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FALSUM COMMITTIT, QUI VERUM TACET
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escrevinhação n.º 740
 NOTAS ESPARSAS SOBRE O RECOLHIMENTO INTERIOR – parte II
Redigido em 12 de janeiro de 2009, dia de Santo AntônioMaria Pucci.Por Dartagnan da Silva Zanela
“[...] os estultos desprezam saber einstrução”.
(Provérbios I; 02)
- - - - - + - - - - -De longa data, inúmeras pessoas, algunsintelectuais reconhecidos publicamente pelos seus méritos edeméritos, outros não tanto, vem propondo para a humanidadeuma forma mais adequada para resolver todos os problemashumanos, para equacionar todos os problemas da sociedade apartir da criação de um Estado que seja capaz de organizara vida das pessoas de uma forma perfeita e que, estaorganização, supostamente seria capaz de resistir a ação dotempo e assim, poder-se instalar uma espécie (melhorada,segundo eles) de um paraíso celeste aqui na terra.eso eles, afirmando que sabem qual é omelhor destino para todos. Aliás, todos, cada qual ao seumodo, de acordo com suas simpatias, antipatias elimitações, de modo algum reconhecidas, elucubraram em suasmentes uma nova organização para a estrutura burocrática daONU, para a política externa dos Estados Unidos da América,para o as ações orquestradas pelo Foro de São Paulo, para apolítica econômica de nosso País ou, no mínimo, cada um de
 
FALSUM COMMITTIT, QUI VERUM TACET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -nós tem ao menos uma solução global para resolver qualquercoisa e assim deixar o mundo melhor. Seja lá o que issosignifique no vocabulário de cada um e qual seja a realcorrelação disso com a realidade.Qualquer um pode vir a indagar a este indignomissivista o que há de errado em conjeturar idéias destegênero que tenham apenas em vista a melhora do mundo e davida em sociedade. Bem, primeiramente, esse seroescrevinhador inicialmente responderia com outra pergunta:se você acha muito natural que todos nós podemos e devemosapresentar deliberações sobre como o mundo deveria ser ou,mais modestamente, como ele poderia tornar-se melhor,pergunto: o quanto você conhece de você mesmo e o quandovocê se tornou melhor enquanto pessoa para poder afirmarpiamente que você está apto a apresentar uma resolução paraos problemas de todos nós? Todos nós, esta ilustre multidãodesconhecidos que, via de regra, além de se desconhecer aexistência deste, se desdenha mesmo? para perceber oquanto isso é patético?Certa feita estava participando de um fórum dediscuso na internet e eis que um dos participantes(pseudo-intelectual orgânico, engajado e arrogante) disseque ele admite até um nazista ou comunista, pois elesestão, pelo menos, tentando fazer alguma coisa para
 
FALSUM COMMITTIT, QUI VERUM TACET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -melhorar a sociedade enquanto muitos preferem ficar semfazer nada.Ou seja: para este sujeito é preferívelperseguir e matar milhões de inocentes em nome de um mundomelhor possível do que não propor nada para tornar “o mundomelhor”. Claro, muitos destes indivíduos não propõem isso,nestes termos, abertamente, em seus colóquios, abertamente,pois, para todo indivíduo que procura pautar seu“entendimento” do real com estes critérios imagina sempreque a unidade de medida do que seja “justo” seria a suaprópria pessoa que ele, para infelicidade geral de suacompreensão, desconhece por inteiro.Isso mesmo! Está lá o sujeito, junto com umamultidão de sujeitos similares a ele, dando palpites sobrecomo deve ser o mundo, como o mundo seria melhor se suas“idéias” fossem adotadas, porém, as mesmas idéias que elesadvogam para o mundo não são, de modo algum, aplicadas porele para a melhoria de sua própria vida porque na maioriagritante dos casos o indivíduo nunca pensou que ele deveriamelhorar como pessoa, que ele necessariamente deve procurardia após dia tornar-se alguém, de fato, através do auto-conhecimento de suas limitações, de suas fraquezas, de suatorpe condição humana, de suas possibilidades.Mas não, justamente a partir da auto-afirmaçãode sua total ignorância de si, o sujeito acredita que pode
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