou área especíca.
O início da Internet, nos anos 90,
seguiu padrões textuais e de fotolinguagem para expressar as informações nela lançadas.
Com o passar do tempo, outras linguagens
ganharam veicularidade (grácos, áudios,
vídeos). Não registramos a morte denenhum meio de comunicação, como muitos pensavam, pelo contrário, a convergênciadeles se acelerou e, da mesma forma, potencializou outros modos de comunicação. Não estamos mais tratando doentendimento transmissionista de Shannon& Weaver (1948) onde a mídia foi associadaao meio, sendo esse a plataforma de
comunicação que veicula informações entre
emissor e receptor.
Ora, mídias são meios, e meios, como o próprio nome diz, são simplesmente meios,isto é, suportes materiais, canais físicos,
nos quais as linguagens se corporicam e
através dos quais transitam. Por isso mesmo,o veículo, meio ou mídia de comunicação é
o componente mais supercial, no sentido
de ser aquele que primeiro aparece no processo comunicativo. Não obstante suarelevância para o estudo desse processo,veículos são meros canais, tecnologiasque estariam esvaziadas de sentidonão fossem as mensagens que nelas se
conguram. Consequentemente, processos
comunicativos e formas de cultura quenelas se realizam devem pressupor tanto asdiferentes linguagens e sistemas sígnicosque se configuram dentro dos veículosem consonância com o potencial e limitesde cada veículo quanto devem pressupor também as misturas entre linguagens que serealizam nos veículos híbridos (Santaella,2003, p.25).
Assim, como destaca Santaella, o período em que vivemos hoje não é maiscompatível com o entendimento segmentado por meios de comunicão. Em outras palavras, se tempos denominamostelejornalismo o conteúdo veiculado pelaTV, como será chamado o mesmo conteúdoao ingressar na Internet e ser acessado emum celular? Seria contraditório chamarmosde telejornal um programa assistido viacelular. Assim, chamamos o programa

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