IntroduçãoNunca a memória de Joana d'Arc foi objeto decontrovérsias tão ardentes, tão apaixonadas, como a que,desole alguns anos, se vêm levantando em torno destagrande figura do passado. Enquanto de um lado,exaltando-a sobremaneira, procuram monopolizá-la eencerrou-lhe a personalidade no paraíso católico, deoutro, por ora brutal com Thalamas e Henri Bérenger,ora hábil e erudita, servida por um talento sem par, comAnatole France, esforçam-se por lhe amesquinhar oprestígio e reduzir-lhe a missão às proporções de umsimples fato episódico.Onde encontraremos a verdade sobre o papel deJoana d'Arc na história? A nosso ver, nem nos devaneiosmísticos dos crentes, nem tão pouco nos argumentosterra-a-terra dos críticos positivistas. Nem estes, nemaqueles parecem possuir o fio condutor, capaz de guiar-nos por entre os fatos que compõem a trama de Moextraordinária existência. Para penetrar o mistério deJoana d'Arc, afigura-se-nos preciso estudar, praticarlongamente as ciências psíquicas, haver sondado asprofundezas do mundo invisível, oceano de vida que nosenvolve, onde emergimos todos ao nascer e ondemergulharemos pela morte.Como poderiam compreender Joana escritores cujopensamento jamais se elevou acima do âmbito dascontingências terrenas, do horizonte estreito do mundo
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