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Perrusi, Artur. Sociologia histórica da doença: o caso da AIDS

Perrusi, Artur. Sociologia histórica da doença: o caso da AIDS

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Published by Artur Perrusi
XV Congresso Brasileiro de Sociologia
26 a 29 de julho de 2011, Curitiba (PR). Gt20
XV Congresso Brasileiro de Sociologia
26 a 29 de julho de 2011, Curitiba (PR). Gt20

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XV Congresso Brasileiro de Sociologia26 a 29 de julho de 2011, Curitiba (PR)Grupo de Trabalho:
GT20 - Saúde eSociedade
 Título do Trabalho:
Sociologia histórica dadoença: o caso da AIDS
 Nome completo e instituição do(s) autor(es):
Artur Perrusi
 
 –
Universidade Federal daParaíba, Departamento de Ciências Sociais.
 
 
Sociologia histórica da doença: o caso da AIDSIntrodução
 O foco do texto será as mudanças na percepção social da doença e do doente,ocasionadas pelo advento da Aids. Contudo, não há uma relação causal diretae imediata entre o seu surgimento e as diversas transformações que ocorreramno campo imaginário da doença e da saúde. A Aids inscreve-se, na verdade,num contexto histórico bem complexo que relaciona transformações de longoalcance na sociedade moderna e re-significações no processo saúde-doença.Justamente pela Aids ter uma
história 
, achamos necessário, para compreender as novas percepções sociais sobre a doença, realizar inicialmente uma brevecomparação com representações de doenças do passado, como a peste, por exemplo. A Aids, de certo, mistura diversas representações, incluindo as maisantigas, ao mesmo tempo em que radicaliza algumas, cujas origens podem ser encontradas na tuberculose e no câncer. Talvez seja essa radicalização,principalmente política, como veremos mais adiante, a maior originalidade da Aids, em relação às outras doenças. A comparação, mesmo rápida, é importante, até porque a história da Aids é
recente 
e, por vezes, por causa disso, não percebida como um processoinscrito numa temporalidade de longa duração. As percepções sociais em tornodela não se esgotam no contexto do surgimento da doença. Estão aquém, poistêm um pé no passado, e além, até do desencadeamento da enfermidade, jáque sofrem mudanças ao longo do tempo. Além do mais, a Aids é, de formainédita, uma construção social a olhos vistos. Surge e se transforma sobnossos olhos. Cria medos e emoções, reproduzindo outros mais antigos.Ocupa o espaço público e exige o reconhecimento do Estado. Torna evidente aarticulação entre o biológico, o político e o social. Mais ainda: a apropriaçãocientífica do fenômeno foi e está sendo simultânea à sua captura pela opiniãopública, em particular pela mídia. Nunca o jogo de relações, muitas vezesconflituoso e ambíguo, entre ciência e senso comum, mediado pela mídia, foitão visível e explícito (Herzlich, Pierret, 1988).
 
Para facilitar a comparação e tendo uma função apenas metodológica,utilizaremos modelos tanto de doente como de doença para assim indicarmos aoriginalidade da Aids
1
. Os modelos podem ser interpretados, também, mesmocom algumas ressalvas, por causa de sua generalidade, como indicadores depercepções sociais da doença e do doente. Tais percepções juntam, no fundo,doença e doente pelo simples fato de sua implicância mútua. Usualmente, umaconcepção social de doença implica, de forma velada ou não, uma de doente, evice-versa.Por fim, ainda que o texto tenha um caráter de ensaio, prescindindo assim deuma averiguação empírica, nossas interpretações possuem uma base dedados e informações, proveniente de uma pesquisa financiada pela UNESCO epelo Ministério da Saúde
: “
Casais soro-discordantes no estado da Paraíba:subjetividade, práticas sexuais e negociação do risco
2
.
Doente-objeto e Flagelo
 A objetivação do doente pela biomedicina é um tema recorrente na sociologiada saúde (Camargo Jr., 2003; Martins, 2003). De fato, uma prática terapêutica,fundada na tecnologia e na biologia, tem a tendência em subsumir asexperiências existenciais dos doentes a resíduos subjetivos sem importância(Fernandes, 1993). Haveria, neste ponto, uma dessubjetivação do doente.Contudo, a visão do doente, como um mero expectador de seu sofrimento, não
é uma “invenção”
da biomedicina, pois podemos encontrá-la em outrosmodelos mais antigos, incluindo aqueles enraizados nas diversas formas docristianismo
3
. O doente, como um sofredor, que deixa seu devir nas mãos deDeus, seria equivalente, do ponto de vista da passividade, ao doente queespera (logo, tem a esperança em) a ação redentora do médico. A esperança,muitas vezes fundada no desespero, traduz uma situação de dependência, não
1
Inspiramo-nos, na elaboração dos modelos, dos trabalhos de
Langlois (2006) e de Herzlich e Pierret,(1991).
 
2
Pesquisa realizada na cidade de João Pessoa-PB. Teve como população estudada casaissorodiscordantes heterossexuais, nos quais um dos membros é soropositivo, isto é, portador do vírusHIV. A pesquisa teve a duração de dois anos e foram entrevistados 22 casais sorodiscordantes.
3
Como mostra Laplantine (2004), os modelos etiológicos e terapêuticos, muitas vezes, têm umenraizamento histórico antigo e, algumas vezes, imemorial.

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